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06/12/2008

Pr. Claudionor Tenório: o missionário que revolucionou a Bolívia e o Equador

Ainda jovem teve uma visão de que faria uma grande obra em outro país


Pr. Claudionor Tenório recebe diploma de curso teológico no Equador

Quem conheceu e conviveu com o pastor Claudionor Ten?rio Cavalcante lembra o empenho e a dedica??o dele ? obra do Senhor. Com a voca??o de evangelista, logo encontrou o caminho mission?rio e conquistou muitas vidas para Cristo. A hist?ria deste batalhador da f? ? contada pela esposa, Quit?ria Alves Cavalcante e por um dos nove filhos, Daniel Cavalcante.

Pelas recorda?es dos parentes e por um peda?o de papel que o pastor datilografou relatando alguns fatos, foi poss?vel saber informa?es preciosas sobre a trajet?ria de vida dele. Nasceu em 14 de dezembro de 1937, no munic?pio de Messias, fruto do casamento entre o ferrovi?rio Justo Ten?rio Cavalcante e da dona de casa Maria Jos? da Silva.

A inf?ncia parecia bem at? ele completar 12 anos. Os pais resolveram se separar obrigando o menino a decidir qual rumo tomar, se ficaria com o pai ou com a m?e. A figura masculina sobressaiu e a vida passou a ser outra. A madrasta ? Filomena de Jesus Cavalcante ? que viria a seguir se tornaria uma verdadeira m?e para o garoto. A moradia agora passou a ser em uma casa localizada em terras de uma usina, em Rio Largo.

O casamento do pai lhe presenteou com dois irm?os. J? a uni?o da m?e trouxe tr?s herdeiros. O conv?vio sempre foi harm?nico. Dentro de casa, Francisco era o xod? da fam?lia e um dos mais paparicados.

Na fase da adolesc?ncia ajudou muito os pais trabalhando na feira. Quando foi crescendo conseguiu uma vaga em um restaurante, mas logo depois, influenciado pelo pai, entrou em um col?gio de padres. Justo Ten?rio era funcion?rio p?blico e pela posi??o social que tinha n?o foi dif?cil articular o estudo para o filho. Al?m disso, havia a determina??o para nunca entrar numa igreja evang?lica para n?o se contaminar com os ?bodes? crentes, como eram taxados os protestantes em ?pocas passadas.

Quando estava pr?ximo de completar 18 anos fez o alistamento nas For?as Armadas e passou a contribuir com o Ex?rcito Brasileiro. A nova rotina de trabalho n?o permitia mais a freq??ncia ?s aulas da escola cat?lica. Numa noite, quando ele estava a caminho de um baile na companhia dos amigos, passou em frente ? Assembl?ia de Deus em Murici. O louvor entoado pelo coral fez com que ele desistisse de ir ? festa e assistisse ao culto da janela do templo. Os amigos seguiram para o destino.

O cora??o j? amolecido pela Palavra de Deus o incentivou a retornar ao culto na semana seguinte. O prop?sito seria aceitar Jesus; e foi o que aconteceu no dia 26 de dezembro de 1955. O pastor da congrega??o era Jos? Ant?nio Almeida. A partir daquele momento come?ava a dar os primeiros passos, por?m o que ardia em seu cora??o era ganhar almas para Cristo. ?Ele gostava muito de sair de bicicleta com os irm?os para evangelizar?, lembra Quit?ria Alves Cavalcante, a esposa.

O batismo nas ?guas aconteceu no dia 3 de setembro de 1956 e foi celebrado pelo saudoso pastor Ant?nio R?go Barros. Dez meses ap?s esta b?n??o, foi agraciado com o batismo pelo Esp?rito Santo.

O relacionamento afetivo come?ou de uma forma diferente. A turma de recrutas do Ex?rcito em que ele estava inserido foi mobilizada em 1957 para o munic?pio de Arapiraca, agreste de Alagoas. A tropa refor?aria a seguran?a na cidade por conta da grande movimenta??o em decorr?ncia do falecimento de um parlamentar.

Quit?ria Alves, crente desde crian?a, conheceu o rapaz, a paquera foi iniciada, por?m foi interrompida pela viagem a Israel por convoca??o do Governo brasileiro. Os soldados foram enviados pela ONU com o objetivo de dar suporte ?s tropas de outros pa?ses durante a guerra que castigava os israelenses. O conflito gerou a tomada do Monte Sinai. Por?m, antes de se tornar expedicion?rio, Claudionor Ten?rio prometeu casar com a pretendente assim que retornasse.

Com o fim da guerra, ap?s um ano de um m?s, a tropa brasileira voltou para o Brasil. Mesmo com o pedido do comandante para que ele fixasse resid?ncia no Rio de Janeiro, o prop?sito de casar estava arraigado no cora??o dele. Durante a viagem, comprou o vestido da noiva, o terno, alguns objetos para casa e ainda ganhou um som do major. Enquanto estava na miss?o, arrumava um jeito de enviar sempre uma carta para a amada. Nos escritos, havia sempre a promessa de que os dois seriam muito felizes juntos.

O reencontro foi emocionante e a surpresa dela com a estrutura praticamente pronta para a cerim?nia, marcada para o dia 13 de janeiro de 1959, em Arapiraca. Durante seis anos o casal morou neste munic?pio e foi l? que Deus fez de Claudionor Ten?rio um grande ganhador de almas. Serviu ao Senhor como porteiro e professor da Escola Dominical, por?m o desejo maior era de sair pelas ruas entregando folhetos e participando de concentra?es.

Nove filhos nasceram como recompensa da uni?o. S?o eles: D?bora, Daniel, D?rio, Dile?, Din?, Dilson e Danjaine. Dois deles morreram ainda pequenos. Dile? ? casada com o pastor N?stor Morocha, um dos filhos na f? de Claudionor Ten?rio, quando foi mission?rio na Bol?via.

Com o bom desempenho na obra do Senhor, foi separado ao diaconato no dia 6 de outubro de 1963. A indica??o veio do pastor Moreira da Costa, que estava em Arapiraca. A consagra??o ao presbit?rio aconteceu em outubro de 1967, por meio do pastor Levino Barbosa, tamb?m daquela cidade. A a??o pastoral veio em seguida com o des?gnio para Campo Alegre, no ano de 1965.

JORNADA

A primeira congrega??o sob os cuidados dele s? tinha duas irm?s crentes e o templo ainda n?o havia sido constru?do. Para iniciar a obra, precisou alugar um sal?o onde celebrava os cultos. Os primeiros convertidos foram surgindo e a constru??o do templo foi necess?ria. O trabalho evangel?stico foi constante na localidade e muitas vidas se renderam aos p?s de Cristo.

Certo dia teve a revela??o de qual seria a chamada de Deus em sua vida. A vis?o detalhava um ambiente diferente, talvez em outra parte do mundo, em que o pastor pregava o evangelho para pessoas com o idioma diferente do portugu?s. O local parecia uma feira, conforme Daniel Cavalcante, filho de Claudionor.

A revela??o viria a ser confirmada algum tempo ap?s, com a conversa dele com o pastor Juvenal Pedro, ent?o presidente da Assembl?ia de Deus em Alagoas. O ministro convocou a presen?a do obreiro no Culto de Santa Ceia para tratar de assuntos importantes. O chamamento causou expectativa em Claudionor. A conversa tinha a finalidade de perguntar se ele tinha interesse e chamado para ser enviado como mission?rio para a Bol?via.

A necessidade era grande e o minist?rio estava orando a algum tempo no prop?sito de Deus levantar um pastor mission?rio. O di?logo com o pastor Juvenal ficou restrito aos dois at? que no outro m?s os detalhes foram acertados para a viagem. Foi somente neste dia que a fam?lia de Claudionor Ten?rio soube que tinha uma miss?o a cumprir em outro pa?s. A resist?ncia foi grande.

Quit?ria Alves conta que n?o tinha interesse em deixar a fam?lia e seguir viagem, por isso decidiu orar. Numa das vig?lias, ela foi batizada pelo Esp?rito Santo. A confirma??o para cumprir o chamado mission?rio veio apenas quando Deus se revelou para ela em sonho. A revela??o mostrava a esposa do pastor em um pa?s onde n?o conhecia o idioma oficial. ?A partir deste sonho, n?o tive mais d?vidas de que Deus estava no neg?cio?, disse Quit?ria, comentando que a fam?lia tamb?m preferiu aceitar a vontade do Senhor.

Em pouco tempo, os tr?mites para a viagem foram providenciados. Juvenal Pedro o consagrou pastor no dia 01 de janeiro de 1970. Quatro dias depois, a fam?lia embarcava para a Bol?via. As dificuldades foram in?meras. Falta de alimenta??o e de moradia foram alguns dos problemas enfrentados logo quando chegaram ? na??o.

A hospedagem no primeiro m?s foi providenciada pelo pastor Joel (RJ) ? era ele quem recebia os mission?rios de outros pa?ses em Santa Cruz de la Sierra. Ap?s um m?s na casa do ministro, conseguiram alugar uma moradia rec?m-constru?da, por?m n?o tinham como mobili?-lo. Para dormir, forravam uns jornais no piso e com as roupas faziam o dormit?rio.

A alimenta??o foi providenciada por Deus, por meio da enfermeira conhecida por Del?cia. A profissional passava todos os dias na resid?ncia do pastor e deixava um pouco de dinheiro para comprar comida. ?Muitas vezes quando ela chegava, n?o t?nhamos nada para comer?, relata a esposa do pastor. Ela explica que o dinheiro ficava bloqueado no Brasil por conta de barreiras alfandeg?rias.

Quando se instalou, foi designado pela conven??o boliviana dos mission?rios para assumir o distrito industrial de B?lgica. Nesta localidade, nenhuma pessoa havia sido evangelizada at? aquele momento. No entanto, com o bom empenho do pastor e da fam?lia dele vidas foram alcan?adas e at? hoje ? um dos campos pr?speros da Bol?via.

Ap?s tr?s meses na B?lgica chegou a Oruro. O local j? tinha alguns crentes, mas ficava a quase quatro mil metros de altitude. Os problemas de sa?de prejudicaram, mas n?o impediu que o trabalho fosse executado. O pastor Juvenal Pedro e outros obreiros chegaram a visitar o trabalho neste munic?pio. Por fim, chegou ao munic?pio de Trinidad, onde permaneceu por quatro anos. Construiu templos e viu muitas almas se convertendo a Cristo.

Retornou para o Brasil em 1974, passou tr?s meses congregando na igreja-sede, no Farol, onde atuou como superintendente da Escola Dominical. Passou a dirigir a congrega??o em Palmeira dos ?ndios e ficou por l? durante dois anos. Retornou para o exterior, no dia 21 de janeiro de 1976. O pa?s agora era o Equador, onde trabalhou at? 1982.

Nesta na??o, o trabalho foi iniciado com a convers?o de um vigia usu?rio de drogas. Ele convidou o primo, que trouxe outros parentes. Um deles ? o pastor Carlos Burgos, que hoje est? no Peru. A filha dele, Dile? casou-se com um dos primeiros crentes, e at? hoje d?o continuidade ao trabalho iniciado pelo pai na cidade de Machala.

Quando voltou para o Brasil, ainda dirigiu as congrega?es em Uni?o dos Palmares, Palmeira dos ?ndios (retornou), Propri? e Est?ncia (Sergipe), Santana do Ipanema, S?o Miguel dos Campos e Rio Largo.

Em S?o Miguel sentiu os primeiros sintomas da doen?a que o feriu gravemente. Um v?rus chegou silencioso, mas mortal. Durante tr?s anos sentia fortes dores na regi?o do abd?men, procurou v?rios especialistas e apenas um cardiologista detectou a enfermidade. Os cuidados foram providenciados, mas algumas complica?es internas fizeram com que o pastor-mission?rio n?o resistisse e morresse no dia 8 de janeiro de 1995.

LI??ES

?O compromisso dele com a obra de Deus chama a aten??o. Pai zeloso, cuidadoso com os filhos, que n?o tinha por precioso o seu bem-estar foram as principais li?es que ele deixou para mim. Hoje sou crente pelo que aprendi dos ensinamentos dele?, pontua Daniel Cavalcante.



Thiago Gomes
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