20 de janeiro de 2018
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Palavra do Pastor

09/01/2018

O Cânon das Escrituras


INTRODUÇÃO -  A expressão “cânon” vem do grego e significa que algo passou pela “cana”, ou seja, foi medido, avaliado e constatada a sua veracidade e precisão.

Aparentemente há uma contradição quando Moisés diz em Dt 4.2 que nada poderia ser acrescentado a palavra que, sob às ordens de Deus, ele estava ordenando.  Logo após sua morte, Josué continua escrevendo Js 24.26 e outros durante cerca de centenas de anos (mais de 1.500) continuam escrevendo as palavras de Deus.

Na realidade o cânon não estava encerrado, ali estava a base do cânon que continuaria até o desfecho final em Apocalipse. A recomendação divina visa ensinamentos contrários à base santa estabelecida por Moisés e não a continuação até à plenitude da Revelação. Se assim não fosse, Josué seria um louco reiniciando a escrita de mais um livro e o povo de Israel, obviamente, reprovaria a continuação da Revelação após a morte de Moisés.

I-  EVIDÊNCIAS DO ENCERRAMENTO DO CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

Em primeiro lugar: A tradição judaica, sem controvérsia alguma, afirmava o encerramento do cânon em Malaquias (435 a.C.). Muita coisa histórica dos hebreus foi registrada depois disso, como os livros dos Macabeus, mas nunca foram tidos por dignos de incorporarem a Santa Escritura. No próprio livro citado está escrito que na sua época não havia profetas com palavras divinamente autorizadas. Falando do altar profanado diz, em 100 a.C.: “Demoliram-no pois, e depuseram as pedras sobre o monte da Morada, em lugar conveniente, à espera de que viesse algum profeta e se pronunciasse a esse respeito” 1 Mac 4.45,46.

Em segundo lugar: Josefo *38 d.C. diz-nos: “Desde Ataxerxes até nosso dias foi escrita uma história completa, mas não foi julgada digna de crédito igual ao dos registros mais antigos, devido a falta de sucessão exata dos profetas”. (Contra Apião 1.41). Assim o que conhecemos hoje por “Apócrifos” já era conhecido no século I d.C. pelos judeus e considerados não canônicos. O Talmude babilônico nos diz: “Após a morte dos últimos profetas: Ageu, Zacarias e Malaquias o Espírito Santo afastou-se de Israel, mas eles ainda se beneficiavam do bath qol (voz do Céu).

Em terceiro lugar: Jesus e os santos autores do Novo Testamento citam mais de 295 várias partes das Escrituras Canônicas do Antigo Testamento como palavras autorizadas por Deus, mas nem uma vez sequer citam alguma declaração extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se tivessem autoridade divina.

Em quarto lugar: Nem mesmo Jerônimo, o tradutor da Vulgata Latina, na época em que o Romanismo estava em ascensão ( 404 d.C.) cria que os apócrifos eram inspirados, pois na nota de sua Bíblia diz que eles eram “livros da Igreja” e “não do Cânon”. Lamentavelmente, mesmo assim os traduziu e os pôs no apêndice e isso os popularizou e facilitou sua aceitação no futuro.

Em quinto lugar: A mais antiga lista cristã do Antigo Testamento que existe até hoje foi escrita por Melito, bispo de Sardes em 170 d.C. :

 “Quando cheguei ao oriente e encontrei-me no lugar em que essas coisas  foram proclamadas e feitas, e conheci com precisão os livros do Antigo Testamento avaliei os fatos e os enviei a ti. São esses os seus nomes: Cinco de Moisés, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, e Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livro dos Reinos, dois de Crônicas, os Salmos, os Provérbios de sua sabedoria, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Jó, os profetas Isaias, Jeremias, os doze num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras”

Euzébio citando Orígenes (+254 d.C.) confirma a maioria do nosso  Cânon, inclusive Ester, mas nenhum dos apócrifos. Também Atanásio, bispo de Alexandria, em 367 d.C. em sua 39ª Carta Pascal alistou todo o nosso cânon, exceto Ester. Disse que os apócrifos “Não são incluídos no cânon, mais indicados pelos Pais da Igreja para serem lidos pelos que desejam instrução na palavra da bondade”.

Em sexto lugar: Somente em 1546 na contrarreforma, o Concílio de Trento declarou canônicos ao atuais (7) livros que estão a mais em suas Bíblias. O objetivo é óbvio: Aproveitar-se deles para a justificação pelas obras, sacrifício pelos mortos e dizer que a Igreja tem autoridade para dizer o que é e o que não é canônico.

Em sétimo lugar: Que os apócrifos têm valor para pesquisa histórica, linguística, exemplos de fé e coragem de servos de Deus do período intertestamentário, é verdade, todavia nunca fizeram parte do cânon do Antigo Testamento. Assim sendo não são considerados Palavra de Deus pelos seguintes motivos: 1) Não atribuem a si mesmo a autoridade que possuem os livros canônicos. 2) Os judeus, detentores da revelação divina (Rm 3.1,2) nunca os consideraram inspirados. 3) Jesus e os escritores do Novo Testamento, nunca os citaram. 4) Contêm ensinos incoerentes com o restante da Bíblia.

II-  O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

Em primeiro lugar: Para entendermos a composição do Novo Testamento faz-se necessário lembrar que o Antigo termina profetizando acerca do Messias que viria (Ml 3.1-4; 4.1-6). Assim, não houve acréscimo algum a Revelação até o que próximo e extraordinário evento acontecesse.

Em segundo lugar: O Novo Testamento inicia-se com os escritos dos apóstolos, relatando que a velha profecia se cumprira em Cristo e seu ministério. O Senhor Jesus prometera essa capacitação apostólica para o registro da Palavra Divina em João 14.26 e 16. 13,14 quando falou da vinda do Consolador que ensinaria, faria lembrar e guiaria em toda verdade.

Em terceiro lugar: A autencidade apostólica é tão séria, ao ponto de Pedro nos dizer que o mandamento do Senhor e Salvador, foi “ensinado pelos apóstolos” 2 Pe 3.2. Os apóstolos tinham tanta autoridade do Espírito Santo que mentir a eles era mentir a Deus. At 5.2-4. Paulo disse que o que escrevia em suas epístolas era “mandamento do Senhor”. 1 Co 14.37  e que Cristo falava por intermédio dele. 2 Co 13.3

Em quarto lugar: Muito cedo os escritos apostólicos já eram considerados canônicos com o era o Antigo Testamento. Em 2 Pe 3.15,16 o apóstolo da circuncisão nos diz que já em seus dias as epístolas de Paulo eram consideradas “Escrituras” como as “demais” isto é o Antigo Testamento. Em 1 Tm 5.17,18 Paulo nos diz a “Escritura declara”: Não amordaces o boi quando pisa o trigo. E ainda: “O trabalhador é digno do seu salário”. A primeira citação chamada de Escritura está em Dt 24.5 e a segunda em Lc 10.7. Assim, o evangelho de Lucas, já era recebido pela igreja nascente com o mesmo valor canônico do Antigo Testamento.

Em quinto lugar: Os escritores do Novo Testamento que não eram apóstolos, tiveram seus livros logo considerados canônicos porque os mesmos beberam de fontes espirituais insuspeitas: Marcos de Pedro, Lucas de Paulo, Judas de Tiago e Hebreus de alguém relacionado com Paulo. Hebreus mostra a glória de Jesus tão resplandecente que crente algum seria capaz nem de pensar em exclui-la do cânon. Ainda mais as ovelhas de Jesus conhecem a voz do seu pastor. Jo 10.27 pois têm o testemunho interior do Espírito Santo. Rm 8.16, Jo 7.16,17, 1 Jo 2.20.

Em sexto lugar: Muito cedo os pais apostólicos tinham consciência de que o cânon estava encerrado, Inácio, o bispo de Antioquia  em cerca de 110 d.C. pouco tempo depois da morte de João escrevendo suas cartas aos cristãos dizia: “Não vos ordeno como fizeram Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, eu sou um condenado, sou até agora escravo.

Em sétimo lugar: No ano 367 d.C. Atanásio, o campeão da ortodoxia, em sua trigésima nona carta pascal aos fiéis de seu campo eclesiástico no Egito, apresenta a lista dos 27 livros do Novo Testamento, que temos hoje, como recebidos pela Igreja desde tempos primitivos. Em 397, trinta anos depois, o Concílio de Cartargo corroborou e definiu o cânon Neo Testamentário.

Em oitavo lugar: Hebreus nos diz que no Antigo Pacto Deus falou de muitas maneiras e que agora, nos últimos dias falou por meio do Filho. Hb 1.1,2. Isso nos mostra que depois do Filho, ninguém tem mais o que dizer para completar as Escrituras. Apocalipse, não podia estar em lugar mais lógico do que no de último das Escrituras, pois é lá que está a revelação do fim das coisas e da conclusão do plano redentor. Ali ameaça severamente ao ousado que tentar alterar o cânon sagrado. Ap 22.18,19. Os demais livros poderiam estar distribuídos de outra forma, mas Gênesis e Apocalipse não poderiam estar na Bíblia em lugares diferentes do que estão.

Conclusão: Assim sendo, aferremo-nos com convicção às Santas Escrituras que possuímos e preguemos suas palavras com fervor e autoridade.


 Soli Deo Gloria

Rev. José Orisvaldo Nunes de Lima

Presidente da IEADEAL e COMADAL

Advogado, Bacharel em Teologia, professor de várias disciplinas teológicas na FAFITEAL e articulista do Mensageiro da Paz e Revista Obreiro Aprovado - CPAD

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