Sandra Portillo, de 19 anos, reencontrou na quarta-feira em Buenos Aires a filha de 7 meses, sequestrada no ano passado por uma quadrilha formada por paraguaios e argentinos.Atra?da por uma falsa promessa de emprego, Portillo desembarcou na Argentina em setembro com a filha, Liz Sebastiana, quando esta tinha pouco menos de dois meses de idade.
Pouco depois, seus supostos empregadores disseram que ela deveria deixar a beb? numa cl?nica para fazer alguns exames.Ela os obedeceu e em seguida foi sequestrada. ?Passei duas semanas sequestrada e consegui fugir e denunciar o roubo da minha filha ? pol?cia?, disse Portillo, ?s l?grimas, durante uma entrevista coletiva.
Enquanto isso, segundo os policiais, Liz foi vendida para um casal argentino.?Eu j? n?o tinha mais esperan?as. E quando me ligaram eu demorei a acreditar que fosse verdade. Liz est? muito maior do que quando nos separamos?, afirmou, abra?ada ? menina.
Sem esperan?as
O reencontro foi no Pal?cio de Justi?a, na capital argentina. ?Foi impressionante. Todos choramos. O juiz, a secret?ria, eu, a m?e. Todos. Foi emocionante?, disse o delegado Ricardo Arancedo, da Divis?o de Delitos contra Menores da Superintend?ncia da Pol?cia Federal. Na ocasi?o, Portillo contou ? imprensa que ? m?e solteira e que morava em um bairro carente de Assun??o, capital do Paraguai. Um vizinho, tamb?m paraguaio, ofereceu-lhe o falso emprego em Buenos Aires.
A exemplo de tantas outras paraguaias que vivem na capital argentina, a suposta oferta era para trabalhar como dom?stica em casas de fam?lia.A paraguaia disse que os tr?s ? ela, a beb? e o vizinho ? viajaram de ?nibus de Assun??o a Buenos Aires. O delegado explicou como o vizinho e os supostos empregadores enganaram a jovem.
?Ela concordou (em levar a filha ? cl?nica) e a m?dica que atendeu a beb? disse que a menina tinha asma e deveria ficar internada. Mas a m?dica era uma das donas do estabelecimento e fez uma certid?o (falsa) para que a beb? fosse adotada por um casal argentino.?
Segundo Arancedo, a m?e da crian?a foi levada para um hotel e de l? para um bairro afastado nos sub?rbios de Buenos Aires, chamado Cidade Oculta, de onde conseguiu fugir e telefonar para familiares.?Liguei para minha cunhada e contei tudo o que tinha acontecido e depois procurei a pol?cia?, disse.
Escutas
O delegado afirmou que escutas telef?nicas permitiram localizar os acusados, desvendar a quadrilha e achar a beb?.No m?s passado, a pol?cia encontrou uma beb? que j? tinha identidade argentina, com pessoas suspeitas, e determinou exames de DNA que indicaram que ela ? ?99,9%? filha de Portillo.
Cinco pessoas foram presas, entre elas, os donos da cl?nica na localidade de Wilde e o casal que tinha pago pela beb?. ?O reencontro foi impressionante. Todos choramos. O juiz, a secret?ria, eu, a m?e. Todos. Foi emocionante?, disse o delegado. Portillo disse que ainda n?o sabe se continuar? em Buenos Aires ou se retornar? para Assun??o. Ela tamb?m contou que nunca mais viu o vizinho que tinha lhe prometido ?emprego?.
BBC Brasil