Até o fim de 1893, muitos eruditos não acreditavam que Moisés pudesse, de fato, ter escrito os livros do Pentateuco. A razão era simples. Segundo o pensamento dos historiadores da época, não havia no tempo de Moisés uma organização formal de escrita alfabética que lhe possibilitasse escrever esses textos.

A escrita alfabética e gramatical teria surgido por volta do século 8 a.C., o que impossibilitaria Moisés de ser o verdadeiro autor de Gênesis.

Mas a descoberta das vastas bibliotecas pré-abraâmicas em Ereque, Lagash, Ur, Hish, Babilônia e outras cidades demonstra que, por volta do terceiro milênio antes de Cristo, os sistemas gráficos (tanto pictogrâmicos quanto cuneiformes) estavam em uso corrente, produzindo livros e anais que ecoam muito mais de perto a história bíblica do que os documentos tardios, datados de 600 a.C.

E foi providencial o fato de Moisés ter escolhido uma escrita alfabética para redigir o Pentateuco, ao invés dos complicadíssimos hieróglifos egípcios, que só foram decifrados muitos séculos depois.

“Se não foi assim, teríamos que esperar até o século 29 para ter a oportunidade de ler os livros que Moisés escreveu. Afinal, foi apenas depois que Champollion conseguiu decifrar a Pedra Roseta, que os especialistas se viram capacitados a ler inscrições hieroglíficas”, comenta Jean-François Champollion*.

"Além do mais, a escrita ideogrâmica, especialmente a pictográfica, era bastante inspirada na mitologia pagã, que era recheada de sabor idolátrico. Se Moisés usasse aquela forma de escrita, incorreria no risco de que alguns de inclinar-se a adorar o texto, em vez do Deus que ali se revelava", completa o pastor Rodrigo Silva**.

*Foi um egiptólogo, considerado o pai da egiptologia, que se tornou famoso pelos seus trabalhos sobre a cultura e a língua do Egito Antigo, e, em especial, por ter sido o principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

**Doutor em Arqueologia pela USP, (Especialização realizada na Universidade Hebraica em Israel), Doutor em Teologia pela UNIFAI, (Mestrado realizado na FAJE).


Da Redação/AD Alagoas
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