INTRODUÇÃO:
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, analisaremos Deus, o Filho como o Verbo de Deus.
- Jesus é o Verbo de Deus
I – JESUS, COMO VERBO DIVINO
- Na lição anterior, vimos que as Escrituras mostram claramente que Deus, o Filho é Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
- Jesus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, assim considerada porque, na feliz expressão do Catecismo Maior de Pio X, na resposta à pergunta nº 71, “…é gerada pelo Pai por via de inteligência, desde toda a eternidade…” e, como diz o mencionado documento, “…por isso é também chamada Verbo eterno do Pai.…”
- O texto principal a respeito da deidade de Cristo é o início do evangelho segundo João, em que o “discípulo amado”, inspirado pelo Espírito Santo, mostra-nos com clarividência a natureza divina do Senhor Jesus.
- Neste texto, Jesus é apresentado como o “Verbo”, palavra que traduz, na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra grega “Logos” (λόγος).
- O uso desta palavra pelo apóstolo tem trazido muitas discussões ao longo dos séculos, porque se trata de um termo que, na filosofia grega, tinha um significado todo especial, significado este, aliás, que havia sido como que “adaptado” ao judaísmo por um contemporâneo de Cristo, o filósofo judeu Filo (25 a.C.-±50 d.C.), natural de Alexandria e que se tornou o maior comentarista do texto grego do Antigo Testamento (a Septuaginta).
- Como o texto do evangelho segundo escreveu João é de cerca do ano 100 d.C., muitos discutem da possibilidade de João, um típico judeu palestino, ter tido acesso a tais comentários e, com esta expressão, ter querido expressar tudo o que o termo “Logos” significava no pensamento helenístico (ou seja, o pensamento dominante nos dias apostólicos, resultante da fusão entre o pensamento oriental e o pensamento grego).
- Entendemos que o termo “logos” traduz, sim, toda a riqueza do pensamento helenístico, pois o objetivo do Espírito Santo, ao inspirar o evangelista para escrever este Evangelho, foi mostrar a todos, judeus e gentios, que Jesus é Deus e que se poderia crer n’Ele como o Salvador (Jo.20:31).
- Não é por acaso que, ao longo dos séculos, notadamente após a Reforma Protestante, que milhares e milhares de vidas têm se convertido ao ler o evangelho segundo João, um dos mais poderosos instrumentos de evangelização da Igreja.
OBS: “…Qualquer pessoa que leia os conceitos (…) sobre a natureza do Logos, poderá perceber, de imediato, que o conceito do evangelho de João sobre o ‘Logos” realmente tem muitos elementos similares e que, na realidade, o autor desse evangelho se aproveitou de uma ideia corrente e bem conhecida no mundo helenista, a fim de expressar uma profunda verdade concernente à pessoa do Cristo encarnado. Que essa doutrina não foi criada no vácuo, e que não era inteiramente original a João (embora em seus escritos existam elementos diferentes), é fato que não deve causar surpresa a quem quer que seja, e nem deve esse fator ser considerado como algo que labora contra a veracidade dessa doutrina bíblica…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Logos (Verbo). In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3, p.900).
- Pois bem, qual é o significado de “Logos” para os gregos, para o pensamento helenístico, enfim, para a filosofia? “Logos” é uma palavra que tem duplo significado: discurso e razão. “Logos” tanto significa “discurso” ou “palavra”, como também, tem o significado de “razão”, “pensamento”, “raciocínio”.
- Assim, para os gregos, “logos” é uma palavra que tanto nos remete para a linguagem, para a comunicação, como também para a razão, para o pensamento. Ao dizer que Jesus é o “Logos”, portanto, estamos afirmando que, a um só tempo, Jesus é a Palavra, a comunicação que Deus faz de Si mesmo, como também que é Ele a razão, o pensamento, a inteligência que tudo sustenta, que tudo ordena, que tudo organiza.
- Os filósofos estoicos (At.17:18) recuperaram esta ideia do mundo como uma constante mudança que havia em Heráclito e entenderam que o “Logos” é o princípio que animava o universo, a própria essência do mundo, que se encontrava em cada ser humano como princípio racional.
- “Logos”, aliás, desde Sócrates, tinha deixado de significar apenas “palavra”, “conversa”, para ter o significado de “razão”, de entendimento de algo (470-399 a.C.).
OBS: “…A ideia do Logos reapareceu no estoicismo, onde se tornou um virtual sinônimo de Deus. Os estoicos, porém, não concebiam um Deus pessoal. O Logos, para eles, era um poder cósmico impessoal que se emanaria e se recolheria de novo, em grandes ciclos, criando tudo e, então, anulando tudo, mediante a reabsorção em si mesmo.(…). O Logos existente na razão (racionalidade), dentro da psiquê humana é a força divina em operação. Essa racionalidade (no latim, ratio) torna-se palavra (no latim, oratio) nos lábios humanos, de tal modo que os homens podem falar sabedoria.…” (CHAMPLIN, Russell Norman. op. cit., pp.901-2).
II - A NATUREZA DA ENCARNAÇÃO DO VERBO
-(Gl 4.4b). Para realizar a missão, o Filho eterno se fez homem -(Jo 1.14). A encarnação era indispensável: “Nascido de mulher” garante Sua plena humanidade; Ele se tornou um de nós em tudo (Hb 2.17), exceto no pecado (Hb 4.15), para poder ser nosso representante legal e Sumo Sacerdote compassivo (Hb 2.18). “Nascido sob a lei” garante Sua obediência perfeita; Ele se submeteu e cumpriu toda a Lei em nosso lugar (Mt 5.17), algo que éramos incapazes de fazer (Rm 8.3). Myer Pearlman, em sua clássica obra, destaca a importância dessa dupla natureza: “Da mesma forma como ‘filho do homem’ significa um nascido do homem, assim também ‘Filho de Deus’ significa um nascido de Deus. Por isso dizemos que esse título proclama a Deidade de Cristo” (Pearlman, 2006, p. 115).
A obra redentora de Cristo não apenas resolve o problema do pecado (Cl 2.13-14), mas também nos concede uma nova posição e identidade diante de Deus. Deixamos de ser “filhos da ira” (Ef 2.3) e estranhos às alianças da promessa (Ef 2.12) para sermos feitos “filhos de Deus” (Jo 1.12). Essa transformação é tão profunda que as Escrituras a descrevem como uma “nova criação” (2Co 5.17). Essa nova vida é caracterizada por etapas de desenvolvimento: Regeneração espiritual, Plenitude do espírito, Maturidade espiritual e Dedicação ao Senhor no seu trabalho (Gilberto et al., 2008, p. 335). Essa nova identidade precisa ser evidenciada com um relacionamento de intimidade com o Pai, garantido pelo sacrifício do Filho e selado pelo Espírito Santo (Ef 1.13-14), que testifica em nosso coração sobre nossa nova condição (Rm 8.16).
III - AS BENÇÃOS DA ENCARNAÇÃO DE JESUS
1-A ADOÇÃO(Gl 4.5). O fruto da missão de Cristo é duplo: redenção e adoção. A redenção nos liberta, pagando o preço da nossa dívida com o pecado (1Pe 1.18, 19). A adoção, por sua vez, nos eleva, dando-nos uma nova posição (Rm 8.15). Não somos apenas ex-escravos perdoados; somos feitos filhos de Deus. Como nossa Declaração de Fé ensina, a salvação inclui a “regeneração, santificação e glorificação” (Soares [Org.], 2017, p.64), um processo completo que muda nossa natureza e nosso destino.
2-A FILIAÇÃO(Gl 4.6). A prova de que essa adoção é real em nossa vida é a presença do Espírito Santo (Jo 14.17). É Ele quem nos dá a ousadia e a intimidade para clamar “Aba, Pai” (Rm 8.15). Este não é um título formal, mas a expressão de um relacionamento filial e de profunda confiança. O dicionário Wycliffe define o fruto do Espírito como “os hábitos e princípios misericordiosos que o Espírito Santo produz em cada cristão (GI 5.22,23; Ef 5.9)” (Pfeiffer et al., 2007, p. 824). A presença desse fruto (Gl 5.22-23) e desse clamor em nosso coração é o testemunho interior de que a missão do Filho nos alcançou.
CONCLUSÃO:
-A encarnação constitui o acontecimento central da história da salvação do homem em Cristo. O termo “carne” expressa o homem em sua debilidade, fragilidade.
-Em João a fé na encarnação é critério de ortodoxia, contra os unitarianos e docetistas (que negam a realidade da humanidade de Cristo), e de autêntica comunhão, adoração e propagação do Evangelho de Cristo(Jo 3:16). Amém.
O conteúdo e as opiniões expressas são de inteira responsabilidade de seu autor.

Interaja com o Portal AD Alagoas e envie sugestões de matérias, tire suas dúvidas, e faça parte do nosso conteúdo.
participe »Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Templo Sede
Av. Moreira e Silva, nº 406, Farol
Horário de Cultos
Aos Domingos 09:00h - Escola Dominical
Aos Domingos 18:30h - Culto Evangelístico
As Terças-feiras 18:30h - Culto de Doutrina
As Quarta-feiras 10:00h as 17hs - Círculo de Oração
As Sextas-feiras 18:30h - Culto de Oração