11 de dezembro de 2019
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

10/08/2019

LIÇÃO 6 - A MORDOMIA DA ADORAÇÃO

Comentário da lição bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira Rodrigues


INTRODUÇÃO

- A adoração é o ato pelo qual o homem reconhece que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive do adorador.

-A adoração a Deus é o gesto concreto de nosso reconhecimento de que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive de nosso ser.

- A adoração, embora envolva o culto formal a Deus numa igreja, não se confunde com esta prática, pois é algo que deve estar presente em todas as ações do ser humano, tanto que Jesus nos ensinou que os verdadeiros adoradores adoram a Deus em espírito e em verdade(Jo.4:23), ou seja, em todo o tempo, independentemente de local ou ocasião.

I MORDOMIA DE ADORAÇÃO A DEUS

- A primeira vez que a palavra "adorar" aparece na Bíblia é em Gn.22:5, quando Abraão avisa seus servos que iria ao monte Moriá, juntamente com Isaque, para adorar e, depois, voltaria, com o seu filho, até o pé do monte, onde os servos deveriam esperar. Entretanto, não é esta a primeira vez que vemos um homem adorando a Deus nas Escrituras, ainda que a palavra não estivesse registrada antes no texto sagrado. Com efeito, o primeiro casal tinha um momento peculiar com Deus na viração do dia (Gn.3:8), um instante em que se dirigiam a Deus e a Ele prestavam contas por tudo que tinham feito durante o dia. Era um momento em que se reconhecia a soberania divina e em que o homem se dedicava a um encontro mais íntimo com o seu Senhor.

- Após a queda do homem, apesar da impossibilidade de uma comunhão com Deus, pois o pecado fez uma divisão entre Deus e o homem (Is.59:2; Ef.2:14), o primeiro casal ensinou a seus filhos que havia a necessidade de se render a Deus um tributo, um louvor, de reconhecer que Deus é o Senhor de todas as coisas e que, portanto, devemos dar a Ele satisfação e Lhe render graças. Por isso, vemos Caim e Abel apresentando ofertas a Deus, numa atitude nítida de adoração a Deus (Gn.4:3,4). Podemos observar nesta passagem algumas características da adoração, no limiar da história humana, a saber:

a) A adoração é uma prática que acompanha a própria existência do homem - Como vimos, o primeiro casal tinha um instante diário de adoração e, diante desta prática, havia ensinado seus filhos a procederem da mesma maneira. O homem, portanto, foi feito para adorar a Deus.

b) A adoração é necessária, mas espontânea - A adoração é uma atividade que era considerada necessária por parte da primeira família, tanto que Caim, mesmo não estando interiormente disposto a fazê-lo, não ousou negar-se a oferecer algo a Deus, pois tinha consciência da necessidade deste gesto. Embora necessária, a adoração é espontânea, tem de partir do homem. Não confundamos a adoração com a sujeição, que é o ato pelo qual Deus, por Sua soberania, imporá, num tempo por Ele determinado, Seu senhorio sobre todos os seres, através de Cristo Jesus (I Co.15:27,28; Ef.1:22; Hb.2:8). Isto é sujeição, não adoração.

c) A adoração consiste de atos externos - A adoração é demonstrada através de gestos concretos, visíveis por todos os demais homens. Caim trouxe uma oferta de vegetais, enquanto Abel sacrificou animais.

d) A adoração também se faz no interior do homem - Embora se manifeste por atos exteriores, a adoração começa no homem interior, é uma atitude que tem seu nascimento no espírito, que é a parte do homem que mantém o canal com Deus. Por isso, a oferta de Abel foi aceita, mas não a de Caim.

e) A adoração é acompanhada e observada por Deus - A disposição para a adoração partiu do homem, mas foi atentamente observada pelo Senhor. Quando nos dispomos a adorar a Deus, jamais nos esqueçamos de que o Senhor a tudo está observando e conhece quais são nossas intenções e os nossos atos, tanto que aceitou a oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim.

f) A adoração permite uma comunicação entre Deus e o homem - Mediante a adoração, Deus aceita, ou não, o gesto do homem, mas é através dela que Deus Se manifesta ao homem, mesmo àquele que não teve aceita a sua oferta, de modo que se estabelece o necessário relacionamento entre Deus e o homem. Através da adoração, o homem tem condições de entender que o pecado é o responsável pela ruptura da comunhão entre o ser humano e o seu Criador.

g) A adoração, para que seja aceita por Deus, exige um ato de fé e uma prévia justificação dos pecados - A Bíblia afirma-nos que Abel era uma pessoa dotada de fé e de justiça (Mt.23:35; Hb.11:4), enquanto que Caim era do maligno (I Jo.3:12). Reside, então, aí a razão por que a adoração de Abel foi aceita e não a de Caim. Para que possamos adorar a Deus, devemos ter fé, pois sem ela é impossível agradar-Lhe (Hb.11:6). Tendo fé, poderemos ser justificados diante de Deus, passando a ter paz com ele (Rm.5:1) e, deste modo, livres do pecado, poderemos ser aceitáveis diante do Senhor. Como diz conhecido cântico, "em altar quebrado, não se oferece sacrifício a Deus". (cfr. I Rs.18:30).

- A palavra "adoração" vem do latim "ad orare", que significa "para ser feito com a boca", ou seja, "beijar". Esta expressão deve ser entendida na cultura da Antiguidade, ainda hoje seguida em alguns segmentos sociais (como a Igreja Romana, por exemplo), em que o beijo é um gesto de reconhecimento da autoridade de alguém. Assim, "adorar" é reconhecer a autoridade de uma pessoa e se inclinar diante dela, curvar-se a seu senhorio e a sua superioridade. Adoraremos a Deus, portanto, quando reconhecermos a Sua autoridade, a Sua supremacia, quando agirmos de forma a mostrarmos às pessoas que é Deus quem manda em nossas vidas. Quando o diabo pediu a Jesus para ser adorado (Mt.4:9), estava, precisamente, pedindo que Jesus reconhecesse uma superioridade do diabo sobre Sua vida, o que, como bem mostrou nosso Senhor, era um rotundo absurdo (Mt.4:10).

- Esta ideia contida na palavra latina, que deu origem a nossa palavra na língua portuguesa, é, precisamente, o mesmo sentido que possui os termos originais hebraico e grego nas Escrituras. Em hebraico, temos a palavra “sahah” (ָש ָחה ), que tem o significado de “curvar-se, prostrar-se , agachar-se, cair, suplicar humildemente, prestar reverência, adorar. Este verbo é usado para designar o curvar-se perante um monarca ou um superior, prestando-lhe reverência (Gn.43:28)...” (Bíblia de Estudos Palavras-Chave, Dicionário do Antigo Testamento, n. 7812, p.1956). Em grego, a palavra “proskyneo” (προσκυνέω), cujo significado é “...beijar, como um cão lambendo a mão de seu dono; adular ou agachar-se, i.e., (literal ou figurado) prostrar-se em homenagem (apresentar reverência a, adorar)...” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Novo Testamento, n. 4352, pp.2377-8).

- Como se percebe, sempre há a ideia de homenagem, de reconhecimento de soberania e supremacia de Deus sobre a vida daquele que está a adorar a Deus. É este, aliás, o sentido que vemos no Sl.2:12, quando o salmista fala "beijai o Filho".

- Em seguida, vemos que uma das características que temos da descendência piedosa de Sete, estava, precisamente, no fato de que era esta linha de descendentes que adorava a Deus. A Bíblia informa-nos que, após o nascimento de Enos, o filho primogênito de Sete, passou-se a invocar o nome do Senhor (Gn.4:26), ou seja, Deus passou a ser buscado, a ser procurado, a ser reverenciado. O fato de esta linha de descendentes adorar a Deus, buscar reconhecer a sua autoridade, era o grande diferencial entre eles e os descendentes de Caim, a ponto de a Bíblia a eles se referir como sendo os "filhos de Deus" (Gn.6:2). Deus sempre irá manter um relacionamento de pai para filho com aqueles que O adorarem!

II - CARACTERÍSTICAS DA VERDADEIRA ADORAÇÃO

1- A verdadeira adoração é teocêntrica. O verdadeiro louvor não pode ser antropocêntrico (homem no centro), mas teocêntrico (Deus no centro). Como a Bíblia nos ensina a verdadeira adoração é teocêntrica (2Cr 20.3,4,18,19,21; Mt 4.10), pois ela prioriza Deus e não as nossas necessidades (Jó 1.20-22; Mt 15.25). De acordo com o AT, a adoração tem uma característica marcante que é a prostração reverente diante do Senhor (Gn 24.26; Êx 12.27; 34.8,9; 2Cr 20.18; 29.29; Ne 8.6; Jó 1.20: Sl 95.6). Essa mesma característica distintiva, a prostração referente, é reafirmada no NT (Mt 2.11; At 10.45; 1Co 14.25; Ap 1.17). Até no céu a marca da verdadeira adoração permanece (Ap 4.10; 5.14; 7.11; 19.4). Deus convida-nos a adorá-lo, reconhecê-lo como único Senhor (Sl 29.2; 150.6; Is 55.6). Logo, a adoração concentra-se em Deus e não no homem ou qualquer outro ser (Is 42.8; Mt 4.10; Ap 19.10; 22.9).

2-A verdadeira adoração é cristocêntrica. A adoração ao Pai está centrada na pessoa bendita de Jesus Cristo. Nesse sentido, não é o ritualismo ou o simbolismo que pauta a adoração, mas a pessoa de Jesus. Ele é o centro. Ele é o tudo. Ele é o nosso Salvador. O louvor para o cristão só terá um verdadeiro sentido se este for endereçado a Cristo, não existe outro que tenha esta preeminência. O louvor cristocêntrico é aquele que reconhece em Cristo Jesus o centro da adoração. O Senhor Jesus revelou ao apóstolo João que o conteúdo da adoração deve ser cristocêntrico (Ap 4.8,11; 5.9,12-14; 7.12; 19.1). Em Filipenses 3.17 o apóstolo “Paulo trata agora de motivações; seja em ação, seja por palavras, tudo precisa ser feito em nome de Cristo, com atitude”. Quando Cristo é o centro de nossa adoração o louvor é utilizado para expressar exatamente isto. A Igreja primitiva aprendeu logo cedo a exaltá-lo, e usar o momento de louvor no culto para evidenciar a soberania de Cristo (BRUCE, 2010, p. 2026).

3- A verdadeira adoração é ultracircunstancial. A verdadeira adoração vem do coração, não é só um ato exterior. A adoração ao Senhor deve brotar de um coração pronto e agradecido (Sl 57.7) que não adora apenas nos momentos de abundância e felicidade, mas também nas horas de escassez e tristeza (At 16.25; Fp. 4.12,13; Hb 3.17). A adoração genuína é ultracircunstancial (2Cr 20.2,12,15; Hc 3.17,18); ou seja, não se limita às circunstâncias favoráveis. A adoração ultra circunstancial é um estado de consciência onde se reconhece simultaneamente a grandiosidade de Deus e a efemeridade da condição humana (Jo 4.23). É a busca insaciável por mais da pessoa de Deus, sem nenhum interesse alheio a esse fim. Não é fácil esquecer-se das lutas e dificuldades que enfrentamos no nosso dia a dia, em que muitas delas são embates tenebrosos contra o inimigo. Porém, crente que confia e obedece ao Senhor aproveita estes momentos difíceis para adorar ao Senhor em gratidão pelos grandes livramentos alcançados (Sl 18.3).

4- A verdadeira adoração é desinteressada. A verdadeira adoração deve partir do nosso desejo de fazer tudo para que Deus seja glorificado (Sl 103.1-2). Uma das verdades mais impressionantes que encontramos na Bíblia é que Deus procura os verdadeiros adoradores (Jo 4.23), pois, existem aqueles que o adoram desinteressadamente, na maioria das vezes estão em busca de algo de Deus e não em busca da presença de Deus. Muitos cantam, mas não louvam nem adoram ao Senhor (Am 5.23; Is 29.13). Adoração não deve ser mecanizada, ela deve ser do mais íntimo do coração. Adoração que não é sincera não é adoração. só ritual sem valor (Jo 4.23). A adoração se inicia no coração. É o amor a Deus expressado em louvor e agradecimento. Adoração não é um sentimento sem expressão ou uma formalidade vazia (Is 29.13; Mc 7.6,7).

CONCLUSÃO:

Nossas reuniões devocionais devem dar prioridade à exposição da Palavra do Senhor. Antes do término da reunião, deve haver uma mensagem final de convite aos pecadores para que aceitem a Cristo como Salvador, o nosso conhecido "apelo", que nunca deve faltar numa reunião devocional coletiva da igreja local, pois nosso objetivo primordial é ganhar almas para Jesus. Infelizmente, muitos, por incrível que pareça, têm eliminado esta parte do culto, fazendo com que tenhamos sérias dúvidas de que tenham, ainda, consciência de que uma reunião devocional não é um mero ajuntamento social.

- Também faz parte da devoção coletiva a parte referente à contribuição financeira para o sustento da obra do Senhor. As ofertas e os dízimos são parte de nossa devoção a Deus, de nosso compromisso com a pregação do Evangelho, são parte integrante e indissociável da nossa adoração. Não obstante, temos aqui apenas uma parte do culto devocional, que deve ser conduzida com moderação e devida explicação de seus objetivos aos ouvintes da Palavra de Deus, buscando-se, diante do mercantilismo reinante no mundo religioso dos nossos dias, haver um devido esclarecimento e, inclusive, relevando-se que se trata de uma obrigação dos crentes, não extensiva àqueles que estejam visitando a comunidade.

- A devoção coletiva, seguindo esta ordem, será, certamente, agradável ao Senhor, que Se fará presente e proporcionará não somente o aperfeiçoamento espiritual dos crentes reunidos, mas também ocasionará a salvação de vidas preciosas para o reino de Deus.

- Quaisquer atividades que fujam desta principiologia bíblica, que sirvam apenas para entretenimento ou para a satisfação de necessidades carnais, que não trazem quaisquer edificações, devem ser evitadas e, muitas vezes, repudiadas pelos verdadeiros e genuínos servos de Deus. Muitas e inúmeras têm sido as aberrações que se têm visto nestes dias de apostasia espiritual e não podemos jamais nos apartar dos parâmetros estatuídos pelo Senhor: o que não servir para edificação espiritual, jamais deve ser tolerado ou admitido no culto.



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