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09/03/2018

Governo de Ruanda fecha mais de 700 igrejas em ação contra o cristianismo

A ação acusa as igrejas de violarem leis de segurança na construção de seus templos.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DO CHARISMA NEWS

Um movimento do governo de Ruanda para fechar mais de 700 igrejas em sua capital - alegando que elas violam leis de "segurança na construção", higiene e barulho - está levando o governo do presidente Paul Kagame a ser acusado de violar a liberdade religiosa no país.

Na última terça-feira (6 de março), a polícia deteve seis pastores, acusando-os de conspirar para reunir outros outros líderes cristãos para desafiar as ordens de fechamento do governo.

Anastase Shyaka, o executivo-chefe do Conselho de Governança de Ruanda, que ordenou o fechamento dos templos, disse que a ação tinha como objetivo "honrar a Deus".

"Isso significa que, se somos cristãos, o local onde adoramos deve cumprir os padrões que mostram respeito a Deus", Shyaka disse ao 'New Times', um jornal ruandês de língua inglesa.

A maioria dos 714 templos fechados eram pequenas igrejas pentecostais, bem como as que se multiplicaram em África nas últimas décadas.

O bispo luterano Evariste Bugabo disse que a ordem de fechamento "não visa qualquer denominação".

"É uma questão de higiene e segurança para os membros da igreja", disse ele. "Enquanto as igrejas se multiplicaram muito rapidamente em Ruanda, aquelas que cumpriam os requisitos estão seguras".

Há mais de 1.300 igrejas em Kigali, capital de Ruanda, uma cidade de quase 1,2 milhão de pessoas.

"São esses poços que dão água às pessoas?", disse Kagame em uma crítica amplamente citada sobre o número de igrejas na cidade.

"Eu não acho que temos tantas fontes assim. Isso se tornou uma bagunça", ele acrescentou em suas declarações em um retiro de liderança nacional na semana passada.

David Himbara, um defensor de desenvolvimento internacional ruandês com sede no Canadá, chamou a justificativa do governo para o fechamento das igrejas de falsa e disse que "os verdadeiros motivos ... são o medo e a paranóia".

"Kagame controla firmemente a mídia, os partidos políticos e a sociedade civil em geral", escreveu Himbara. "As igrejas constituíam o último espaço aberto a ser dominado. Kagame sabe disso. A comunidade de igrejas locais ofereceu um pequeno espaço para ousar imaginar e falar sobre mudanças".

Himbara argumentou que os problemas de higiene são generalizados em Kigali, que não possui sistema de esgoto ou planta de tratamento.

O caso mais recente de um templo desabando na cidade ocorreu há uma década, quando uma igreja católica desmoronou, enquanto ainda estava em construção, matando duas pessoas e ferindo 14.


Da Redação/AD Alagoas
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