As equipes de ajuda humanit?ria e resgate internacionais enfrentam duros obst?culos em meio ? devasta??o para chegar ?s v?timas do terremoto de ter?a-feira (12), que deixou milhares de mortos e destruiu ao menos 10% da capital Porto Pr?ncipe, segundo a ONU (Organiza??o das Na?es Unidas).
Sem ?gua e sem comida, centenas de pessoas feridas passaram uma terceira noite de sofrimento, deitadas nas cal?adas e aguardando assist?ncia humanit?ria enquanto o desespero se transformava em frustra??o e, em alguns casos, viol?ncia.
As imagens da televis?o mostram uma corrida por qualquer suprimento de comida ou ?gua pot?vel. Ontem, testemunhas relataram que os haitianos bloqueavam as ruas com corpos para chamar a aten??o ? situa??o.
Al?m das estradas destru?das, muitas pessoas transformaram as ruas em acampamentos de refugiados - com temor de voltar as casas (que n?o desabaram) diante de novos tremores. Os especialistas em ajuda humanit?ria alertam que pode demorar dias at? que a ajuda de dezenas de pa?ses chegue efetivamente at? aqueles que precisam.
As ag?ncias temem ainda que muitos sobreviventes sob os escombros n?o ser?o alcan?ados dentro da janela de 72 horas - que venceria ?s 17h desta sexta-feira - considerada o m?ximo de tempo de sobreviv?ncia nesta situa??o. "Estamos aqui esperando h? tr?s dias e tr?s noites mas nada tem sido feito por n?s, nem uma palavra de incentivo do presidente", disse Pierre Jackson, cuidando de sua m?e e irm? que choravam deitadas com as pernas esmagadas. "O que devemos fazer?".
Pilhas de corpos
Corpos estavam espalhados por toda a cidade, e pessoas cobriam o nariz com panos para evitar o odor. Cad?veres eram carregados em caminhonetes e entregues ao hospital central de Porto Pr?ncipe, onde o diretor do hospital, Guy LaRoche, estimava em 1.500 o n?mero de corpos empilhados ao lado do necrot?rio.
Mais de 48 horas ap?s o terremoto, massas de pessoas clamavam por ?gua e alimentos, assim como ajuda para desenterrar parentes ainda desaparecidos sob os escombros. Shaul Schwarz, um fot?grafo da revista Time, disse ter visto ao menos duas barricadas de cad?veres que bloqueavam as ruas da cidade, feitas com corpos das v?timas e pedras. "Est?o come?ando a bloquear as ruas com corpos. Est? ficando feio l? fora. As pessoas est?o cansadas de n?o receber assist?ncia", disse ele ? Reuters.
Sobreviventes enfurecidos realizaram o protesto enquanto a assist?ncia humanit?ria internacional, composta de 30 pa?ses, chegava a Porto Pr?ncipe em dezenas de avi?es que congestionaram o pequeno aeroporto da cidade.
A Cruz Vermelha do Haiti disse acreditar que entre 45 mil e 50 mil pessoas haviam morrido e mais 3 milh?es - um ter?o da popula??o haitiana - estavam feridos ou desabrigados pelo forte terremoto de magnitude 7,0 que atingiu a capital na ter?a-feira. "J? enterramos 7 mil pessoas em covas coletivas", disse o presidente haitiano, Ren? Pr?val. A Cruz Vermelha haitiana afirmou que est? sendo sacos para abrigar os cad?veres.
Os m?dicos do Haiti, pa?s mais pobre das Am?ricas, est?o mal equipados para tratar os feridos. Equipes de ajuda afirmam que muito mais pessoas morrer?o se os feridos, muitos com fraturas e grave perda sanguinea, n?o receberam tratamento nos pr?ximos dois dias.
Brasileiros
O ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, afirmou na madrugada de hoje, ao desembarcar em Bras?lia, vindo do Haiti, que 17 brasileiros morreram no terremoto. Segundo reportagem de F?bio Zanini, da Folha de S. Paulo, Jobim afirmou que, at? o momento, h? 14 militares e tr?s civis brasileiros mortos. Os militares j? haviam sido confirmados pelo Comando do Ex?rcito na manh? desta quinta-feira.
Jobim confirmou ainda quatro militares desaparecidos, que, segundo ele, estariam mortos. O Comando do Ex?rcito confirma apenas os 14 mortos e mant?m os quatro como desaparecidos. J? os civis incluiriam a m?dica e fundadora da Pastoral da Crian?a, Zilda Arns, cujo vel?rio acontece nesta sexta-feira em Curitiba, com a presen?a do presidente Luiz In?cio Lula da Silva.
O ministro afirmou ainda que o n?mero dois da Miss?o de Paz das Na?es Unidas no Haiti (Minustah), o brasileiro Luiz Carlos da Costa est? morto, embora n?o tenha sido encontrado ainda seu corpo.
Folha Online
Com Reuters