Brasília, DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brasil poderá se tornar a quinta maior economia do mundo, nos próximos 15 anos, se tiver mais pobres na classe média e mais estudantes nas faculdades. Para o presidente, mais importante do que vender petróleo no século XXI, será exportar conhecimento. "Daqui a 15 anos ou 10 anos, este país deverá ser a quarta economia, a terceira economia ou se a gente não der sorte pode ser a quinta economia. Ele será mais fortemente a quinta economia se a gente tiver mais pobres na classe média, se tiver mais gente na universidade, se tiver mais gente fazendo curso técnico e se a gente tiver melhorado definitivamente a qualidade do ensino nesse país", afirmou Lula.
O presidente discursou na cerimônia de assinatura da ordem de serviço das obras da BR-448, em Sapucaia do Sul (RS), município da Região Metropolitana de Porto Alegre. A obra faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deve contar com investimentos federais de R$ 932,6 milhões. Lula também criticou os governantes que passaram pelo Palácio do Planalto e, na avaliação dele, não deram prioridade à educação no país. Ele disse que a maior herança de seu governo será "a mudança de paradigma" na realização de investimentos e aproveitou para alfinetar seus antecessores.
"As pessoas vão perguntar: como é que um metalúrgico consegue fazer 11 universidades, e um doutor, reitor, doutor honoris causas, não fez nenhuma? Como é que pode um torneiro mecânico fazer 214 escolas técnicas e o governo passado tinha (sic) mandado uma lei tirando do governo federal a responsabilidade pelo ensino profissional? Alguns governantes conhecem o sofrimento do povo e alguns governantes apenas leram o sofrimento do povo", afirmou Lula.
Lula continuou sua reflexão sobre a postura ideal de governantes afirmando que o país não poderia ser governado apenas com “a inteligência da cabeça ou com o conhecimento da escola”. “Se o governante não conhece a alma do povo, se o governante não consegue compreender o olhar do povo, se o governante não consegue se sensibilizar, ele não consegue governar. Um país não pode ser governado com a inteligência da cabeça ou com o conhecimento da escola. Tem que ser governado com o sentimento da alma e do coração para poder entender o povo”, analisou o presidente.
Acompanhado por uma comitiva que contava com a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com o ministro da Justiça, Tarso Genro, além de parlamentares e prefeitos do estado, Lula aproveitou o discurso para criticar a ausência da governadora Yeda Crusius (PSDB) e do prefeito da capital, José Fogaça (PMDB).
“Eu gostaria que estivessem aqui nesse palanque a governadora do estado e o prefeito da capital. (vaias) Eu sei que vocês vão vaiar, mas é que estamos aqui em um ato institucional do governo federal. Isso aqui não é uma coisa partidária, é uma coisa institucional, é um presidente da República, que tem de se relacionar com os entes federados. Lamentavelmente, nós estamos chegando perto de um ano político e essas coisas começam a atrapalhar”, disse Lula.
Robson Bonin
G1