Introdução:
- Nesta lição, estudaremos a doutrina bíblica sobre o Deus Filho, revelada de modo marcante no episódio da transfiguração. Com base nos relatos de Lucas 1.31-35 e Mateus 17.1-8, veremos como Jesus, a segunda Pessoa da Trindade, é plenamente Deus, centro da revelação divina e único mediador entre Deus e os homens. Destacaremos sua divindade, suas Duas Naturezas, compreendendo o impacto dessa verdade para a fé e a vida cristã.
I) Explicar a concepção virginal e a deidade absoluta de Jesus;
II) Mostrar a centralidade de Cristo como cumprimento da Lei e dos Profetas;
III) Enfatizar a exclusividade de Cristo como único mediador e salvador.
- Já esteve diante de algo tão grandioso que mudou a forma como você enxerga tudo?
- A transfiguração foi essa experiência para Pedro, Tiago e João. Ao verem a glória de Cristo, compreenderam que Ele não é apenas mais um enviado de Deus, mas o próprio Deus Filho encarnado. Essa revelação nos chama a viver com os olhos fixos nEle e a ouvi-Lo acima de todas as outras vozes.
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, analisaremos Deus, o Filho. A doutrina cristã afirma a divindade de Jesus.
I – A DIVINDADE DE JESUS, ELE É DEUS.
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, depois de termos estudado a Primeira Pessoa Divina, o Pai, daremos início ao segundo bloco do trimestre, meditando sobre a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho.
- Por primeiro, cumpre observar que o título da lição é “Deus Filho”, expressão que foi utilizada tanto na Confissão de Augsburgo, “…confissão de fé dos luteranos [foi] preparada por Felipe Melanchton, auxiliar de Lutero em 1530.…” (SILVA, Esequias Soares da. Credos e confissões de fé: breve histórico do Cristianismo. Recife: Bereia, 2013, p.152) como no Catecismo Menor de Martinho Lutero, para designar a Primeira Pessoa da Trindade.
- Entretanto, quando da elaboração da Declaração de Fé das Assembleias de Deus em 2017, foi proposta a mudança do título do item 5 do capítulo III (p.43), que seria precisamente “Deus Filho” para “O Filho é Deus”, a fim de que não se desse margem para que se pudesse entender que se adotava a ideia do “triteísmo”, ou seja, de que há “três deuses”, proposta que foi acolhida.
- Assim, fiel a esta orientação adotada na primeira edição da Declaração de Fé das Assembleias de Deus e, num tema tão delicado e difícil como é a Doutrina da Trindade, evitaremos o uso da expressão “Deus Filho”.
- O fato de chamarmos o Pai de Primeira Pessoa da Santíssima Trindade em absoluto significa que o Pai tenha alguma prioridade ou superioridade em relação ao Filho ou ao Espírito Santo.
- Na verdade, ante as funções de cada Pessoa Divina nas ações do único e verdadeiro Deus (Dt.6:6; Mc.12:29; Jo.17:3), temos a menção, em primeiro lugar, da Pessoa do Pai, como, por exemplo, na fórmula batismal (Mt.28:19) sem se falar que, logicamente, as funções do Pai são as iniciadoras de todas as ações, como a proclamação das palavras na Criação e o planejamento na Redenção.
- Daí, porque, tradicionalmente, se Lhe tenha sido dado o epíteto de “Primeira Pessoa da Santíssima Trindade”, sendo oportuna a explicação dada no Catecismo Maior de Pio X: “25) Por que o Pai é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade? O Pai é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, porque não procede de outra Pessoa, mas é o princípio das duas outras Pessoas, que são o Filho e o Espírito Santo.”, o que nos evoca, aqui, a Confissão de Fé de Westminster que diz que “…“…o Pai não é de ninguém: não é gerado nem procedente…” (Cap. 2.3).
- Daí porque o Filho ser, por estes mesmos motivos, chamado de “Segunda Pessoa da Santíssima Trindade”, uma vez que, como explica a Confissão de Fé de Westminster, ”…o Filho é eternamente gerado do Pai…” (Capítulo 2.3) e, bem por isso, é chamado de Filho, em mais uma feliz explicação do Catecismo Maior de Pio X: “71) Por que a segunda Pessoa é chamada Filho? A segunda Pessoa é chamada Filho porque é gerada pelo Pai por via de inteligência, desde toda a eternidade; e por isso é também chamada Verbo eterno do Pai.…”.
- A doutrina cristã afirma a divindade de Jesus e esta é a nota distintiva e característica do Cristianismo, pois nenhuma outra religião reconhece Jesus como Deus.
- É, também, algo que se infere da revelação que o Pai deu a Pedro em Cesareia de Filipe, na qual o Senhor Jesus foi identificado como “o Filho do Deus vivo” (Mt.16:16).
- A primeira informação que as Escrituras nos trazem a respeito de Jesus é a de que Ele é Deus, é uma das Pessoas Divinas, o Filho.
- O apóstolo João, ao escrever o seu evangelho, deixa-nos isto bem claro ao afirmar que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo.1:1), numa afirmação tão clarividente que tem, mesmo, tirado o sono de todos quantos procuram negar esta verdade bíblica, como é o caso das Testemunhas de Jeová.
- Para que não houvesse qualquer dúvida de quem era este Verbo a que João se referia, o próprio evangelista no-lo diz no versículo 14 deste mesmo capítulo: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.
- Esta pequena amostra do que dizem as Escrituras a respeito da divindade de Cristo é já uma prova de que não é verdade a afirmativa que muitos fazem de que Jesus somente foi reconhecido como Deus pelos cristãos no Concílio de Niceia, reunião promovida pelas lideranças cristãs no ano de 325, logo após o término das perseguições romanas contra a Igreja, ocasião em que se produziu a declaração histórica de que “Jesus Cristo é o Filho de Deus, gerado da substância do Pai, gerado, não feito, consubstancial ao Pai.”
- Tal declaração não foi uma invenção daquele concílio, mas, sim, tão somente uma expressão do que já se cria desde o início da igreja, desde a igreja primitiva e que tinha sido alvo de questionamento por parte do presbítero Ário, de Alexandria, que passara a ensinar que Jesus não era Deus.
II – O DEUS FILHO EM DUAS NATUREZAS
firmação correta da plena divindade de Cristo, bem como de sua plena humanidade, tem implicações soteriológicas fundamentais. Cristo é plenamente Deus e plenamente homem. A doutrina da união “hipostática” é definida pela existência de Cristo em duas naturezas, divina e humana, que não se fundem nem se alteram; por outro lado, não se separam e nem se dividem, compondo e estabelecendo uma só pessoa e uma só “subsistência” eternamente (Grudem, 1999, p. 454). Em suma, isso quer dizer que Cristo é plenamente divino e totalmente humano para todo o sempre, visto que Cristo, mesmo agora, na eternidade, possui um corpo humano (At 1.11; Ap 5.6). “[...] embora distintas, cada Pessoa da Trindade partilha a essência divina numa união perfeita e indivisível” (Barreto, 2025, p. 107). Vejamos:
1- A concepção virginal ressalta a união hipostática. Jesus é plenamente Deus e plenamente homem, sem confusão de naturezas. Por sua geração única, Ele é o Filho “Unigênito” do Pai (Jo 1.14,18; 3.16,18). A expressão unigênito “monogenes” é composta por dois vocábulos: “monos” [único, sozinho]; e “genos” [tipo, espécie, classe]. A junção desses termos significa “único em sua espécie”; “sem igual”; “singular” ou “exclusivo”. Desse modo, Jesus é único do seu tipo, o Filho singular em sua espécie, não criado, mas eterno, de natureza divina e com uma relação exclusiva com o Deus Pai (Baptista, 2025, p. 55, grifo nosso)
2- Jesus é plenamente Deus. Há abundante relato bíblico afirmando a divindade de Cristo. Jesus é apresentado na Escritura como sendo preexistente (Jo 1.3; 1Co 15.47), qualidade logicamente restrita à Deidade. O Senhor também manifestou, mesmo em sua primeira vinda, todos os atributos chamados incomunicáveis, logicamente pertencentes somente a Deus (Jo 5.17; Jo 17.5; Hb 13.8; Mt 18.20; Jo 2.23;). Do fato de Cristo ter, ele mesmo, perdoado pecados (Mt 9.2), aceitado adoração (Jo 13.13), exercido poder sobre demônios e realizado milagres e sinais (Jo 5.21), além de ter declarado explicitamente sua divindade (Jo 10.30), depreende-se também a realidade de sua natureza divina.
3- Jesus é plenamente homem. Tal como a Escritura declara nitidamente a divindade de Cristo, aponta também sua plena humanidade. Esta humanidade pode ser vista no fato de que Cristo chamava a si mesmo por nomes que designam humanidade (Lc 19.10), e foi assim chamado por seus apóstolos (1Tm 2.5). Como homem, Cristo esteve sujeito às limitações condizentes ao ser humano: sentiu fome, sede, se cansou, chorou etc. (Mt 4.2; Jo 19.28; 4.6; 11.35). Cristo também possuía e possui uma natureza humana completa, isto é, ele não tinha (ou tem) apenas um corpo humano (Lc 2.52), mas também alma e espírito humanos (Mt 26.38; Lc 23.46). Em suma, Cristo, desde sua encarnação, é um ser humano completo. Em Cristo, Deus se fez homem e, novamente, se assim não fosse, não poderia redimir a humanidade. Quem recebeu a promessa de morte não foi o corpo de um ser humano, mas um homem completo, com sua constituição material e imaterial.
CONCLUSÃO: Reconhecer Jesus como Deus Filho é central para a fé cristã. Ele é o Verbo eterno feito carne, a revelação suprema do Pai e o único que pode reconciliar o homem com Deus. Por isso, devemos adorá-Lo, obedecê-Lo e anunciá-Lo como o único caminho de salvação. Negar sua divindade ou relativizar sua voz é distorcer o Evangelho e perder a essência da vida cristã.
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