O desalento come?a a ocupar o espa?o da urg?ncia pela sobreviv?ncia nas cidades mais atingidas pelas chuvas em Alagoas. Ap?s o choque inicial da trag?dia, as pessoas est?o se dando conta de que suas vidas n?o voltar?o ao normal. Come?am a surgir casos de tentativas de suic?dio e mortes por doen?as agravadas pelo estresse, como infartes. Desaven?as com as autoridades se intensificam.
Em Santana do Manda?, foram duas tentativas de suic?dio nos ?ltimos dois dias. Na semana passada, houve um infarto fulminante, e duas gr?vidas pariram filhos mortos. Em Branquinha, a popula??o perdeu n?o s? as casas, mas sua no??o de cidade. O centro comercial, institui?es e os pr?dios p?blicos foram levados pelas ?guas. "Como vou fazer para receber o Bolsa Fam?lia? Minha vida n?o tem mais sentido", gritava, aos prantos, a moradora Zumira dos Santos, inconformada com a destrui??o do pr?dio federal que realizava o pagamento do benef?cio. "A cidade est? com os nervos ? flor da pele. J? pedi para contratar dez psic?logos, para ficar por a?, conversando com a popula??o", afirmou a prefeita Renata Moraes.
Em Uni?o dos Palmares, come?a a ficar tenso o clima com as autoridades. O estopim foi o in?cio das discuss?es para a transfer?ncia das v?timas, alojadas em escolas, para acampamentos em locais distantes. Os desalojados, por?m, temem que o acampamento se torne uma solu??o permanente. "N?o podemos ir para outro lugar, sem garantia de que haver? reconstru??o das casas", disse Gilvan Alessandro, uma das 800 pessoas que dormem na escola Cl?vis de Barros.
Quando h? sol, as pessoas colocam suas fotos para secar, na tentativa de resgatar suas hist?rias. A vontade de ter um lar faz com que muitos abandonem abrigos e voltem para casas comprometidas. Em Santana do Manda?, n?o ? incomum ouvir pessoas dizendo que n?o existem mais, que perderam RG e t?tulo de eleitor. O cart?rio local foi destru?do, e as certid?es de nascimento da cidade, levadas pelas ?guas.
O Globo