INTRODUÇÃO
- Na sequência deste bloco do trimestre, em que estamos a estudar as relações entre as Pessoas Divinas, analisaremos a relação entre o Filho e o Espírito Santo.
-“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”
- Além do seu testemunho em nosso espírito, o Espírito Santo age no íntimo de nosso ser intercedendo, edificando e produzindo o seu fruto.
— Rm 1.9 - Servindo a Deus no espírito
— 2Co 7.13 - Recebendo refrigério no espírito
— 1Co 6.17 - Um mesmo espírito com o Senhor
— 1Co 6.20 - Glorificando a Deus no espírito
— 1Co 14.14 - Línguas estranhas: o espírito ora bem
— Ef 3.16 - Fortalecidos pelo Espírito no homem interior
- O Filho também enviou o Espírito Santo.
I – O ENVIO DO ESPÍRITO SANTO
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, neste bloco dedicado à análise das relações entre as Pessoas Divinas, debruçar-nos-emos sobre as relações entre o Filho e o Espírito Santo.
- A primeira questão que se discutirá é se o Espírito Santo foi também enviado pelo Filho, que é a questão conhecida em teologia como “Filioque”, expressão latina que significa “e o Filho”.
- No Primeiro Concílio de Constantinopla, em 381, que foi convocado para enfrentar o “macedonianismo”, heresia ensinada por Macedônio I, bispo de Constantinopla de 342 até 346 e, depois, de 351 até 360, cujas datas de nascimento e morte são desconhecidas, que negava a divindade do Espírito Santo, chegou-se à conclusão, com base nas Escrituras, que o Espírito Santo era Deus.
- Assim, foi alterado o Credo, um resumo das principais crenças cristãs, que havia sido elaborado no Primeiro Concílio de Niceia, em 325, que ficou conhecido como “Credo Niceno”, a fim de que ficasse clara a divindade do Espírito Santo, já que, no Credo aprovado em Niceia, se tinha apenas a frase: “E também no Espírito Santo” (DFAD 2.ed.. Apêndice. Os Credos Ecumênicos, p.210).
- Na fórmula aprovada no Primeiro Concílio de Constantinopla, teve-se a seguinte redação: “E no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o que falou por meio dos profetas;” (DFAD 2.ed. Apêndice. Os Credos Ecumênicos, p.211).
- Diante desta redação, ficava bem clara a divindade do Espírito Santo, pois Ele é chamado “Senhor”, bem como que Ele é adorado e glorificado assim como o Pai e o Filho, ou seja, é estabelecida, sem qualquer margem de dúvida, a coigualdade entre o Espírito Santo e as demais Pessoas Divinas.
- Nesta redação, ainda, é explicitado que o Espírito Santo atuou, primeiramente, por meio dos profetas, invocando-se, aqui, nitidamente, o texto de Hb.1:1, segundo o qual Deus primeiramente Se revelou pelos profetas e, por fim, por meio do Filho.
- Esta invocação do texto de Hb.1:1 também deixa claro que, no texto aprovado, se entendia que o Espírito Santo fora enviado pelo Pai, tanto que os profetas falaram pelo Espírito, o que está de acordo com outros textos como Mc.12:36; Lc.2:26; I Pe.1:12 e II Pe.1:21.
- O Espírito Santo, então, teria sido enviado pelo Pai, e falou por meio dos profetas, até que, então, veio o Filho, igualmente enviado pelo Pai.
- Quando o Senhor Jesus voltou ao céu, pediu ao Pai que mandasse o Espírito Santo (Jo.14:16), e Seu pedido foi atendido, tanto que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes (At.2:4), daí porque ter Cristo chamado o revestimento de poder (At.1:8), o batismo com o Espírito Santo (At.1:1:5), de promessa do Pai (Lc.24:49; At.1:4).
- Assim, tinha-se, pelo que se verifica, a ideia de que o Espírito Santo procedia do Pai, assim como o Filho.
- O Pai era a Primeira Pessoa da Trindade porque enviou as outras duas Pessoas Divinas, mas não foi enviado por nenhuma delas, ou, como afirmou, de modo muito feliz, o Catecismo Maior de Pio X: “25) Por que o Pai é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade? O Pai é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, porque não procede de outra Pessoa, mas é o princípio das duas outras Pessoas, que são o Filho e o Espírito Santo.”
- O Filho procedia do Pai por “eterna geração” (Sl.2:7; At.13:33; Hb.1:5; 5:5), enquanto o Espírito Santo, por “aspiração” ou “espiração” (Jo.14:26; 15:26).
- A “eterna geração”, que não se confunde com criação, é a escolha do Filho como sendo Aquele que realizaria a obra salvífica, fazendo-Se homem e morrendo pelos pecadores, oferecendo a Si mesmo como sacrifício perfeito para redenção da humanidade. Desde a eternidade, Ele foi escolhido para ser o Cordeiro que tiraria o pecado do mundo (I Pe.1:18-20; Ap.13:8)
II. A OBRA INICIAL DO ESPÍRITO
1. A ação do Espírito Santo começa em nossa consciência, despertando-a da culpa pelo pecado, e apontando a necessidade de perdão.
- Jesus falou sobre essa obra de convencimento: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8). - Ainda no espírito humano, o Espírito de Deus remove a incredulidade, produzindo fé mediante a Palavra (Rm 10.17; Ef 2.8), o que também atinge as faculdades da alma (Rm 10.9,10).
-Opera-se, então, a regeneração, o nascimento “da água e do Espírito” (Jo 3.5). O espírito que estava “morto” (separado de Deus) é vivificado; recebe uma nova vida, vinda de Deus (Ef 2.1). Esse novo homem, o homem espiritual, obtém uma mente renovada e passa a viver guiado pelo Espírito de Deus. Assim, a pessoa que ainda não foi transformada por Deus, ou seja, o homem natural, não consegue entender as coisas que vêm do Espírito de Deus. Para ela, essas coisas parecem sem sentido, como se fossem loucura. Isso acontece porque só é possível compreender essas verdades por meio da ação do Espírito (1Co 2.14,15).
2. A pedagogia do Espírito. A regeneração é o início de uma nova dimensão de vida. Uma nova vida, agora espiritual, em comunhão com o Espírito de Deus: “Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1Co 2.12).
- Paulo refere-se ao papel pedagógico do Espírito, que nos ensina as coisas espirituais (2.13), como Jesus havia prometido: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26). - Portanto, não podemos nos conformar com uma mente carnal, que pensa conforme os padrões deste mundo, cheio de vozes iníquas que querem nos influenciar, como filosofias, ideologias e “novas” teologias (Cl 2.8).
3. A renovação da mente. Devemos viver em constante contato com o Espírito de Deus, para que, com uma mente sempre renovada, desfrutemos da sabedoria divina, imprescindível para nosso viver diário (Rm 12.2).
- Para isso, é fundamental uma vida de consagração total (Rm 12.1), da qual fazem parte a oração e a leitura das Escrituras, disciplinas espirituais (Tg 1.5,6;
- Não há área de nossa vida acerca da qual o Espírito não tenha uma segura direção.
- Ele pode nos guiar em toda a verdade (Jo 16.13). Ouçamos o Espírito!
4. Quando tiramos tempo para ouvir o Espírito, Ele fala de muitas maneiras ao íntimo de nosso ser: traz sabedoria e revelação (Ef 1.17), esclarece questões duvidosas (At 15.28) e gera entendimento e paz (Rm 8.14). Ele — o Espírito de Deus — ilumina os olhos do nosso coração (Ef 1.18). Nesse texto, coração (kardia) significa “homem interior”.
- Portanto, a expressão de Paulo contempla o espírito humano, que, entrelaçado com a alma e inseparável dela, são esses “olhos” — o centro da percepção espiritual — através dos quais recebemos iluminação do Espírito para compreendermos as verdades divinas, fundamentais para esta vida e para a vida eterna: “para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” (Ef 1.18).
“O Espírito Santo desperta a consciência, gera fé e renova a mente, ensinando e guiando o crente para uma vida espiritual”.
-O testemunho interior do Espírito. A palavra grega huiothesia significa literalmente “colocar como filho”. Na cultura romana, o filho adotado recebia os mesmos direitos de herança que um filho natural. Assim, em Cristo não somos apenas perdoados; somos recebidos na família de Deus. O Espírito Santo confirma interiormente nossa filiação: “O Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16); “O Espírito clama: “Aba, Pai” (Gl 4.6); “Deus nos selou e nos deu o Espírito no coração” (2Co 1.22); “Fomos selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1.13); e, “Sabemos que estamos nele porque nos deu do seu Espírito” (1Jo 4.13). A palavra “Abba” era usada por Jesus em sua oração ao Pai (Mc 14.36). Ela expressa intimidade e confiança. O mesmo Espírito que estava em Cristo agora habita no interior do crente (Rm 8.9-11).
-Da escuridão espiritual para a luz de Deus. A ação do Espírito também nos tira das trevas espirituais. Assim, quem antes vivia na ignorância espiritual agora vive guiado pelo Espírito Santo: “Antes éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5.8); “Chamados das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9); “O Espírito guia em toda a verdade” (Jo 16.13); e, “Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1.27).
- O Espírito Santo como presença permanente na vida do crente. Além de libertar do pecado e confirmar a filiação, o Espírito Santo também habita permanentemente no crente, tornando-se a presença contínua de Deus em sua vida. Essa habitação é uma promessa do próprio Senhor Jesus (Jo 14.16). -A presença do Espírito Santo marca uma nova realidade espiritual. No Antigo Testamento, o Espírito vinha sobre algumas pessoas para tarefas específicas (Jz 6.34; 1Sm 10.10), mas na Nova Aliança Ele habita permanentemente no interior do salvo (Jo 14.17). Paulo afirma que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Portanto, a habitação do Espírito é a evidência da nova vida em Cristo.
III – O ESPÍRITO SANTO GUIA OS FILHOS DO PAI
-Os filhos de Deus são guiados pelo Espírito. O apóstolo Paulo declara: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14). Essa direção ocorre de várias maneiras: Pela Palavra de Deus (Sl 119.105; Jo 17.17); pela orientação interior do Espírito Santo (Jo 16.13); pela renovação da mente (Rm 12.2); e pela comunhão com Deus (Gl 5.25).
- O Espírito capacita a vencer a carne. A vida cristã envolve uma batalha espiritual entre a carne e o Espírito (Gl 5.17). Paulo ensina: “Pelo Espírito mortificamos as obras do corpo” (Rm 8.13); “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5.16); “Os que são de Cristo crucificaram a carne” (Gl 5.24); “Mortificai os membros que estão sobre a terra” (Cl 3.5); e, “A vontade de Deus é a nossa santificação” (1Ts 4.3). O Espírito Santo não apenas revela o pecado; Ele também nos dá poder para vencê-lo (Rm 6.14; Fp 2.13).
- CONCLUSÃO: A Obra do Espirito culmina com a santificação que é a transformação progressiva do crente. Somos transformados pelo Espírito (2Co 3.18). Temos o fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Pedro diz: “Sede santos em todo o vosso procedimento” (1Pe 1.15-16). O escritor aos Hebreus disse: “Segui a santificação” (Hb 12.14). Assim, o Espírito forma em nós o caráter de Cristo (Rm 8.29). O Pai planejou a salvação.
O Filho realizou a salvação. O Espírito Santo aplicou e aplica a salvação. Assim Adoremos a Deus agradecidos pelo envio do Espírito Santo.(João 16:13,14)
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