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Artigos

Orisvaldo Wesley Nicácio de Lima
09/12/2025

AS QUATRO OPERAÇÕES MATEMÁTICAS E A IDENTIFICAÇÃO DE SEITAS: UMA ANÁLISE APOLOGÉTICA


ÁREAS DE INTERESSE: Apologética Cristã; Teologia Prática; Teologia Sistemática; Eclesiologia.


A história do cristianismo é marcada por desafios doutrinários. Ao longo dessa história, diversas heresias surgiram no meio cristão, e continuam a surgir, como desvios que comprometem a fé bíblica e a crença genuína em Cristo e sua mensagem, e, ao se consolidarem, frequentemente dão origem a seitas — grupos que 
acrescem ou reinterpretam a revelação divina à luz de suas próprias doutrinas exclusivistas, distorcendo e pervertendo a ortodoxa interpretação e prática da fé expressa nas Escrituras Sagradas.

Ao longo do transcurso da história da cristandade Igreja sempre enfrentou um gigante desafio: como apontar o que é 'fake news' espiritual, uma vez que as heresias, as heterodoxias e os desvios doutrinários e interpretativos em sua grande maioria não se manifestam desde sua origem como algo flagrantemente divergente ou heterodoxo

O problema é que o erro raramente aparece com "cara de mentira"; seus adeptos, defensores e propagadores preferem o fantasiar de verdade (as distorções do evangelho nunca se apresentam como realmente são, sempre se travestem de evangelho). O apóstolo Paulo já enfrentava tais problemas desde a gênese da igreja e alertava sobre isso quando escreveu aos gálatas (Gl.1.6-7). Ele percebeu que havia pessoas pregando uma mensagem que até usava o nome de Jesus, mas que, na prática, era um produto falsificado (heresia, distorção do evangelho genuíno). É como uma nota de cem reais muito bem impressa: por fora ela engana, mas não tem valor nenhum no banco. Paulo nos ensina que não basta a mensagem ser bonita ou parecer religiosa; se ela muda a essência do que Cristo fez, ela deixa de ser o Evangelho e vira uma armadilha. Para não sermos enganados, precisamos de um olhar atento, que consiga enxergar a diferença entre o que é o caminho de Deus e o que é apenas uma imitação perigosa."

Nesse contexto, a apologética cristã desempenha papel fundamental na defesa da fé genuína, identificando e refutando tais distorções. Acerca deste importante tema, o Pastor Natanael Rinaldi (1937-2016), um dos pioneiros da apologética evangélica brasileira e fundador do Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), desenvolveu uma didática metodologia pedagógica que se vale do conceito das quatro operações aritméticas — adição, subtração, multiplicação e divisão — para didaticamente nos demonstrar as características comuns às seitas.

Dedicando décadas ao estudo de seitas e movimentos religiosos, o pastor Rinaldi criou uma ferramenta que se tornou clássica no ensino apologético por sua simplicidade pedagógica. Essa didática abordagem  nos proporciona uma estrutura clara para reconhecer os desvios que afastam esses grupos da ortodoxia cristã, promovendo compreensão acessível de suas principais distorções doutrinárias.

O Que Define uma Seita? Precisão Conceitual

Antes de entendermos a proposta do pastor Rinaldi e aplicarmos as quatro operações na prática apologética, precisamos definir com precisão o que constitui uma seita. O termo não se aplica simplesmente a grupos com práticas diferentes ou interpretações teológicas menores. Uma seita é caracterizada por:

  • 1.  Negação de doutrinas essenciais do cristianismo histórico — como a divindade plena de Cristo, a Trindade, ou a salvação exclusiva pela graça mediante a fé.
  • 2.  Adição de autoridades extra-bíblicas — escritos, revelações ou líderes que rivalizam com a supremacia das Escrituras.
  • 3.  Reivindicação de exclusividade salvífica — a afirmação de que apenas sua organização possui a verdade completa e que salvação depende de filiação a ela.
  • 4.  Controle social e espiritual excessivo — manipulação de membros através de medo, culpa ou isolamento de questionamentos externos.

Essas características trabalham em conjunto, criando sistemas religiosos que, embora usem vocabulário cristão, distorcem fundamentalmente o evangelho de Jesus Cristo. Assim, o método apologético desenvolvido pelo ilustre pr. Natanael Rinaldi consistente no paralelo com as quatro operações matemáticas nos ajudam a identificar precisamente como essas distorções operam.


PRIMEIRA OPERAÇÃO: ADIÇÃO — A Introdução de Novas "Revelações"

Toda seita adiciona algo à Escritura Sagrada! Esse acréscimo pode ser explícito — como escritos declarados "inspirados" — ou funcional — quando interpretações humanas são tratadas como infalíveis. O resultado é sempre o mesmo: a suficiência das Escrituras (o princípio de que a Bíblia contém tudo necessário para fé e vida cristã) é violada.

Exemplos Clássicos Para a Adição:

  • Adventismo do Sétimo Dia: Embora oficialmente afirme a Bíblia como única regra de fé, na prática o adventismo trata os escritos de Ellen G. White com autoridade que frequentemente rivaliza com as Escrituras. Suas interpretações proféticas, orientações sobre saúde e compreensão do "juízo investigativo" são consideradas indispensáveis para compreensão plena da verdade. Quando a prática funcional de um grupo contradiz sua confissão oficial, devemos avaliar pela prática — e a prática adventista constitui adição.
  • Testemunhas de Jeová: A dependência das publicações da Torre de Vigia para interpretação bíblica é absoluta. Membros são desencorajados de ler a Bíblia sem a mediação dessas publicações. A organização se torna, na prática, autoridade interpretativa infalível — adição disfarçada de "auxílio à compreensão".
  • Mormonismo: O Livro de Mórmon, Doutrinas e Convênios, e Pérola de Grande Valor são declaradamente Escritura adicional, equiparada ou superior à Bíblia. Essa adição é explícita e descarada.
  • Catolicismo Romano: Historicamente, a Igreja Católica adicionou a tradição apostólica e o magistério papal como fontes de autoridade doutrinal equivalentes à Escritura. Dogmas como a Imaculada Conceição (1854) e a Assunção de Maria (1950) não possuem base bíblica explícita, sendo fundamentados primariamente na tradição eclesiástica.

O Problema Teológico:

Tais acréscimos violam advertências bíblicas diretas:

"Não acrescenteis à palavra que vos mando, nem diminuais dela." (Dt.4.2)

"Toda palavra de Deus é pura... Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso." (Pv.30.5-6)

"Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro." (Ap.22.18)

A Escritura se declara suficiente: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra." (2Tm.3.16-17)

Quando grupos adicionam revelações, estão implicitamente declarando que a Bíblia é insuficiente — que Deus não disse tudo o que precisávamos saber. Isso não é cristianismo; é outro evangelho.


SEGUNDA OPERAÇÃO: SUBTRAÇÃO — A Diminuição da Divindade de Cristo e das Doutrinas Essenciais

Se a primeira operação adiciona ao que Deus disse, a segunda remove o que Ele revelou. Seitas são caracterizadas por reduzir verdades fundamentais da fé cristã, especialmente aquelas relacionadas à pessoa de Cristo e à natureza de Deus.

A Divindade de Cristo: O Alvo Principal

A negação da divindade plena de Cristo é marca registrada de seitas! Essa heresia não é novidade — já no século IV, Ário argumentava que Jesus era criatura sublime, mas criatura ainda assim. Essa heresia antiga ressurge em múltiplas formas modernas:

Exemplos Clássicos Para a Subtração:

  • Testemunhas de Jeová: Ensinam que Jesus é o arcanjo Miguel, a primeira criação de Jeová, mas não Deus no sentido pleno. Sua tradução da Bíblia (Tradução do Novo Mundo) altera Jo.1.1 para dizer que Jesus era "um deus" — subtração explícita da divindade.
  • Adventismo: Embora oficialmente afirme a Trindade, historicamente o adventismo teve raízes semi-arianas, e essa ambiguidade persiste em alguns círculos. Mais problemático é o ensino sobre o "juízo investigativo", que efetivamente diminui a suficiência da obra de Cristo na cruz pondo em cheque a certeza da salvação no sacrifício de Cristo, dependendo esta ainda de um suposto “juízo investigativo”.
  • Unitarismo/Unicitários Pentecostais: Negam a Trindade, argumentando que Pai, Filho e Espírito são apenas "modos" ou "manifestações" do mesmo Deus — heresia conhecida como Modalismo (ou Sabelianismo, em referência a Sabélio, teólogo do século III que a propôs). Isso subtrai a distinção eterna e pessoal das três Pessoas da Trindade.

A Trindade: Uma Verdade Sob Ataque

A doutrina da Trindade — um Deus eternamente existente em três Pessoas distintas — é frequentemente atacada por seitas. Elas argumentam que o termo "Trindade" não aparece na Bíblia (verdade irrelevante; muitos conceitos bíblicos não têm rótulo único). Contudo, a realidade trinitária permeia as Escrituras:

"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." (Mt.28.19)

"A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós." (2Co.13.14)

Negar a Trindade é subtrair a revelação de Deus sobre Sua própria natureza.

O Espírito Santo: Reduzido a Força Impessoal

Testemunhas de Jeová tratam o Espírito Santo como "força ativa" de Deus, não como Pessoa divina. Isso ignora textos claros:

"Mas Pedro disse: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?... Não mentiste aos homens, mas a Deus." (At.5.3-4)

Forças impessoais não podem ser mentidas. O Espírito Santo é Deus, terceira Pessoa da Trindade.

Por Que Isso Importa?

A salvação depende de quem Jesus é. Ele mesmo advertiu: "Se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados." (Jo.8.24). Um Jesus diminuído não pode salvar. Um Deus que não é trinitário não é o Deus das Escrituras. Subtração doutrinária não é questão acadêmica — é questão de vida eterna.


TERCEIRA OPERAÇÃO: MULTIPLICAÇÃO — A Inclusão de Meios Extras para a Salvação

A doutrina da justificação pela graça mediante a fé — independente de obras — é o coração do evangelho protestante. Paulo é cristalino:

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." (Ef.2.8-9)

"Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei." (Rm.3.28)

Seitas multiplicam os meios necessários para salvação, adicionando exigências humanas ao sacrifício suficiente de Cristo! A fórmula se torna: Cristo + algo mais = salvação. Esse "algo mais" varia conforme a seita, mas o padrão é constante.

Exemplos Clássicos Para a Adição Multiplicação:

  • Catolicismo Romano: Historicamente, a teologia católica medieval condicionava salvação a sacramentos, penitências e obras meritórias. Embora o Concílio Vaticano II tenha suavizado a linguagem, a estrutura permanece: salvação requer participação sacramental mediada pela Igreja. A Reforma Protestante do século XVI confrontou precisamente essa distorção.
  • Adventismo do Sétimo Dia: Certos segmentos adventistas ensinam que guardar o sábado é "selo de Deus", implicando que observância sabática é necessária para salvação completa. Isso contradiz Cl.2.16-17: "Ninguém vos julgue... por causa de dias de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso é sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo."
  • Testemunhas de Jeová: A salvação é condicionada à fidelidade à "Organização de Jeová" (a Torre de Vigia). Membros desassociados — mesmo que mantenham fé em Cristo — são considerados perdidos. A organização se torna co-redentora.
  • Espiritismo Kardecista e Legião da Boa Vontade: Ensinam que salvação vem através de múltiplas reencarnações e evolução espiritual por meio de boas obras. Cristo é reduzido a exemplo moral, não Salvador substituto.

O Problema Central:

Multiplicar meios de salvação é, implicitamente, declarar que a obra de Cristo na cruz foi insuficiente. Quando Jesus exclamou "Está consumado!" (Jo.19.30), usou termo grego tetelestai — "está pago completamente". Não há pagamento parcial, não há complemento humano necessário.

Adicionar obras, rituais ou fidelidade organizacional é diluir o evangelho. Paulo foi severo com esse erro: "Mas, ainda que nós ou um anjo do céu pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema." (Gl.1.8)


QUARTA OPERAÇÃO: DIVISÃO — A Exclusividade Sectária e a Fragmentação da Lealdade

A quarta característica das seitas é o exclusivismo que divide a lealdade dos fiéis entre Deus e a estrutura organizacional humana. Isso se manifesta de múltiplas formas:

1. Reivindicação de Exclusividade Salvífica

Seitas afirmam ser o único caminho verdadeiro! Não se trata de defender doutrinas essenciais (o que é legítimo), mas de afirmar que salvação depende de pertencimento à sua organização específica.

Exemplos Clássicos Para a Divisão:

  • Testemunhas de Jeová: Ensinam que fora da "Organização de Jeová" não há salvação. A Torre de Vigia é apresentada como "arca" moderna — estar fora dela é perecer.
  • Mormonismo: Declara que é "a única igreja verdadeira e viva sobre a face de toda a terra" (Doutrina e Convênios 1:30). Salvação plena requer ordenanças mórmons realizadas em templos mórmons.
  • Catolicismo Romano: Embora tenha suavizado a linguagem pós-Vaticano II, historicamente afirmou "Extra Ecclesiam nulla salus" (Fora da Igreja não há salvação), onde "Igreja" significava exclusivamente a instituição católica romana.

2. Invalidação da Experiência Cristã Anterior

Muitas seitas exigem rebatismo ao ingressar, não por questões de validade teológica, mas como ritual de ruptura com o passado "falso" e entrada na comunidade "verdadeira". Isso divide o Corpo de Cristo, tratando outras comunidades cristãs como apóstatas ou ilegítimas.

3. Submissão Absoluta a Líderes Humanos

Seitas frequentemente exigem obediência inquestionável a líderes ou estruturas organizacionais, tratando-os como mediadores exclusivos da verdade divina.

Testemunhas de Jeová: Questionar o "Corpo Governante" é tratado como questionar a própria Jeová. Dissidência resulta em desassociação e ostracismo social completo.

Adventismo: Ellen White é tratada como profetisa infalível. Questionar seus escritos pode resultar em marginalização dentro da comunidade.

4. Fragmentação de Famílias e Relacionamentos

A consequência prática desse exclusivismo é a divisão. Famílias são fragmentadas quando membros são instruídos a evitar contato com "apóstatas" (qualquer um que deixe o grupo). Relacionamentos são condicionados à lealdade organizacional.

Jesus advertiu: "Não vim trazer paz, mas espada." (Mt.10.34). Contudo, a divisão que Ele menciona é entre aqueles que O seguem e aqueles que rejeitam — não entre cristãos genuínos e uma organização humana específica.

O Contraste com o Cristianismo Bíblico

O cristianismo verdadeiro reconhece que o Corpo de Cristo é maior que qualquer denominação. Há unidade essencial entre todos que confessam Jesus como Senhor, creem na Trindade, na salvação pela graça, e na autoridade das Escrituras. Diferenças secundárias (formas de governo eclesiástico, estilos litúrgicos, interpretações escatológicas) não dividem o Corpo.

Paulo escreveu: "Há um só corpo e um só Espírito... um só Senhor, uma só fé, um só batismo." (Ef.4.4-5). Seitas criam múltiplos "corpos", cada um reivindicando exclusividade.


APLICAÇÃO PRÁTICA: Como Usar as Quatro Operações em Cenários Reais

A metodologia de Rinaldi não é apenas exercício intelectual, é verdadeira e eficiente ferramenta prática para evangelismo, discernimento e proteção do rebanho. Vejamos como aplicá-la em situações concretas:

Cenário 1: Conversando com Testemunhas de Jeová

Quando testemunhas de Jeová batem à sua porta, você pode usar as quatro operações para expor gentilmente as inconsistências:

  • ADIÇÃO: "Vocês acreditam que as publicações da Torre de Vigia são tão inspiradas quanto a Bíblia? Se não, por que não podem estudar a Bíblia sem elas?"
  • SUBTRAÇÃO: "Em João 1:1, o texto grego diz que 'o Verbo era Deus'. Por que a Tradução do Novo Mundo altera para 'um deus'? Isso não contradiz o monoteísmo que vocês defendem?"
  • MULTIPLICAÇÃO: "Vocês ensinam que a salvação vem apenas pela fé em Jesus, ou também depende de fidelidade à Organização? O que acontece com alguém que crê em Cristo mas deixa a Torre de Vigia?"
  • DIVISÃO: "Vocês consideram outras igrejas cristãs como verdadeiras, ou apenas a de vocês? Se salvação depende da organização, o que aconteceu com cristãos dos primeiros 1.800 anos antes de Charles Taze Russell fundar seu movimento?"

Essas perguntas não visam "vencer" debates, mas plantar sementes de dúvida saudável que o Espírito Santo pode regar.

Cenário 2: Ajudando um Jovem Atraído pelo Adventismo

Um adolescente de sua igreja está sendo convidado para estudos bíblicos adventistas. Como protegê-lo?

  • ADIÇÃO: "Os adventistas dizem que Ellen White foi profetisa. Mas Apocalipse 22:18 adverte contra acrescentar à Palavra. Como Ellen White não é adição?"
  • SUBTRAÇÃO: "O ensino sobre 'juízo investigativo' sugere que a obra de Cristo não foi completa na cruz. Mas Jesus disse 'Está consumado!'. Como conciliar isso?"
  • MULTIPLICAÇÃO: "Adventistas ensinam que guardar o sábado é necessário para salvação completa? Isso não contradiz Efésios 2:8-9?"
  • DIVISÃO: "Eles consideram outras igrejas cristãs legítimas, ou só a deles tem a 'verdade presente'?"

Cenário 3: Dialogando com Familiar Católico

Seu tio católico questiona por que você deixou a "Igreja verdadeira". Como responder com amor e verdade?

  • ADIÇÃO: "Tio, a Bíblia ensina que tradições humanas não podem contradizer a Palavra de Deus (Marcos 7:8-9). Dogmas como Imaculada Conceição não têm base bíblica. Isso não é preocupante?"
  • SUBTRAÇÃO: "A missa ensina que Cristo é oferecido repetidamente. Mas Hebreus 10:10-12 diz que Ele se ofereceu 'uma vez por todas'. Como essas visões se harmonizam?"
  • MULTIPLICAÇÃO: "O catolicismo ensina que sacramentos, penitências e purgatório são necessários. Mas Paulo escreveu que somos justificados pela fé, independentemente de obras (Romanos 3:28). Qual visão está correta?"
  • DIVISÃO: "Quando a Igreja Católica diz 'fora da Igreja não há salvação', isso não divide o Corpo de Cristo e nega a suficiência da fé em Jesus?"

Cenário 4: Protegendo sua Comunidade

Como pastor ou líder, você pode usar as quatro operações para treinar sua congregação:

  • 1. Ensine a Doutrina Correta: A melhor defesa contra erro é conhecimento profundo da verdade. Pregue sobre suficiência das Escrituras, divindade de Cristo, salvação pela graça, e unidade do Corpo de Cristo.
  • 2. Conduza Estudos Apologéticos: Dedique aulas de escola dominical ou grupos de estudo para analisar seitas específicas usando as quatro operações.
  • 3. Equipe os Jovens: Adolescentes e jovens adultos são alvos primários de seitas. Ensine-os a pensar criticamente e defender a fé.
  • 4. Acolha Ex-Membros de Seitas: Pessoas que saem de seitas frequentemente carregam trauma espiritual. Ofereça discipulado pastoral que os ajude a reconstruir fé saudável.

Princípios para Diálogo Apologético Amoroso

Identificar seitas não é exercício de superioridade. É ferramenta para proteger ovelhas e resgatar perdidos. Ao dialogar:

1. Ouça antes de corrigir. Entenda por que a pessoa foi atraída. Seitas frequentemente oferecem comunidade, certeza e propósito — necessidades legítimas que a igreja deveria suprir.

2. Use perguntas, não apenas declarações. "Onde a Bíblia ensina isso?" é mais eficaz que "Você está errado!" Perguntas gentis fazem a pessoa pensar sem ativar defesas.

3. Ore consistentemente. Libertação de engano espiritual requer batalha espiritual. Paulo escreveu: "As armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas; anulando sofismas." (2 Coríntios 10:4-5)

4. Seja paciente. Desconversão leva tempo. Relacionamento é mais importante que "vencer" debate. Ame a pessoa, não apenas a vitória argumentativa.

5. Aponte para Cristo. O objetivo não é simplesmente tirar alguém de uma seita, mas levá-lo a Cristo. Apresente a beleza do evangelho, não apenas os erros da seita.


Defendendo a Fé Entregue aos Santos

As quatro operações matemáticas de Natanael Rinaldi oferecem ferramenta poderosa para identificar seitas. Quando um grupo adiciona revelações extras, subtrai verdades essenciais sobre Cristo, multiplica requisitos para salvação, e divide a lealdade dos fiéis, está operando como seita — não como expressão legítima do cristianismo bíblico.

Essa metodologia não é fim em si mesma. É meio para cumprir o mandato de Judas 3: "Amados, embora estivesse muito ansioso por vos escrever acerca da nossa comum salvação, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos."

Batalhar pela fé não é opcional. É dever de todo cristão — não apenas de apologistas profissionais. Você não precisa de diploma teológico para aplicar as quatro operações. Precisa apenas conhecer a Bíblia, amar a verdade e ter coragem de defendê-la.


Três Compromissos do cristão para com o evangelho:

1. Comprometa-se com a Suficiência das Escrituras. Rejeite toda adição. A Bíblia é completa, inerrante e suficiente. Quando grupos trazem "novas revelações", lembre-se: o cânon está fechado.

2. Comprometa-se com a Supremacia de Cristo. Defenda a plena divindade de Jesus. Ele não é criatura exaltada, profeta superior ou exemplo moral. É Deus encarnado, único mediador, Salvador suficiente.

3. Comprometa-se com o Evangelho da Graça. Salvação é pela graça mediante a fé, independentemente de obras. Qualquer adição — rituais, organizações, leis — é outro evangelho. E outro evangelho não é evangelho.

A igreja contemporânea enfrenta tsunami de engano espiritual. Seitas proliferam, heresias antigas ressurgem com novas roupagens, e falsos mestres multiplicam-se. Mas a verdade permanece. E cabe a nós, como guardiões da fé apostólica, equipar os santos para discernir entre verdade e erro.

Use as quatro operações. Ensine sua família. Equipe sua igreja. Dialogue com amor. E confie que o Espírito Santo, que guia a toda verdade (Jo.16.13), honrará sua fidelidade.


A fé que foi entregue aos santos não muda. Nossa responsabilidade de defendê-la também não.


⁸ Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.

⁹ Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

Gl.1.8.9

*O conteúdo e opinião expressas são de inteira responsabilidade de seu autor.
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