As Nações Unidas (ONU), a União Europeia e a Liga Árabe se uniram na quarta-feira (24) pedindo a Israel que abandone seus planos de anexar partes da Judeia e Samaria, território mais conhecido pela comunidade internacional como Cisjordânia.
“Estamos em um momento divisor de águas”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante uma videoconferência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Se implementada, a anexação constituiria a violação mais grave do direito internacional. Exijo que o governo israelense abandone seus planos de anexação”.
Guterres voltou a sugerir uma solução de dois Estados, tendo Jerusalém como capital de ambos, Palestina e Israel.
O governo de Israel planeja anexar assentamentos judaicos na Cisjordânia e no Vale do Jordão, como parte de uma proposta dos EUA para um acordo de paz entre israelenses e os palestinos.
O plano prevê a criação de um Estado palestino, mas em território reduzido, e sem que os eles tenham sua capital em Jerusalém Oriental. O plano foi totalmente rejeitado pelos palestinos.
Segundo a organização B'Tselem, 65 mil palestinos e cerca de 11 mil colonos israelenses vivem na área.
O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, disse que a anexação “destruirá qualquer perspectiva de paz no futuro” e poderá desencadear “uma guerra religiosa dentro e fora” da região.
“A possível ação do governo israelense de anexar partes do território palestino ocupado constituiria, se implementada, uma séria ameaça à estabilidade regional”, afirmou.
O coordenador da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, disse que a anexação “pode alterar irrevogavelmente a natureza das relações entre israelenses e palestinos”.
Ele acrescentou: “Corre o risco de comprometer mais de 25 anos de esforços internacionais em apoio a um futuro Estado palestino viável, vivendo em paz, segurança e reconhecimento mútuo com o Estado de Israel”.
Em uma declaração conjunta, membros da União Europeia no Conselho de Segurança alertaram que a anexação prejudicaria seus laços com Israel.
“Atualmente, todos temos um relacionamento próximo com Israel e desejamos continuar trabalhando com Israel de maneira construtiva e abrangente, no espírito da amizade de longa data que nos une. No entanto, seguindo nossas obrigações e responsabilidades sob o direito internacional, a anexação teria consequências para nosso relacionamento com Israel”, afirmou.