15 de setembro de 2019
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

24/08/2019

LIÇÃO 8- A MORDOMIA DO TEMPO

Comentário da lição bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira Rodrigues


INTRODUÇÃO:

Precisamos nos Conscientizar de que o tempo não pode ser desperdiçado, mas aproveitado diligentemente. E mais ainda, devemos aprender a administrar o nosso tempo. Aproveitar. Como disse Paulo Efésios 5:16, “remindo o tempo” remir é pagar preço.

Sabemos que Não podemos jamais recuperar o tempo perdido. Sua perda traz-nos frustração, prejuízos e violação da boa disciplina e ordem da vida. Ao longo das Sagradas Escrituras, vemos que Deus valorizou o tempo na vida do seu povo. Não por acaso, na Lei, Ele orientou o povo a disponibilizar o tempo para o trabalho, para o descanso e para a família. Numa época em que muitos trabalham várias horas por dia, precisamos resgatar o conceito bíblico de tempo e procurar o máximo vivê-lo com diligência, de modo que o Senhor nosso Deus seja glorificado. Precisamos remir o tempo! Segundo a Bíblia, a origem do tempo está na intervenção de Deus ao criar o planeta Terra e o ser humano. No plano original, o ser humano foi criado para viver infinitamente. Mas, após a Queda, ele perdeu o direito à imortalidade e passou a experimentar um relacionamento finito com o tempo, onde passado, presente e futuro trazem a dimensão temporal da vida terrena. Assim, o ser humano percebe que sua existência é efêmera. Portanto, nesta lição estudaremos o conceito de tempo, sua mordomia e proveito.

I - CONCEITOS IMPORTANTES

1. A palavra tempo.

Tempo significa "série ininterrupta e eterna de instantes. Medida arbitrária da duração das coisas. Época determinada". Ele "é a duração dos fatos, é o que determina os momentos, os períodos, as épocas, as horas, os dias, as semanas, os séculos etc". Nesse sentido, a palavra tempo pode ter significados variados, dependendo do contexto em que é empregada. 0 tempo também é sinônimo de época, período, prazo, tempo musical, tempo verbal etc.

2. O tempo na Bíblia e na Teologia.

Deus criou o tempo. Ele o formou com o objetivo de estabelecer ciclos para suas obras criadas (Gn 1.14). Nesse aspecto, o homem também buscaria o seu Criador no tempo (At 17.26,27). Assim, sem a dimensão do tempo, o homem não compreenderia sua origem, começo, nem muito menos, o conceito de "eternidade".

A Bíblia emprega significados variados, sentidos reais e metafóricos, do tempo. Vejamos:

2.1. No princípio - a eternidade.

No Gênesis, o livro das origens de todas as coisas, o primeiro-capítulo inicia dizendo: "No princípio, criou Deus os céus e a terra" (Gn 1.1). No hebraico, a expressão "no princípio" ébereshit, “princípio de tudo". A maioria dos estudiosos da Bíblia concorda que esse "princípio" é indefinido, pois é o "tempo de Deus", ou o seu kairós. João 1.1,2 expressa esse mesmo princípio.

2.2. Yom.

A palavra hebraica que corresponde ao dia natural de 24 horas. Ou seja, cada dia da semana, do mês, do ano. É o dia a dia no qual Deus nos concede viver. A mordomia do tempo insere-se nesse tempo de Yom, o dia natural.

2.3. Chronos.

É o termo grego para "tempo", que pode ser medido, contado e definido. Na teologia é considerado o "tempo do homem", isto é, o tempo cronológico. Além de incluir o "dia" de 24 horas, também refere-se a semanas, meses, anos, décadas etc. É o tempo que pode ser medido, dividido, analisado ou estudado. Nesse sentido, o salmista escreveu: "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio" (Sl 90.12,14).

2.4.  Kairós.

É "o tempo de Deus", que só pode ser definido por Ele mesmo. O apóstolo Pedro revelou que, para Deus, o tempo não pode ser avaliado com as mesmas categorias humanas de medição: "Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia" (2 Pe 3.8-grifos meus). Jesus também ensinou que não se pode definir o tempo de Deus (Kairós)'. "E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder" (At 1.7).

II - A MORDOMIA DO TEMPO

1. Remindo o tempo. O tempo é o único bem que não podemos recuperar. Por isso, a Palavra de Deus exorta-nos: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus" (Ef 5.15,16). Segundo o relatório "2018 Global Digital", o  Brasil está entre os três países do mundo em que a população passa, em média, mais de nove horas do dia navegando na Internet. É um dos dois únicos países onde o tempo médio diário, gasto nas redes sociais, supera as três horas e meia, portanto, bem acima da média mundial. Remir o tempo significa não desperdiçá-lo.

2. Contar o tempo. O salmista escreveu: "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio" (Sl 90.12). Será possível contar os dias? Entender que são limitados, finitos e terrenos é conscientizar-se do nosso limite humano. Não somos, pois, seres infinitos. Nosso Senhor declarou assim: "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal" (Mt 6.34). Aprendamos, pois, contar o tempo que Deus nos deu!

3. Â prestação de contas. Um dia nos apresentaremos diante de Deus, a fim de prestar contas dos bens espirituais e materiais que Ele nos concedeu. Tudo o que administramos com relação ao nosso corpo - as faculdades físicas e emocionais -, daremos conta a Deus. Sim, o Criador nos cobrará acerca do que fizemos com o nosso tempo.

“Deus Eterno” (Gn 21.33; Is 40.28).

II - COMO ADMINISTRAR O NOSSO TEMPO?

Após a criação (Gn 1.1), Deus estabeleceu um tempo para todas as coisas debaixo do sol (Ec 3.1). Ele tem um propósito para todas as suas obras, pois não faz nada ao acaso. “A mordomia do tempo leva-nos a considerar sobre como devemos administrar o tempo que nos concede o Senhor desde o nascimento até a morte e envolve o seu proveito diligente e a prestação de contas a Deus pelo uso” (RENOVATO, 2019, p. 101). Como administrar o nosso tempo?

1- Aproveitando a brevidade do tempo. O gerenciamento do tempo é importante por causa da brevidade de nossas vidas (Sl 90.10). Nossa jornada terrena é significativamente menor do que estamos inclinados a pensar: “Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil. Eis que fizeste os meus dias como a palmos; o tempo da minha vida é como nada diante de ti [...]” (Sl 39.4,5). De fato, nosso tempo na terra é passageiro, na verdade, é infinitamente pequeno comparado à eternidade. Para viver como Deus quer que vivamos, é essencial que façamos o melhor uso possível de nosso tempo. A mordomia do tempo envolve o seu proveito diligente pois o nosso tempo na terra é curto: “[...] Nossos dias na terra não passam de uma sombra” (Jó 8.9). Tiago diz que: “[...] Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece” (Tg 4.14). O salmista tratando sobre a brevidade da vida comenta: “O homem é semelhante a um sopro; os seus dias são como a sombra que passa” (Sl 144.4).

2- Não usando o tempo com futilidades. No livro de Eclesiastes, vemos 28 situações que podem ser experimentadas no tempo concedido por Deus (Ec 3.1-8). Para o crente, o que convém lembrar a cada momento é que sua vida é sumamente preciosa, e que ele deve ser um mordomo cuidadoso no dispêndio do seu tempo. Quem desperdiça o tempo fazendo coisa fúteis ou desnecessárias, prejudica-se a si mesmo, pois o tempo não volta e cada minuto perdido é tempo desperdiçado e irrecuperável. Por isso, precisamos administrar o tempo que Deus nos dá (Sl 31.15; At 17.26). A Bíblia fala de futilidades que roubam nosso tempo, e por isso, devemos evitar atividades improdutivas que nos roubam tempo e eliminá-las (Pv 12.11; 2Tm 2.16; 1Pd 1.18).

3-Entendendo o tempo de Deus em nossa vida. Eclesiastes 3.1-8 o principal foco de Salomão nesta passagem é mostrar que Deus tem um plano para todas as pessoas. Ele estabeleceu ciclos para a vida. Deus é o Senhor do tempo (Dn 2.21) e através de sua Soberania Ele faz como quer. O salmista afirma, dizendo: “Os meus tempos estão em tuas mãos...” (Sl 31.15-a), ensinando-nos que o nosso tempo pertence a Deus e que apenas somos mordomos dessa dádiva divina.

4-Esperando o tempo de Deus em nossa vida. Tem pessoas que até entendem o tempo de Deus, mas não têm paciência de esperar este tempo chegar: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Sl 40.1). Devemos entender que existe o tempo da provação: “tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar” (Ec 3.4). As Sagradas Escrituras ainda nos dizem: “[...] Bem-aventurados são os que agora chorais, porque haveis de rir” (Lc 6.21-b). O salmista falando sobre este tempo diz: “[...] o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5-b). O apóstolo Paulo conhecia muito bem este tempo quando falou: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelado” (Rm 8.18). Pedro também nos lembra este dia: “humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo vos exalte” (1Pd 5.6). Davi esperou pelo tempo determinado por Deus (1Sm 16.12,13; 2Sm 2.4; 5.3).

CONCLUSÃO:

Deus nos deu o tempo. Ele não vive no tempo. O tempo é nosso, da humanidade. É um dom de Deus a cada ser humano. Ora, se o tempo é um dom que Deus nos concedeu, concluímos que, como dom, devemos saber como administrá-lo. Deus nos cobra por tudo que fazemos de errado, inclusive a má administração do nosso tempo. Por isso o apóstolo Paulo disse: 'Remindo o tempo porquanto os dias são maus'. Existem muitas pessoas as quais pensam que o tempo é de Deus. De certa forma, estão certas. Quem criou esta dimensão e nos colocou nela foi Deus. Mas Deus fez o tempo para nós. O tempo é nosso. O tempo é dádiva, é próprio da humanidade. Ela deve saber como aproveitá-lo, como usufruir dele o máximo que puder, sem erros; se não desvalorizará as suas próprias almas. Pensemos nisso um pouco mais e no sentido da individualidade" (DANIEL, Silas. Reflexões sobre a Alma e o Tempo: Uma teologia de chronos e kairós. Rio de janeiro: CPAD, 2001, p.124).



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