Pecado contra a santidade de Deus e contra Sua autoridade divina
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Prof.
Adriano Oliveira
“Por isso, cingindo o vosso entendimento,
sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na
revelação de Jesus Cristo. Como filhos da obediência, não vos amoldeis às
paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo
é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o
vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”
(1Pe 1:13-16)
Numa
linda manhã, ao entrar em um grupo maravilhoso de WhatsApp, criado para interação de pastores que militam
na arte de pregar o Evangelho e no “IDE” de Cristo, distribuídos por vários lugares dentro e fora do território
brasileiro, e que levam a preciosa Palavra de Deus como verdadeiros guardiões
da Ortodoxia Bíblica e verdadeiros “Gentlemens” da Eclesia, criado pelo estimado
Pastor Hélio Cabral, fomos abordados pelo nobre pastor e pregador Nerildo
Accyoly (SP) com o seguinte questionamento: “Pastor Adriano, nos fale sobre
pecado contra a santidade de Deus e contra o trono de Deus”.
Bem,
meus queridos leitores, não precisa ser nenhum expert em Teologia para entender
que as palavras-chave do questionamento em evidência é o Pecado versus a
Santidade e Autoridade de Deus. Em qualquer base ou ideologia, agindo como
geratriz para produzir um raciocínio científico, reza o silogismo que
proposições são indispensáveis para se chegar a uma conclusão. Na indagação em
apreço, a premissa que entendemos é simples: Deus é Santo e precisamos ser santos
para agradá-Lo!
O termo “Santo” é
extraído do grego “hagios” (“Αγιος”)
de “hagos”, “Uma coisa
grande, sublime”, e deriva a palavra “hagiasmos”
(“Αγιασμος”), cujo significado é “Consagração” ou “purificação”.
De acordo com STRONG, é um tipo de ação que abrange do interior ao exterior,
desde o coração à própria vida. De acordo com o professor Daniel Conegero, é o “Processo
progressivo e contínuo operado por Deus na vida daquele que foi regenerado,
convertido e justificado. No processo da santificação o cristão é ensinado e
moldado a viver cada vez mais para Cristo, numa vida de retidão conforme a
vontade do Senhor.”
Elementar,
meu querido leitor, que quando falamos em “Santidade divina”, precisamos
inicialmente entender que o principal fator diferenciador entre nós e a
Trindade é que o Nosso Bom Deus (Elohim) é de forma inerente e absolutamente
SANTO! Expresso que esse “absoluto” em relação à santidade de Deus é um
atributo de seu “Ser”, intrínseca a Ele! Por outro lado, já em relação a cada
um de nós, quando tratamos de santidade, só podemos nos tornar Santos quando há
de fato e de direito um relacionamento real com Jesus Cristo. O que vai acontecer daí para frente é um
crescimento em progressão geométrica dessa santidade na proporção em que
amadurecemos de forma espiritual e torrencial.
A santidade
é algo indispensável e não é utópica. Baseado em Hebreus 12.14, santidade não é
apenas uma possibilidade, mas um requisito indispensável. E precisamos entender,
em suma, que esse crescimento em santidade não finda quando aceitamos a Cristo,
se inicia. Acredito, nobre leitor, que existe uma santidade adquirida na
regeneração e, concomitantemente, há um tipo de santidade prática que deve ser
cultivada diariamente. É um tipo de santidade que deve ser cultivada através da nossa
vida diária (2 Co 7.1; 1 Pd 1.14-16).
Santificação é mais do
que um direito adquirido, é um dever a ser praticado. E que, à luz das Sagradas
Escrituras, é o querer de Deus para cada um de nós (Rm 8.29; 1 Ts 4.3-4). O
crente que passa pelo Novo Nascimento passa adquirir uma esperança de habitar
com o Senhor, e essa vontade o impulsiona para a santificação (1 Jo 3.1-3). Ele
passa a sentir a necessidade de viver em santidade para estar cada vez mais
próximo de Deus. É uma vida literalmente separada, em obediência à vontade de
Deus (Lv 11.44; 19.2). Para isso acontecer, é necessário trabalhar a mente a ponto
de não deixar os pensamentos à deriva, mas cingidos (Ex 12.11). Já nos diz o
poeta inglês William Cowper: “Uma mente absolutamente vazia vive angustiada”.
Daí não é difícil entendermos a famosa frase protestante que afirma que “Mente
desocupada é oficina de Satanás!”. O comentarista Warren W. Wiersbe nos
ensina que “a ordem para que sejamos ‘santos’ não se refere à perfeição sem
pecado, pois essa condição é impossível de ser atingida nesta vida (1 Jo
1:8-10). Isso significa ser separado para Deus. Se somos filhos do Senhor,
devemos parecer-nos com nosso Pai.”
Donald Stamps, por sua
vez, defende que as palavras “separação” e “santificação” são sinônimos.
Separação do “modus operandi” praticado
pelos ímpios. Ao mesmo tempo, está relacionado também à aproximação dos Santos
a Deus e à sua vontade, envolvidos no seu serviço e adoração, onde o resultado
da nossa eleição em Cristo tem como alvo a santidade (Ef 1.4). Quando falamos
de santidade, falamos em seguir os passos de Cristo, tentando, em caráter,
sermos semelhantes a Deus, dedicados com o intuito de agradá-Lo! (Rm 12.1; Ef
1.4; 2.10; Hb 12.14). Elementar que não conseguiríamos sozinhos, somos ajudados
diretamente pelo Espírito Santo de Deus (Gl 5.16,22,23,25; Cl 3.10; Tg 3.5; 2
Pe 1.9).
Queridos
leitores e amantes das Escrituras, não é preciso fazermos uma exegese bíblica
para entendermos que o pecado entra na contramão da santificação. Até porque
quando falamos na palavra “pecado”, estamos, na íntegra, tratando de um fato
opositor à essência e à Santidade de Deus.
Folheando
as páginas das Sagradas Escrituras, perceberemos que o pecado é transgressão à
vontade e às normas pré-estabelecidas por Deus; e ao mesmo tempo pecado é
sinônimo de rebelião (Dt 9.7; Js 1.18; 1 Jo 3.4). Isso é claro de ser elucidado
pelo fato de ter nascido com Lúcifer, o famoso episódio no qual o mesmo atenta
em seu íntimo ser semelhante ao Altíssimo (Is 14.12-15). Dentro da
retrospectiva bíblica vetero testamentária, baseada no terceiro capítulo de Gênesis,
todo calouro de Hamartiologia tem ciência de que o pioneiro do Pecado na raça
humana, dentro do Jardim do Éden, foi Satanás, que trouxe a mesma proposta
nascida em seu interior: “ser semelhante a Deus” , induzindo nossos primeiros
pais a se rebelarem contra Deus e contra os seus Princípios. A partir daí, como
efeito “bola de neve”, o pecado se expandiu na raça humana no transcorrer dos
anos tempos e épocas.
A partir da queda de
Adão, o pecado foi passado para as gerações seguintes. Assim todos os “descendentes
de Adão herdaram dele o pecado e a morte” (Rm 5.12; 6.23). Digamos que os
homens se tornaram “pecadores por natureza”. Não significa dizer que você ou eu
tenhamos pecado, mas sim pelo fato de nascermos pecadores. A isto, a maioria
dos teólogos dispensacionalistas e assembleianos denominam de “pecado herdado”.
Isto está inserido em nosso quarto “CREIO”: “Na pecaminosidade do homem que o
destituiu da glória de Deus, e que somente o arrependimento e a fé na obra
expiatória e redentora de Jesus Cristo é que o pode restaurar a Deus (Rm 3.23;
At 3.19).”
Alguns
estudiosos renomados defendem que, à mesma maneira que adquirimos Genótipos
herdados de nossos pais, espiritualmente falando também herdamos a natureza
pecaminosa de nossos primeiros pais no Éden (Sl 51.5). E é por isso que há a
necessidade absoluta do novo nascimento “pela fé em Cristo e pelo poder atuante
do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus
(Jo 3.3-8).” (CREIO 05) Além dos tradicionais pecados (Herdado e Imputado),
existem também os famosos “pecados pessoais”. Estes são pecados individuais e
pessoais, executados diariamente por cada homem ou mulher, lamentavelmente,
resultado dessa “herança da natureza pecaminosa” de nossos primeiros pais. Porém,
cada servo e serva de Deus, nascidos de novo, foram libertos da “eterna pena do
pecado (inferno e morte espiritual)”.
Temos
hoje, pelo menos na visão anti calvinista, o livre arbítrio para decidirmos se
cometeremos ou não pecados subjetivos. E também temos o amigo do noivo,
“paracletos” divino, morando dentro de nós, para nos dar força e nos ajudar a
vencermos as provações e tentações, contribuindo para nossa santificação,
agindo como meio indicativo de nossas falhas e pecados (Rm 8.9-11). Lembrando,
baseado em 1 Jo 1.9, que no exato momento que reconhecemos nossos pecados e
realmente nos arrependemos, confessando os mesmos, pedindo perdão sincero,
somos renovados e restaurados, voltando assim à comunhão com Deus. Dentro das
verdades teológicas, descobrimos um Deus que, por meio da sua Revelação Escrita
(Bíblia – Rm 10.17; 2 Tm 3.16), Manifestada (Criação – Sl 19.1-4), Verbal (Falada
, Hb1.1) e encarnada ( Jesus, Jo 1.1-14), fez questão de se revelar aos seres
humanos.
É
óbvio que não em essência, até porque não temos estruturas psicossomáticas para
compreendermos; até porque isto está reservado apenas para quando “o que é
corruptível se revista de incompatibilidade”, para podermos ver, compreendendo tal como Ele
é em essência (1 Co 15.53; 1 Jo 3.2). Então, dentro de nossos limites
capacitacionais, a Bíblia nos revela qualidades e características inerentes a
Ele, chamadas de “Atributos”, para que possamos compreendê-Lo dentro daquilo
que Ele quis se fazer conhecido. E esses atributos conhecidos por todos nós,
estão dispostos em duas esferas principais: atributos incomunicáveis e
atributos comunicáveis. Esses primeiros atributos estão relacionados à sua
Soberania e supremacia absoluta. São únicos e exclusivos d’Ele. Estão inseridos
em sua essência e não pertences à estrutura humana (Eternidade, Transcendência,
Onipresença, Onisciência, Onipotência, Imutabilidade, Independência, entre
outros). Já os atributos comunicáveis estão relacionados a características
compartilhadas também na estrutura humana. São atributos que podemos ter, porém,
se comparados a Deus, em uma proporção indubitável e incomensuravelmente imperfeita.
Dentro da subclassificação desses atributos comunicáveis, temos os atributos
Morais (bondade, amor, paciência, graça, benevolência, misericórdia, entre
outros). A Santidade está inclusa nos atributos Morais. É um tipo de qualidade
presente em cada um de nós, que reflete a imagem e a semelhança de Deus.
“Deus
é Santo e nós precisamos ser Santos!” Por Deus Ser Santo, não admite atos ou
ações antagônicas à sua Santidade. Santidade
fala de essência e qualidade moral. De acordo com John Macarthur, “Sede santos,
porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lev. 19: 1-2; cf. vv). Como os
filhos de Israel foram chamados para amar e servir a Deus e, ao separar-se da
imoralidade e da impureza, os crentes hoje devem atender ao chamado soberano de
suportar Sua imagem (Colossenses 3:10; cf. Rom. 08:29; 1 Cor. 15:49; 2 Cor 3:18)
e obedecer aos Seus mandamentos para ser santo desde o Santo, identificou-se
com eles em uma obra eternamente gloriosa da graça salvadora”. Da mesma forma
que ‘Deus é santo’, significando que Ele está separado de toda poluição moral e
a ela é hostil”, cada um de nós somos postos a uma realidade totalmente
antagônica ao pecado e a tudo aquilo que vai de encontro à Santidade e à
Autoridade de Deus. Por outro lado, na pergunta feita pelo nobre mestre e
Reverendo Nerildo Accyoly, “Trono de Deus” entendo falar de “Autoridade De
Deus”.
E o que
necessariamente seria “Pecado contra a santidade de Deus e contra o trono de
Deus?” Aqui temos uma pergunta interessante, que possui uma resposta prática. Como não é difícil compreendermos que trono
fala de autoridade, não há necessidade de comentarmos sobre a autoridade de
Deus, porém, quando tratamos de agravantes que vão de encontro a essa
autoridade suprema, de forma básica, podemos citar o texto de Mateus capítulo
22 versículo 36, onde Jesus é
questionado acerca do grande mandamento da Lei, onde responde de forma imediata:
O primeiro é amar a Deus e o segundo é amar o próximo.
Aqui
vamos perceber que o próprio mestre vai declarar em Mateus 22:40 que nos dois
mandamentos estão inseridos toda a lei e os profetas. Interessante é que se nós
nos basearmos no decálogo, dado pelo próprio Deus a Moisés no monte Sinai,
perceberemos que nos quatro primeiros mandamentos temos o conceito daquilo que
significa “amar a Deus”. A declarativa é simples: “Quem realmente ama não tem
outros deuses, quem ama com sinceridade não se prostra diante de imagem e nem
mergulha na idolatria. Quem ama com toda certeza não levanta o nome do Senhor
em vão.
Quem
ama guarda o Dia do Senhor. Temos nitidamente a compreensão de que o amor a
Deus está diretamente relacionado ao compromisso fincado e sincero com o
Eterno. Quando alguém vai de encontro aos quatro primeiros mandamentos, está
pecando contra a própria autoridade de Deus. Os seis mandamentos restantes dão
ênfase ao conceito genuíno do “amor à próximo”. Em outras palavras, quem
realmente ama ao próximo: honra seus pais; não acata a prática de adultério;
não furta; abomina a mentira e não cobiça nem inveja.
Quando
se ama de verdade ao próximo, há um esforço sem igual para “fazer apenas o
bem”. Quando ocorre qualquer quebra
desses últimos seis mandamentos, pecamos pelo fato de ferirmos a Santidade de
Deus no tocante a “prejudicarmos à sua Criação”, ou seja, prejudicarmos ao
nosso próximo e a nós mesmos. Interessante é que há aqui um tipo de relação “conditio sine qua non”, onde nos apresenta
uma possível resposta essa brilhante pergunta. Apenas um ponto de vista.
Já
dizia o velho ditado: “Na escola da vida, o que nos move são as perguntas e
não as respostas. É preciso saber perguntar para encontrar a resposta que nos
levará onde queremos chegar.”
Esperamos
ter contribuído de alguma forma a esta boa Indagação!