Por Pr. Adriano Oliveira
Amados leitores, um assunto hodierno e necessário a ser analisado. O presente artigo investiga a compreensão histórica da Assembleia de Deus acerca do uso de adornos corporais, especialmente os brincos, a partir de uma abordagem exegética, hermenêutica e histórico-teológica. Quero ressaltar que o objetivo não consiste em estabelecer juízo sobre outras tradições cristãs, mas em demonstrar que a posição assembleiana clássica está alicerçada em uma leitura sistemática das Escrituras, orientada pelos princípios da santificação, da modéstia cristã, da separação do mundo e da autoridade eclesiástica.
Parte-se da premissa de que a ética cristã não se fundamenta exclusivamente em proibições explícitas, mas também na aplicação coerente dos princípios revelados na Palavra de Deus. Nesse sentido, o estudo examina o simbolismo dos adornos no Antigo Testamento, a doutrina neotestamentária da modéstia, a compreensão pentecostal da santificação progressiva e a função da disciplina eclesiástica na formação da identidade do povo de Deus.
Adicionalmente, analisa-se o desenvolvimento histórico dessa orientação nas Assembleias de Deus brasileiras, distinguindo cuidadosamente entre doutrina, princípio bíblico e costume eclesiástico. Sustenta-se que a renúncia voluntária aos adornos corporais, conforme ensinada na tradição assembleiana clássica, constitui uma expressão de consagração cristã e testemunho público, e não um requisito para a salvação, preservando-se, assim, a centralidade da justificação exclusivamente pela graça mediante a fé em Jesus Cristo.
Espero que todos vocês gostem e apreciem esta singela análise teológica.
INTRODUÇÃO
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.”
— 1 Coríntios 6:12 (ARC)
Vivemos uma das épocas mais marcadas pelo culto à imagem em toda a história da humanidade. Nunca o corpo humano foi tão explorado como instrumento de afirmação pessoal, identidade social e aceitação cultural. A estética deixou de ocupar apenas um espaço secundário e passou a exercer influência direta sobre valores, comportamento, relacionamentos e até mesmo sobre a construção da identidade individual.
Nesse cenário, a Igreja de Cristo é constantemente pressionada a reinterpretar seus valores à luz das mudanças culturais. Entretanto, conforme assevera o apóstolo Paulo, “não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12.2). O cristianismo bíblico jamais foi moldado pela cultura; antes, sempre exerceu influência transformadora sobre ela.
É precisamente nesse contexto que emerge uma das discussões mais recorrentes da ética cristã contemporânea: a utilização de adornos corporais, especialmente brincos, piercings e demais ornamentos destinados exclusivamente ao embelezamento estético.
Entre as Assembleias de Deus, particularmente em sua tradição clássica, consolidou-se, ao longo de mais de um século de existência, a orientação para que suas mulheres se abstivessem do uso desses adornos. Tal posicionamento tem sido frequentemente reduzido, por críticos e até mesmo por alguns setores do evangelicalismo contemporâneo, à categoria de mero costume cultural ou expressão de legalismo religioso.
Entretanto, uma investigação séria da literatura pentecostal demonstra que essa conclusão é simplista e metodologicamente insuficiente.
A tradição assembleiana nunca sustentou que brincos fossem a causa da perdição eterna, tampouco ensinou que a ausência deles produzisse santidade automática. Tal interpretação representa um equívoco histórico.
O que se observa, na realidade, é uma construção teológica fundamentada na convergência de diversos princípios bíblicos, dentre os quais se destacam a doutrina da santificação, a modéstia cristã, a separação do mundo, a simplicidade do discípulo de Cristo, a mordomia do corpo e a submissão voluntária à disciplina eclesiástica.
Sob essa perspectiva, a questão deixa de ser meramente estética para assumir contornos espirituais, eclesiológicos e pastorais.
A hermenêutica pentecostal clássica compreende que nem todas as orientações divinas aparecem nas Escrituras na forma de mandamentos diretos. Diversas áreas da ética cristã são construídas a partir da aplicação de princípios gerais revelados na Palavra de Deus. Essa metodologia encontra respaldo no próprio ensino apostólico, especialmente quando Paulo afirma: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm” (1 Coríntios 6.12) e “quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).
Assim, a pergunta hermenêutica deixa de ser simplesmente: “Existe um versículo proibindo brincos?” e passa a ser: “A utilização desse adorno corresponde aos princípios bíblicos da modéstia, da santidade e da separação ensinados pelo Novo Testamento?”
Responder adequadamente a essa questão exige uma abordagem que transcenda o uso isolado de textos bíblicos. É necessário examinar o testemunho progressivo das Escrituras, a unidade da revelação bíblica, a história da interpretação cristã e o desenvolvimento da identidade doutrinária do movimento pentecostal.
Este estudo propõe exatamente essa investigação.
Não se pretende condenar irmãos pertencentes a outras tradições confessionais que, mediante diferentes pressupostos hermenêuticos, chegam a conclusões distintas. A unidade da Igreja de Cristo não repousa sobre uniformidade de costumes, mas sobre a centralidade do Evangelho.
Todavia, é igualmente verdadeiro afirmar que cada comunidade de fé possui o direito e o dever de aplicar os princípios bíblicos segundo sua compreensão doutrinária, preservando sua identidade e seu testemunho diante da sociedade.
Sob esse prisma, a posição histórica da Assembleia de Deus revela-se não como simples tradicionalismo denominacional, mas como fruto de uma hermenêutica comprometida com a busca da santificação prática, da modéstia cristã e da fidelidade aos princípios permanentes das Escrituras Sagradas.
É justamente essa construção teológica que se é examinada, mediante análise exegética dos principais textos bíblicos, diálogo com a tradição pentecostal clássica e interação crítica com a produção acadêmica contemporânea sobre ética cristã e santificação. Deus vos abençoe abundantemente. Soli deo Gloria!
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas edificam.”
— 1 Coríntios 10:23 (ARC)
BIBLIOGRAFIA
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Revista Ensinador Cristão (CPAD).
Revista Lições Bíblicas Adultos (CPAD).
Revista Teológica da Faculdade Evangélica.
KOINONIA – Revista de Estudos Teológicos.
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Referencial Metodológico
Este estudo adota prioritariamente o método histórico-gramatical de interpretação das Escrituras, dialogando com a hermenêutica pentecostal clássica e com a tradição doutrinária das Assembleias de Deus, sem desconsiderar a contribuição da pesquisa acadêmica contemporânea na área da Teologia Bíblica, Teologia Sistemática, Ética Cristã e Eclesiologia.

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