Comentário pra o fim de semana com o Pr. Jairo Teixeira Rodrigues.
Texto: ( Mateus 3.13-17.)
Introdução: A doutrina da Trindade é central à fé cristã: um só Deus em três Pessoas que coexistem e atuam harmoniosamente na Obra da Redenção.
Neste trimestre, estudaremos a doutrina bíblica da Trindade. Na presente lição, com base na revelação do batismo de Jesus, compreenderemos como o Pai, o Filho e o Espírito Santo coexistem em perfeita unidade e atuam conjuntamente na obra da salvação.
Analisaremos a distinção e a unidade das Pessoas divinas e veremos a relevância dessa verdade para a fé e a vida cristã. Para nos auxiliar nesta tarefa, contaremos com o pastor Douglas Baptista, comentarista da lição, líder da Assembleia de Deus Missão no Distrito Federal, presidente do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e vice-presidente da Rede Assembleiana de Ensino (RAE). Teólogo, mestre em Ciências da Religião, doutor em Teologia e pós-doutor em Educação, é autor de diversas obras publicadas pela CPAD.
Você já participou de uma tarefa em equipe em que todos trabalhavam de forma perfeita e harmoniosa?
A Trindade é um exemplo eterno de unidade e cooperação: três Pessoas distintas, mas um único Deus.
Ao estudarmos esta doutrina, veremos como o Pai, o Filho e o Espírito Santo atuam juntos na criação, na redenção e na santificação.
O batismo de Jesus retrata um dos momentos da revelação divina sobre a natureza trinitária de Deus. Nele, de maneira simultânea, as três Pessoas da Trindade se manifestam: o Filho é batizado, o Espírito Santo desce como pomba e o Pai fala dos céus. O episódio fornece uma base sólida para a doutrina da Trindade. Nesta lição, vamos abordar o mistério da Trindade sob três aspectos: a revelação no batismo de Jesus, a distinção e unidade das pessoas divinas e a relevância da Trindade para a fé cristã.
I. A REVELAÇÃO TRINITÁRIA NO BATISMO DE JESUS
1. O batismo do Filho: a obediência de Cristo. Jesus, o Deus encarnado (Jo 1.14), desceu às águas do Jordão para ser batizado por João Batista (Mt 3.13). Este ato, à primeira vista, pode parecer desnecessário, já que Jesus não era um pecador (2Co 5.21; Hb 4.15). Contudo, Ele disse: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Jesus não precisava ser batizado como uma forma de expressar arrependimento (Mt 3.6). Contudo, Ele submeteu-se a essa tradição judaica, associando-se à condição dos pecadores que veio salvar (Mt 5.17). Assim, o batismo de Jesus é um gesto de identificação com a humanidade pecadora e uma atitude de obediência ao plano redentor do Pai. Esse é o início visível da missão messiânica, que culminaria na cruz (Fp 2.8).
2. A descida do Espírito: a unção para o Ministério. Logo após sair das águas, Jesus viu os céus se abrirem e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea como uma pomba (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32). Essa manifestação visível indicava ser Ele o Messias prometido, o Cristo, literalmente “o Ungido” de Deus (Is 11.2; 42.1). Essa unção, porém, não deve ser confundida como uma “adoção do Espírito”, como se Jesus passasse a ser o Messias naquele instante. Antes mesmo do batismo, Ele já era o Filho de Deus (Lc 1.32). Portanto, a vinda do Espírito sobre Jesus na ocasião do batismo representa sua unção pública e visível, marcando o início de seu ministério terreno e capacitando-O para cumprir a missão redentora, conforme as profecias messiânicas (Is 61.1,2; Lc 4.18-21).
3. A voz do Pai: a aprovação celestial. Por fim, uma voz audível do céu proclama: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; Lc 3.22; Mc 1.11). Trata-se de uma declaração solene e pública do Pai, que não apenas confirma a identidade messiânica, mas também a divindade de Jesus.
Essa afirmação remete às mensagens messiânicas e proféticas de que Jesus é o Filho eterno, o Ungido de Deus, aquele que agrada plenamente ao Pai (Sl 2.7; Is 42.1). A voz celestial não inaugura sua Filiação, mas a proclama diante da humanidade, confirmando a encarnação do Verbo (Jo 1.14). Desse modo, a voz de Deus no batismo autentica não somente a missão redentora de Jesus, mas, ainda, demonstra sua Filiação divina: Ele é o Filho em quem o Pai tem completo prazer.
II - CONCEITO DE TRINDADE OU TRIUNIDADE DE DEUS
- Estamos dando a mais um ano letivo da Escola Bíblica Dominical e, neste primeiro trimestre, faremos o estudo da Doutrina da Trindade ou Triunidade Divina, também conhecida como trinitarianismo, uma das mais difíceis doutrinas bíblicas, pois mostra, na sua exposição, a grande limitação da razão humana para compreendermos a essência e a estrutura de Deus, cujos pensamentos são muito mais elevados do que os nossos (Is.55:8,9).
- Assim, como nas outras doutrinas das Escrituras, necessitamos exercitar nossa fé e não a nossa razão, aceitando a verdade bíblica, sem querer entendê-la plenamente.
- A doutrina da Trindade somente pôde ser exposta claramente aos homens após a vinda de Cristo, o Deus Filho, a este mundo e o envio do Espírito Santo para ficar com a Igreja até a volta de Jesus.
- Por isso, antes destes eventos, não havia tanta clareza quanto a triunidade do nosso Deus. Não espanta, pois, que os judeus não a compreendam, assim como todos quantos não têm o Espírito de Deus.
- As palavras “trindade” ou “triunidade” não se encontra na Bíblia Sagrada, como, aliás, muitos outros termos criados pelos estudiosos das Escrituras para descrever os ensinos bíblicos.
- A ausência desta palavra na Bíblia, porém, não significa, em absoluto, como defendem algumas seitas e heresias, que a “doutrina da trindade” seja uma criação humana, algo que não corresponde à verdade bíblica.
- A realidade da Trindade encontra-se presente na Bíblia desde o seu primeiro versículo, Gn.1:1, onde vemos, no texto original, a presença de “’Elohim”(אֱלֹהִ֑ים), palavra hebraica que significa “Deus” e que se encontra no plural, embora o verbo “criou” esteja no singular. Assim, logo no limiar da revelação divina ao homem, encontramos um Deus que é, ao mesmo tempo, plural e singular, um único Deus, mas mais de uma Pessoa.
- A palavra “trindade” foi cunhada pelos primeiros estudiosos da Bíblia depois dos apóstolos, os chamados “pais da Igreja”, com especial destaque para Tertuliano, que viveu entre os anos de 155 e 222, um dos principais defensores da fé cristã em meio às perseguições tanto do Império Romano quanto dos intelectuais pagãos do seu tempo.
- Tertuliano, como, aliás, todos os chamados “pais da Igreja”, viram-se forçados a ter de enfrentar a questão da essência e da natureza de Deus, uma vez que os cristãos, assim como os judeus, proclamavam que havia um único Deus, mas também diziam que Jesus era Deus, assim como o Espírito Santo.
- Deste modo, tinham, a um só tempo, de enfrentar tanto as indagações dos judeus, que acusavam os cristãos de politeístas, ou seja, de crerem, ao exemplo dos gentios, em mais de um Deus, como também de mostrar aos gentios de que havia um único Deus, apesar de crerem no Pai, no Filho e no Espírito Santo.
- Foi esta necessidade de defender os ensinos das Escrituras diante das objeções levantadas por judeus e gentios que fez com que os estudiosos e defensores da fé cristã se debruçassem sobre a Bíblia Sagrada e verificassem o que ela ensinava a respeito de Deus e das Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
- Este estudo levou à formulação da “doutrina da Trindade”, que nada mais é do que uma sistematização, uma organização do que as Escrituras ensinam a respeito.
- Por isso, não é verdade que a “doutrina da Trindade” tenha sido criada pelos “pais da Igreja”, nem que tenha sido uma “inovação” seja de Tertuliano, seja dos demais “pais da Igreja”, mas é o resultado de um estudo profundo da Bíblia para que se pudesse responder às críticas e às objeções tanto de judeus quanto de gentios.
CONCLUSÃO: Compreender a Trindade é fundamental para manter a fidelidade doutrinária. Ela não apenas protege a integridade da revelação de Deus, mas também sustenta toda a estrutura da salvação. Crer na Trindade é crer no Deus que salva e que se manifesta plenamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Por isso, a doutrina da Trindade deve ser confessada, celebrada e ensinada como um fundamento inegociável da fé cristã. Que Deus nos dê um ano abençoado na EBD. E que possamos crescer em quantidade e qualidade, no ensino da Palavra. Amém.
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