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14/04/2017

Por que Jesus morreu? Conheça quatro teorias sobre a Expiação

"E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 2 Coríntios 5:15


Uma das crenças mais fundamentais da fé cristã é que Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz pelos pecados do mundo. Mas por que ele precisou morrer? Não haveria outra maneira desse pagamento ser feito em favor dos pecadores?

Ao longo da história do cristianismo, muitas teorias sobre a doutrina da expiação foram propostas para se explicar o porquê da morte de Jesus.

Essas teorias de expiação, também chamadas de “modelos” ou “perspectivas”, podem se sobrepor e por vezes, difíceis de se distinguir.

Adonis Vidu, professor de Teologia do Seminário Teológico Gordon-Conwell, em Massachusetts, explica que essas ideias não devem ser consideradas  de maneira isoladas. “Cada teoria tenta preservar importantes motivos bíblicos. A discussão contemporânea não é tanto sobre qual teoria é a correta, mas sobre como os vários modelos da expiação devem estar logicamente relacionados uns com os outros”, explica Vidu.

“Não é necessário restringirmos o pensamento a apenas uma delas. Cada uma afirma verdades importantes, a questão é como todas essas verdades oferecem uma visão coerente e biblicamente fiel da obra de Cristo”.

Os quatro principais de modelos de expiação defendidos pela maioria dos teólogos são:

1 – Teoria do Resgate

Baseia-se na imagem de Jesus sendo oferecido como “resgate de muitos”. Ela defende que  o resgate que Cristo pagou para nos redimir foi dado a Satanás, em cujo reino se encontravam todas as pessoas devido ao pecado.

Essa visão foi sustentada por Orígenes, teólogo de Alexandria que viveu no século II,  e depois dele por alguns outros na história antiga da igreja. De acordo com esse ponto de vista, Jesus pagou o preço devido a Satanás pela humanidade, que antes da crucificação do Filho era mantida em escravidão do Diabo.

Uma variação da teoria do resgate é chamada de “Christus Victor” [Cristo Vitorioso], que apareceu na década de 1930s e salienta a cruz como a vitória de Deus sobre o pecado e a morte.

Glenn R. Kreider, professor Seminário Teológico de Dallas, acredita “Das teorias substituitivas, a do resgate possui  benefício de apoio explícito bíblico. Afinal, Mateus 20:28 e Marcos 10:45 afirmam que Jesus deu a sua vida como um resgate “.

Contudo, ele faz ressalvas, lembrando que estudiosos têm um problema em achar que Deus “devia” algo a Satanás, o que daria ao anjo caído um poder maior do que é atribuído a ele pelas Escrituras.

“Ao longo da história da igreja, houve várias tentativas de responder à pergunta: a quem foi pago o resgate? A Bíblia não trata disso, concentrando-se apenas no alto preço de nossa redenção, a vida do Filho de Deus”, ressalta Kreider.

2 – Teoria da Substituição

Também chamada de Substituição Penal, essa explicação e suas variações enfatizam o sofrimento de Cristo na cruz como um substituto para a humanidade pecadora.

Esta teoria considera a expiação de Cristo como um sacrifício vicário e substitutivo, que satisfaz as exigências da justiça de Deus sobre o pecado. Através  do seu sacrifício, Cristo pagou a penalidade do pecado do homem, trazendo perdão, imputando justiça e reconciliando o homem com Deus.

Essa é uma teoria muito popular entre os que seguem a linha do reformador João Calvino, que abordava essa perspectiva em seus escritos.

O professor Kreider afirma se identificar com ela, pois seria a única “distintamente cristã”.  Ele lembra que, desde o início da história da redenção, a substituição é enfatizada nas Escrituras.

Em Gênesis, “quando Adão e Eva pecaram, Deus matou um animal para oferecer a eles  roupas de pele animal”. Além disso, Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf João 1:29), “portanto ele cumpre a tipologia do sistema sacrificial da Antiga Aliança “, sublinha Kreider.

3 – Teoria do Exemplo

Ela possui pequenas variações nos teorias do Exemplo Moral e da Influência Moral. Esse modelo se concentra mais na vida de Jesus do que na crucificação ou na ressurreição.

A teoria do exemplo, à semelhança da teoria da influência moral, nega que a justiça de Deus exija castigo pelo pecado. Ela defende que a morte de Cristo simplesmente nos provê um “exemplo” de como devemos confiar em Deus e obedecer-lhe de modo perfeito, mesmo que essa confiança e obediência nos levem a uma morte horrível.

A teoria do mero “exemplo moral” é muito criticada por diminuir a importância da divindade de Jesus, bem como a necessidade de que os pecados sejam perdoados.

O doutor Robbie Crouse, professor  do Seminário Knox, aponta que este modelo tem “insuficiências notáveis”. “Vejo que o modelo exemplar está na Escritura, pois devemos seguir o exemplo de Cristo, que se ofereceu na cruz por amor. Mas da perspectiva de Deus redimindo a humanidade pecadora, ela é muito limitada”, argumenta.

4 – Teoria da Satisfação

Vista como a precursora da Teoria da Substituição Penal, a Teoria da Satisfação foi desenvolvida por Anselmo, Arcebispo de Canterbury, que viveu entre 1033 e 1109.

Anselmo argumentava que o pecado do homem, por falhar em render a Deus aquela conformidade a Sua vontade, que as criaturas racionais Lhe devem, insulta a honra de Deus e faz o ofensor responsável por uma satisfação.

Visto que desonrar o infinito Deus é pior do que destruir incontáveis mundos, até mesmo o menor pecado tem um desvalor infinito, o qual nenhum bem criado pode compensar por meio de uma satisfação. Embora a natureza de Deus impeça que Seus propósitos sejam ou possam ser frustrados pela resistência da criatura, Sua justiça requer que Ele não faça vistas grossas para uma ofensa tão grande contra Ele.

O teólogo R.C. Sproul explica que “Esse ponto de vista tornou-se a peça central da ortodoxia cristã clássica na Idade Média, no tocante à compreensão da igreja sobre a obra de Cristo em Sua expiação”.

Apesar de ser anglicano, a explicação de Anselmo permanece forte em segmentos dentro da Igreja Católica Romana. Traduzido e adaptado de Christian Post


Da Redação/AD Alagoas
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