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02/02/2026

“Entre Arte, Sincretismo e Fé Cristã: Uma Análise Teológica e Histórico-Religiosa à Luz da Liberdade Religiosa e da Constituição Brasileira”

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INTRODUÇÃO

A presente crítica propõe uma análise teológica e histórico-religiosa da letra musical em exame, sem qualquer intenção de desqualificar pessoas, crenças ou tradições religiosas, mas de exercer o direito constitucional à livre manifestação do pensamento, à liberdade acadêmica e ao discernimento religioso, garantidos pela ordem jurídica brasileira.

A Constituição da República Federativa do Brasil assegura, em seu art. 5º, inciso IV, que “é livre a manifestação do pensamento”, e, no art. 5º, inciso VI, que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos”. Tais garantias não conferem imunidade à crítica, mas antes protegem o pluralismo de ideias, permitindo que diferentes cosmovisões dialoguem, discordem e se avaliem mutuamente dentro dos limites do respeito e da legalidade.

Neste sentido, a análise aqui desenvolvida não se dirige contra religiões de matriz africana, espiritualistas ou quaisquer expressões culturais específicas, tampouco busca fomentar discriminação, preconceito ou intolerância. Ao contrário, reconhece-se plenamente o direito desses grupos à existência, à prática de seus cultos e à expressão de suas crenças, conforme igualmente protegido pelo texto constitucional.

Contudo, a mesma Constituição garante às tradições cristãs o direito de avaliar criticamente conteúdos artísticos ou religiosos à luz de sua própria fé, sobretudo quando tais conteúdos incorporam, reinterpretam ou ressignificam símbolos cristãos de maneira incompatível com a teologia bíblica histórica. Tal exercício crítico encontra respaldo não apenas no pluralismo religioso, mas também na liberdade de expressão intelectual, teológica e cultural.

Assim, esta crítica limita-se ao campo das ideias, examinando o conteúdo simbólico, teológico e histórico da letra musical, sem julgamento de pessoas, grupos ou manifestações culturais, reafirmando que discordância teológica não configura intolerância religiosa, mas é parte legítima do debate democrático, acadêmico e religioso em um Estado laico.

1. Considerações Iniciais

A letra apresentada não pode ser analisada apenas como poesia simbólica ou manifestação cultural neutra. Ela mobiliza imagens, termos, personagens e estruturas litúrgicas que dialogam diretamente com o imaginário religioso do espiritismo kardecista e, sobretudo, das religiões afro-brasileiras, como a Umbanda e o Candomblé. Trata-se, portanto, de uma composição sincrética, que mistura linguagem religiosa cristã com elementos estranhos à fé bíblica.

2. Análise Teológica (à luz das Escrituras)

2.1. O problema do sincretismo religioso

A Bíblia é absolutamente clara ao rejeitar qualquer mistura entre a revelação de Deus e práticas espirituais de outras matrizes religiosas:

Deuteronômio 18.10-12 condena práticas mediúnicas, invocações espirituais e ritos que envolvem comunicação com o mundo espiritual fora da revelação divina.

2 Coríntios 6.14-17 proíbe a comunhão espiritual entre a luz e as trevas, entre Cristo e Belial.

1 Coríntios 10.20-21 afirma que cultos que não são dirigidos ao Deus revelado em Cristo têm origem demoníaca, ainda que revestidos de linguagem religiosa.

A letra em questão constrói uma espiritualidade difusa, onde não há arrependimento, redenção, cruz, sangue, Cristo, pecado ou salvação. Em lugar disso, há acolhimento incondicional sem transformação, típico de uma teologia antropocêntrica e não bíblica.

2.2. A ideia de “aceitação sem arrependimento”

O refrão repete: “Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar. Com minhas roupas, minhas falhas, minhas brigas/birras”

Biblicamente, Deus recebe o pecador, mas não legitima o pecado:

Jesus diz: “Vai e não peques mais” (Jo 8.11).

A graça que salva é também a graça que ensina a renunciar à impiedade (Tt 2.11-12).

A letra promove uma espiritualidade de autoaceitação absoluta, sem ruptura moral, sem conversão e sem santificação, o que contradiz frontalmente o evangelho.

2.3. Personagens simbólicos: “Zé” e “Maria”

A estrofe: “Agora que o Zé entrou… Agora que a fé ganhou e a Maria sambou”

Aqui está um dos pontos mais sensíveis. “Zé”, no contexto religioso brasileiro, não é um nome neutro. Em tradições afro-religiosas, “Zé” é comumente associado a entidades espirituais e figuras típicas da Umbanda.

“Maria sambou, sua saia balançou” remete diretamente à iconografia e corporalidade ritual de entidades femininas (Pombagira, Iansã, entidades “femininas” do culto afro).

Não se trata de Maria bíblica (Lc 1–2), mulher humilde, serva do Senhor, jamais associada a dança ritualística, sensualidade ou performance espiritual.

* Aqui ocorre uma ressignificação religiosa consciente, onde símbolos cristãos são absorvidos e reinterpretados segundo outra cosmovisão espiritual.

2.4. “O Céu se abriu” e “o Céu coloriu”

Na Escritura, o “céu aberto” está ligado à iniciativa soberana de Deus:

No batismo de Jesus (Mt 3.16)

Na visão de Estevão (At 7.56)

Na revelação escatológica (Ap 4.1)

Na música, porém, o céu se abre em resposta a um rito humano, à dança, à ciranda, à performance corporal. Isso inverte a lógica bíblica e aproxima-se de uma teologia ritualista, onde o humano “ativa” o divino — concepção típica do espiritismo e de religiões mediúnicas.

3. Análise Histórico-Religiosa

3.1. Estrutura ritualística da letra

A música possui:

Repetições hipnóticas (“Auê”, “emolêbamemoê”)

Linguagem não semântica (glossolalia simulada)

Convite à dança circular (“ciranda da fé”)

Esses elementos são comuns a ritos de transe, não ao culto cristão histórico. O cristianismo primitivo sempre se caracterizou pela centralidade da Palavra, da doutrina e da consciência lúcida (1 Co 14.15).

3.2. Influência do espiritismo e das religiões afro-brasileiras

Historicamente, o espiritismo e a Umbanda no Brasil incorporaram:

Linguagem cristã (fé, céu, glória)

Personagens bíblicos ressignificados

Uma espiritualidade inclusiva sem exclusividade doutrinária

Essa letra segue exatamente essa lógica: não nega o cristianismo, mas o dilui, tornando-o apenas mais uma expressão religiosa dentro de um caldeirão espiritual plural.

4. Avaliação Final

Do ponto de vista teológico, a música é:

❌ Antibíblica

❌ Sincrética

❌ Cristologicamente ausente

❌ Soteriologicamente vazia

❌ Espiritualmente perigosa

Do ponto de vista histórico-religioso, ela:

✔️ Dialoga com práticas mediúnicas

✔️ Reinterpreta símbolos cristãos

✔️ Reflete a espiritualidade pós-moderna e relativista

✔️ Aproxima-se mais do espiritismo/umbanda do que do cristianismo bíblico

5. Conclusão Pastoral

Ainda que revestida de linguagem estética, inclusão emocional e “fé”, a letra não glorifica a Deus revelado nas Escrituras, mas promove uma espiritualidade alternativa, onde o centro não é Cristo, mas a experiência subjetiva e ritual.

“Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus” (1 João 4.1)

Trata-se, portanto, de uma tentativa de espiritualização artística com forte carga espírita, incompatível com a fé cristã histórica e com o evangelho de Jesus Cristo.


Ev. Paulo Nascimento
Ministro da COMADAL / UMADENE / CGADB
Formado em Administração, Teologia, Neuropsicopedagogia
Mestre em Ciência da Religião – Grego, Hebraico e Latim

*O conteúdo e as opiniões expressas são de inteira responsabilidade de seu autor.

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