Os deslizamentos de terra ocorridos em Angra dos Reis (RJ) causaram 30 mortes, informou a Defesa Civil Estadual na noite desta sexta-feira, 1º de janeiro. Do total, 19 foram vítimas do soterramento de uma pousada na praia do Bananal, em Ilha Grande, e outras 11 em casas atingidas no morro da Carioca, no centro da cidade. Assim, sobe para 52 o total de mortes em decorrência das chuvas no Rio desde quarta-feira (30).

A Defesa Civil afirmou que o número de vítimas pode aumentar em Angra dos Reis. Na pousada Sankay, a Defesa Civil municipal estima que 40 pessoas estivessem hospedadas no momento do acidente, ocorrido durante a madrugada. A prefeitura estima que 80 casas tenham sido interditadas na cidade, e os moradores retirados por questões de segurança. Ainda não há, no entanto, um balanço de desabrigados ou desalojados.

O Comando da Marinha no Rio interditou uma área de 10 mil m² no mar, em frente à praia do Bananal. Segundo o comandante Rodolpho Arpon Marandino, a interdição é necessária para facilitar o trânsito das embarcações que trabalham no resgate das vítimas do soterramento e no transporte de materiais e doações e para orientar e afastar curiosos.

Mais de 80 bombeiros trabalham no resgate, com o apoio de 20 homens das polícias Militar e Civil, além da Marinha. Ainda não há informações sobre quantas pessoas continuam soterradas, mas, segundo a Defesa Civil, as chances de resgatá-las com vida são muito pequenas. Os corpos estão sendo levados para o IML (Instituto Médico Legal) de Angra dos Reis.

Como as casas e a pousada estão debaixo de toneladas de lama, o resgate é mais difícil, porque não é possível utilizar equipamentos pesados para não correr o risco de o terreno ceder. Por isso, os bombeiros fazem um trabalho manual com pás e picaretas. O vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão, e do secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes acompanham as buscas por sobreviventes em Angra.

VÍTIMAS

O total de mortes em decorrência das chuvas no Rio chegou a 52 hoje, somando-se as vítimas em Angra a morte de uma menina que estava internada após ser ferida de um deslizamento na comunidade Fazenda da Bica, em Quintino, zona norte do Rio, e dos pais da criança também morreram na ocasião.

Segundo o Corpo de Bombeiros, na região de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, um deslizamento de terra atingiu uma residência e provocou a morte de cinco pessoas da mesma família. Uma delas tinha sido socorrida com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu, informou a corporação.

Já no bairro de Vaz Lobo, outras três pessoas morreram e uma ficou ferida, mas os bombeiros não souberam informar o sexo e a idade das vítimas e haviam informado anteriormente que seriam quatro mortos.

Já na Baixada Fluminense, em Belford Roxo, duas pessoas morreram em um desabamento. No início da tarde de hoje, foi confirmada ainda mais duas mortes em São João de Meriti, mas a Defesa Civil não informou detalhes sobre as vítimas.

Outra morte foi registrada na rua Prainha, em Duque de Caxias (RJ), onde outro deslizamento atingiu uma residência e provocou a morte de um menino de cinco anos. O deslizamento aconteceu por volta das 2h14 e não deixou outros feridos, segundo informações do Corpo de Bombeiros.

Já em Magé, foram registradas quatro mortes causadas pelas chuvas e mais 39 pessoas feridas até esta sexta-feira. Em Niterói, os temporais dos últimos dias também provocaram duas mortes e deixaram três feridos.

ESTADO DE EMERGÊNCIA

Ontem (31), a Prefeitura de Angra já havia decretado estado de emergência. Nesta sexta, o prefeito do município, Tuca Jordão (PMDB), vistoria as áreas atingidas pelas chuvas para decidir se decreta estado de calamidade pública.

A prefeitura de Angra informou ainda, que por causa das chuvas, o centro da cidade ficou sem luz por volta das 2h, mas o fornecimento de energia foi restabelecido por volta das 9h30. Já parte de Ilha Grande permanece sem energia devido aos deslizamentos.

Segundo a prefeitura, a luz foi cortada a pedido da Defesa Civil e dos bombeiros para não gerar problemas nas buscas por vítimas na pousada soterrada na praia de Bananal.



Folha Online