15 de agosto de 2018
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Artigos

Pr. Napoleão de Castro
Pastor da Assembleia de Deus em Paulo Jacinto, Casado com Jeane Castro e pai de Elner Castro. Bacharel em Teologia pela Faculdade de Filosofia e Teologia de Alagoas (FAFITEAL), membro da Convenção de Ministros de Alagoas (COMADAL), pregador e professor de diversas matérias bíblicas.
21/09/2017

O Medo


Verdade é que não há nenhuma sensação que se compare à das garras geladas do medo. Medo que se apresenta em variadas formas. Deus nos atribuiu o medo para que usássemos de sabedoria ao nos proteger do inesperado.

 O medo nos supre com surtos instantâneos de força e velocidade, justamente quando precisamos delas. É um instinto básico de sobrevivência, bem- vindo – desde que permaneça racional. Mas há também o tipo de medo denominado fobia, resultante do desequilíbrio entre o medo e a razão

O PROBLEMA DO MEDO ESTÁ NA INTENSIDADE

O problema começa quando falamos de intensidade. Até que ponto é normal ter medo de algo? Quando deixamos de viver a vida de forma leve e tranquila , quando alguém deixa de lado compromissos, quando se adia ou interrompe o ciclo natural das atividades, possivelmente estamos falando de um medo acima do esperado e isso é considerado algo prejudicial. O medo dificulta muito a vida quando a principal ferramenta para lidar com ele é evitá-lo. "Eu não queria ter medo, só estava me protegendo do que me faz mal". E, assim, podemos entender que tal sentimento está além do saudável e desejado;  as coisas em excesso não costumam  fazer bem.

ALÉM DOS SINTOMAS EMOCIONAIS, EXISTEM REAÇÕES FÍSICAS.

O sofrimento causado pelo medo vai além dos pensamentos e das sensações psíquicas. É algo que se transforma em sintoma físico. Muito parecido com estresse.

O estresse é uma reação do organismo (física, mental, hormonal etc.) que acontece quando há uma sobrecarga, uma necessidade intensa de adaptação, normalmente com situações de grande importância na vida pessoal ou profissional, podendo estar ligado a uma situação positiva ou negativa. Tudo o que é em excesso e que sobrecarrega o organismo não é bom. As ações ficam prejudicadas e os resultados são insatisfatórios; a qualidade do que se faz fica consideravelmente comprometida e o corpo responde em seguida, e seu sinal de alerta são as doenças.

Mentalmente, os sintomas mais comuns do estresse são:

1. Dificuldade de concentração e retenção de informação. A memória fica prejudicada e o resultado é uma baixa qualidade na produtividade.

2. Pensamento acelerado, desorganização e confusão mental.

3. Pouco ânimo para as coisas comuns do dia a dia.

4. Cansaço constante.

5. Percepção negativa de si, podendo gerar baixa auto-estima, depressão, insatisfação e irritabilidade.


Fisicamente, os sintomas mais comuns são:

1. Tensão muscular e dificuldade de relaxamento físico.

2. Dores de cabeça ou estômago.

3. Coração acelerado (taquicardia).

4. Problemas de pele e outras doenças.

Os sintomas da ansiedade não são iguais aos do estresse e também estão presentes quando alguém sente medo. São reações emocionais e também físicas que podem variar de intensidade de pessoa para pessoa e também de acordo com um momento que cada um está vivendo.


Reações psicológicas:

1. Pensamento acelerado.

2. Pensamento confuso, por ter várias informações passando na mente ao mesmo tempo.

3. Pensamento negativo (medo que aconteça o pior).

4. Medo de morrer.

5. Sensação exagerada de fome ou perda de apetite.

6. Dificuldade de desviar o pensamento ruim para algo tranqüilo, para conseguir "relaxar a mente", diminuir o diálogo interno (nossas conversas internas; nós falamos sozinhos mentalmente para organizar nossos pensamentos, nossas idéias e desejos. No entanto, essas conversas nem sempre são produtivas).


Reações físicas:

1. Suor, mas não devido à temperatura do ambiente.

2. Tremor no corpo ( mãos/ou pernas).

3. Formigamento ( nas extremidades, mais comum nos braços e mãos).

4. Tensão muscular ( ombros e costas ).

5. Dificuldade de relaxar o corpo.

6. Dificuldade para dormir.

7. Desconforto e/ou mesmo dor no abdômen, intestino .

Minha intenção em descrever tais sintomas é justamente mostrar como é possível entender que o medo tem características de algo que merece atenção e que há tratamento. O medo não é uma bobagem ou qualquer coisa que vem e vai. Você merece viver sem ele, por isso, faça acontecer.

"O medo me protege para que eu não perca o controle. Sendo assim, sou salvo de mim mesmo.". E se você soubesse confiar mais em Deus e em si?


Futuro

O medo acontece a princípio como proteção, mas a intensidade pode ficar fora do padrão adequado. Por isso, podemos entender tal sentimento como sendo apenas ansiedade, e toda ansiedade pode ser, de alguma maneira, um medo. A ansiedade é um conjunto de reações físicas e psíquicas que geram uma tensão excessiva, ou seja, uma preocupação exagerada. Podemos dizer que se trata de antever, preocupar-se antes do tempo, viver o presente como se fosse um futuro imaginado e ruim; configurando, assim, a falta de fé e de crença num futuro melhor.

Ao pensar num futuro catastrófico, começa-se a viver no presente esse "caos" imaginado. Por isso, os sintomas físicos são tão negativos e intensos. O corpo reage imediatamente frente ao que se pensa. O corpo e a mente vivem e respondem aos pensamentos e não à realidade do presente. Dentro desse contexto, as reações físicas são ruins.


ALGUNS TIPOS DE MEDO

1. Sair de casa

2. Ir às lojas

3. Multidões (Agorafobia)

4. Locais públicos

5. Viajar sozinho (Autofobia)

6. Ficar sozinho (Isolofobia)

7. Animais (Zoofobia)

8. Lugares fechados (Claustrofobia)

9.  Dirigir um carro (Motorfobia)

10. Voar de avião (Aerodromofobia)

11. Falar em público (Glossofobia)

12. Agulha (Belonofobia)

13. Sangue (Hemofilia)

14. Ir ao médico/dentista (Latrofobia/Odontofobia)

15. Altura (Batofobia)

16. Chuva (Ombrofobia)

17.  Elevador (Agorafobia)

De modo geral, os medos parecem irracionais, de difícil compreensão e o que impede o indivíduo de se comportar de maneira normal, saudável, positiva e aceitável sociavelmente diante da situação que gera esse sentimento tão negativo e de controle complicado para quem o sente. A dificuldade em superar uma experiência ruim fica marcada na mente e, para alguns, o registro é de um "trauma" que pode ter sido real ou imaginário.

"Eu tenho muito medo" - A questão não é se você tem medo ou não, mas como reage a partir desse sentimento.


O MEDO NA BÍLIA

O temor de Deus é o único que remove todos os outros. Com esta frase, Jay Adams sintetiza a verdade bíblica a respeito do medo. Deus criou o homem perfeito, sem medo e sem culpa. Na criação primitiva do homem, havia completa harmonia entre espírito, alma e corpo. O homem era integral, inteiro, sem qualquer transtorno espiritual, psíquico, emocional e fisiológico.

Elohim criara o homem refletindo sua imagem e semelhança (Gn 1.27-28). Existia completa harmonia entre a imagem moral e natural. Todavia, essa conformidade entre natureza moral e natural, entre espírito, alma e corpo, entre o espiritual e o somático foi interrompido pelo pecado.


Primeiro registro bíblico

O primeiro registro bíblico da palavra "medo", "temor" ou "pavor" acha-se em paralelo ao problema do mal moral, do pecado, da queda, do pecado original. Diz a Bíblia: E chamou o Senhor Deus a Adão e disse- lhe: Onde estas? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi- me. (Gn 3.10). O medo, segundo o literato de Gênesis, é produto do pecado, ou melhor, da perda da comunhão com Deus. Não há medo quando o crente está na relação certa com o Criador! Enquanto Adão mantinha-se em harmonia e comunhão com Deus, nada o atormentava. O medo não existia antes da queda, mas assumiu o posto da emoção humana quando o homem foi suficientemente corajoso para desobedecer o mandamento divino!


O primeiro medo

O primeiro medo não foi o de pecar, de ouvir a serpente, ou o medo da morte, mas o de ouvir a suave voz de Deus: “Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi- me”. O pecado afetou tanto a comunhão com Deus, que o homem temera a voz do seu Criador. Quão diferente é o temor de Habacuque: “Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi” (C. 3). O temor do profeta o motiva a clamar ainda mais ao Senhor: Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos, anotaria; na ira lembra-te da misericórdia. Na relação certa com Deus, o temor se torna em oração suplicante e intercessora.

Porém, rompida comunhão com Deus, o medo se torna em desespero e transferência de culpa: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi (Gn 3.12). O medo é desagregador, assim como o pecado. Faz com que o indivíduo desconfie do outro, que lhe é semelhante. Ao contrário do amor que não "suspeita mal"... [e] tudo crê" (1Co 13.4-7), o medo desconfia das pessoas, suspeita mal até das boas ações.

O medo também impede o indivíduo de assumir suas responsabilidades e o seu papel como homem ou mulher. Adão, como cabeça de sua esposa, deveria protegê-la não apenas da tentação, mas também da responsabilidade da culpa. Pelo contrário, transferiu à mulher a responsabilidade da Queda. Nesse momento, Eva, provavelmente, sentiu-se desprotegida. Seu marido, com medo das consequências do pecado, tenta, inutilmente, transferir-lhe a culpa. A tensão estava presente. A brisa suave cedera ao rubro das circunstâncias. Antes confiança, agora medo! Outrora afeto, agora desconfiança! O medo presente em todas as emoções humanas. Inutilmente transferiram a culpa a uma serpente e Deus responsabilizou-os individualmente.

O medo adâmico o fez esquecer de suas responsabilidades e missão como chefe de família.  Desesperado  pela própria segurança, ninguém  se preocupa com a dor do outro. É necessário altruísmo e alteridade para preocupar-se com o outro quando você sente o mesmo perigo. Adão esqueceu-se de sua mulher, quando se viu no mesmo perigo. O medo impede que as pessoas enfrentem os seus problemas, pois se trata de uma auto- proteção, capaz de impedir que você se mova em direção a outro. Já o amor é muito diferente. O amor aproxima você não apenas das pessoas, mas o faz encarar seu próprio problema e medo. Quantas mães, embora frágeis, já enfrentaram terríveis animais para livra os seus filhos! O medo afugenta, mas encoraja.


Termos Bíblicos

No Antigo Testamento, o primeiro termo para medo em Gênesis 3.10 é ‘Yare', cujo significado é "temer", "ter medo", " ter grande temor",  mas também "reverenciar". No original, a palavra é usada segundo Vine, por volta de 330 vezes. Este vocábulo, o mais comum no Antigo Testamento, é usado em cinco categorias: a) A emoção do medo; b) A previsão intelectual do mal; c) Reverência ou respeito; d) Comportamento íntegro ou piedade; e) Adoração religiosa formal.

Um segundo termo em Gênesis 9.2 é ‘Chath’, usado para descrever o "pavor", "medo" ou "o desmaiar de medo". Neste texto o medo é relacionado a um agente externo que causa pânico e temor. Este vocábulo é usado mais uma vez em Jó 41.33 para descrever que a coragem do leviatã, pois "foi feito para estar sem Pavor" (ARC). Nada na terra se compara a coragem do leviatã, pois ao contrario dos outros animais, como ocorre em Gn 9.2 ele não teme homem. De qualquer forma, apesar de outros vocábulos hebraicos serem usados para descrever a palavra medo ‘Yare' é a mais comum e transmite todo conceito que o vocábulo possui na língua portuguesa. Outro termo significativo é ‘Môrã', que aparece em Isaías 8.1-2 referindo-se ao medo externo; "não temais o seu temor" , descrevendo um assombro externo e extremo.

Nas línguas do Novo Testamento, o principal termo para medo já é um velho conhecido da língua portuguesa: ‘Fobia’, de probos, "terror", "medo", "pânico", "susto", phoberós, ou seja, "terrível", "assustador". O uso do termo descreve várias reações da emoção humana, bem como diversas situações que amedrontam o homem, entre elas: o aparecimento de seres celestiais (Lc 1.12; 2.9); os eventos catastróficos  futuros (Lc 21.26);  o medo mais comum de todos, a morte ( Hb 2.15); e até mesmo das autoridades (Rm 13.13 ).

- Em Deuteronômio 2-25 nos fala sobre o medo dos povos.

- Em Salmos 91.5 nos fala sobre o medo do terror da noite.

- Em João 19.38 diz sobre o medo de pessoas.

- Em Hebreus 2-15 nos fala sobre o medo da morte.

- Em Ezequiel 1-18 fala sobre o medo do desconhecido.

- Em Isaías 2-21 nos fala sobre o medo de Deus.

- Em Lucas 21-26 nos fala do medo das coisa vindouras.

- Em Levítico 26-36 nos fala do medo de qualquer coisa.


SUPERANDO O MEDO

1. Desenvolva sua fé em Deus (1 Jo 5.4) "Fé é coragem";

2. Encha-se de amor (Jo 4.18) "No amor não há medo";

3. Não tire os olhos do Senhor (Hb 12.2);

4. Use a armadura de Deus (Ef 6.11-18);

5. Use a espada do Espírito, que é a palavra de Deus (Ef 6.17);

6. Descanse no esconderijo do Altíssimo (Sl 91.1).


ALGUMAS PESSOAS NA BÍBLIA QUE TIVERAM MEDO

1. Adão (Gn 3.10);

2. Caim (Gn 4.14);

3. Saul (1 Sm 28.5);

4. Belsazar (Dn 5.6);

5. Os apóstolos (Mt 14.26).

Os estudiosos do comportamento humano descobriram 392 tipos de medos. Nobre leitor, é necessário que o medo que atua em nós seja erradicado por meio da fé, do amor e da esperança, porque o medo é uma porta que deixamos aberta para que o inimigo possa usar, para nos lançar opressão. O medo não é lançado ou criado pelo diabo em nós, porque o medo tem raiz no pecado, sendo que o pecado é um ato, mas o diabo faz uso do medo que está atuando em nós para nos escravizar e nos oprimir, por isso que aquele que ainda não aceitou a Cristo como seu único Senhor e Salvador, deve fazê-lo, pois é o primeiro passo para ser curado e o segundo passo é para aqueles que já o aceitaram; devem colocar sua fé em ação, alimentando-a com a palavra e oração, praticando o amor e confessando sua esperança em Deus. Assuma seu lugar de vencedor e que Deus o abençoe.


Pr. Napoleão de Castro.


Obras Consultadas:

- O segredo para vencer a depressão: Emílio  mira y Lopez. Livraria José olympio Editora 1963.

- Estudo na Bíblia Hebraica- Exercício de exegese.

- Betuy Bacon. Edições vida nova.

- Dicionário de psícologia. Editora Globo. 1975

- Dicionário  Vine. Editora CPAD.

- Fundamento do grego Bíblico. William d. Monuce

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