A gripe suína - gripe A (H1N1) - deve circular no Brasil de forma mais intensa em meados de abril ou maio de 2010, informa Hélio Schwartsman, colunista da Folha de São Paulo, na edição deste sábado, 22. Após o inverno e o pico pandêmico, a tendência (válida para os estados do Sul e do Sudeste) é de redução paulatina no número de novos casos. "A julgar pelo que ocorreu no verão boreal [hemisfério Norte], nos próximos meses o novo vírus circulará por aqui num padrão mais intenso que o das cepas sazonais, mas nada tão dramático como a situação a que assistimos nas últimas semanas, quando os hospitais das regiões mais afetadas chegaram bem perto de seu limite".

Isso dá tempo ao Brasil de preparar uma estratégia para enfrentar a segunda onda da gripe "de modo mais eficiente" do que a primeira. "A principal arma deverá ser a vacinação, cuja estreia no hemisfério Norte teremos ocasião de observar antes de tomar as decisões mais graves". O texto lembra, no entanto, que ainda não foi estabelecido se serão necessárias uma ou duas doses da vacina para atingir os níveis ótimos de imunização. "Isso significa que as autoridades terão de definir os grupos prioritários sem saber exatamente quantos tratamentos terão a seu dispor".

Na frente

O Brasil ultrapassou a Argentina em número de mortes pela gripe suína, segundo dados divulgados na noite de sexta-feira pelo Ministério da Saúde argentino e pelas informações das secretarias estaduais de saúde brasileiras. São 488 mortos pela doença no País, contra 439 no vizinho, e agora está atrás apenas dos Estados Unidos (522) entre os países que divulgam sistematicamente estes dados.

A gripe suína já matou 1.799 pessoas em todo o mundo, principalmente no continente americano, desde o seu aparecimento, no final de março, segundo os últimos dados da OMS. A entidade declarou a primeira pandemia de gripe do século 21 no dia 11 de junho. No total, 170 países já confirmaram casos.

O Brasil já havia passado o México na semana passada. Na ocasião, balanço das secretarias estaduais da Saúde mostravam 277 óbitos no país, contra 162 no México. O último balanço naquele país, divulgado na quinta-feira, aponta para a morte de 170 pessoas.

Somente em São Paulo, o total de óbitos saltou de 134 - conforme balanço do último dia 11 - para 179 nesta sexta-feira. No Paraná, foram confirmadas mais 23 mortes, e o total subiu para 142 no Estado. Já o Rio Grande do Sul anunciou mais nove óbitos, elevando para 93 o número de vítimas. No Rio de Janeiro, o total de vítimas já chega a 47, com as quatro novas confirmações desta sexta-feira. Santa Catarina havia confirmado a 11ª morte no Estado - que está em situação de emergência desde o dia 3 de agosto devido à doença. Em seguida vem Minas (8), Paraíba (2), Bahia (1), Pará (1), Rondônia (1), Mato Grosso do Sul (1) e Amazonas (1), além do Distrito Federal (1).

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha o vírus, e examinada em laboratório.

Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC.



Folha Online