23 de maio de 2019
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

18/04/2019

Lição 3 – ENTRANDO NO TABERNÁCULO: O PÁTIO

Comentário da Lição Bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira Rodrigues


INTRODUÇÃO

- Dando continuidade ao estudo tipológico do tabernáculo, analisaremos o pátio.

- O pátio do tabernáculo revela a acessibilidade de todos os homens a Deus por meio de Cristo Jesus. 

I – SANTUÁRIO: LOCAL SEPARADO

Tendo estudado os artesãos do tabernáculo, passaremos a analisar a estrutura do tabernáculo, começando pelo pátio, que é a parte descoberta do tabernáculo, acessível a todos os israelitas.

- O tabernáculo era uma construção móvel, ou seja, poderia ser deslocada, e era necessário que assim o fosse já que Israel estava se dirigindo à Terra Prometida. No entanto, de pronto, o Senhor disse a Moisés que o tabernáculo serviria de santuário e de habitação de Deus no meio dos filhos de Israel ((Ex.25:8).

- Ao afirmar que o tabernáculo seria um “santuário”, o Senhor estava a dizer a Moisés, entre outras coisas, que o tabernáculo deveria ficar separado do restante do arraial dos filhos de Israel. Embora fosse

móvel, o tabernáculo não poderia se misturar com as demais habitações dos israelitas, que, também, habitavam em tendas, já que estavam em constante deslocamento, peregrinando para Canaã.

- Ser “santuário” significa estar “separado” do restante. Como bem definiu certa feita um obreiro a quem muito estimamos, é “estar no meio, porém à parte”. Era esta a situação do tabernáculo. Embora ele ficasse no centro do arraial dos filhos de Israel, tabernáculo não se misturava com as tendas dos israelitas (Nm.2:1,2), nem mesmo os levitas ou os sacerdotes (Nm.2:23,29,35,38).

- O tabernáculo estava no meio dos filhos de Israel, mas não se confundia com eles, pois era a “habitação de Deus” e o povo não havia entrado em perfeita comunhão com o Senhor, já que não esperara o longo sonido de buzina para subir e ali selar uma aliança de fé com o Senhor (Ex.19:13; 20:18,19). O pecado os impedia de ter um contato direto com o Senhor e, por isso, havia a necessidade desta separação.

- Tal separação era materializada por uma cerca formada por quarenta e oito colunas e bases, com colchetes e faixas de prata, sobre os quais eram postas cortinas, cortinas estas que serão estudadas numa lição posterior (Ex.27:9-19).

- É interessante observar que, ao mesmo tempo em que havia separação, também o tabernáculo falava de comunhão. Eis a lição de Abraão de Almeida: “...O Tabernáculo estava separado da congregação por uma cerca constituída de 60 colunas de bronze sobre os quais apoiava-se um cortinado de linho branco, de dois metros e meio de altura. Isto fala da separação de Deus e do pecador (Ex.38:10-15,19,31; Is.59:2). O número 6 e seus múltiplos, como no caso das colunas, associam-se ao número 7, que é o número de peças do Tabernáculo. Como o 6 relaciona-se com o homem e o 7 com Deus, temos no Tabernáculo a comunhão, ou o encontro do homem com a Divindade....” (O tabernáculo e a Igreja, pp.14-5).

- A área descoberta em torno desta cerca era o que se denominou de “pátio”. Aliás, é este precisamente o significado da palavra emprega em Ex.27:9, “hāsēr” (ָח ֵצר ), que, segundo a Bíblia de Estudo Palavras- Chave, é “um pátio (como rodeado por uma cerca), também uma aldeia (como similarmente cercada por muros)...” (Dicionário do Antigo Testamento, n. 2651, p.1651).

- Esta separação já nos indica que havia uma diferença entre a área que ficava do lado de dentro da cerca e a área que ficada do lado de fora da cerca. Dentro da cerca, havia santidade, a área era santa, enquanto que, do lado de fora, a área era comum, sem quaisquer restrições.

- Observemos que não era o local onde estava o tabernáculo que tornava o ambiente santo, pois o tabernáculo era uma construção móvel, que ocupou diversos lugares, mas, sim, o que o torna santo era a determinação divina para que ali ele fosse erigido e a primeira coisa que se fazia era a colocação desta cerca, que separava o que era santo do que era profano.

- Nós somos templo do Espírito Santo (I Co.6:19). Nosso corpo é um tabernáculo (II Pe.1:13,14), pois somos moradas de Deus no Espírito (Ef.2:22), pois, em nós, habita a Trindade (Jo.14:17,23). Se assim é, também deve haver uma “cerca”, uma “separação” entre nós e o mundo, entre nós e aqueles que não creram em Cristo Jesus.

- Esta separação do tabernáculo não era uma separação que impedisse a entrada dos israelitas no tabernáculo. A cerca não era impeditiva do acesso, não era como as cercas, portões e tantas outras coisas que impedem, nos dias de hoje, o acesso das pessoas às habitações dos cidadãos, tendo em vista o clima de altíssima insegurança que há em nosso país.

- Embora o tabernáculo fosse cercado, havia uma entrada pela qual todos os israelitas poderiam ingressar na área descoberta, na parte de dentro do tabernáculo. No pátio, havia uma entrada, que tinha uma coberta de azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido (Ex.27:16).

 Assim, embora fosse um lugar separado dos demais, o tabernáculo não era inacessível. Não se tratava de uma área como, por exemplo, a “Cidade Proibida” dos imperadores chineses, mas de um ambiente que, embora fizesse questão de mostrar ser distinto dos demais, era de ingresso permitido a todos os filhos de Israel.

- Santidade não significa sectarismo. Muitos fazem esta confusão. Entendem que a santidade significa separação de tudo e de todos, quando, na verdade, a santidade é separação do pecado e não dos pecadores. As cercas faziam a separação do tabernáculo com os israelitas, mostrando a distinção que deveria haver entre o Deus santo e os homens pecadores. No entanto, Deus queria que o povo d’Ele se aproximasse e, por isso, deixava uma entrada, que não podia sequer ser fechada, pois não havia porta, precisamente para que os israelitas sempre pudessem ir à Sua presença.

- Como templos do Espírito Santo, devemos viver sempre separados do pecado. Nossos corpos não podem mais servir de “corpo do pecado” (Rm.6:6), de instrumentos de iniquidade (Rm.6:13), mas, sim, como instrumentos de justiça, à justiça para santificação (Rm.6:19).

- Por isso, vemos com imensa preocupação ensinamentos que têm se proliferado no meio daqueles que cristãos se dizem ser em que se permite a profanação deste templo do Espírito Santo, com a adoção de práticas e atitudes que são, no mínimo, embaraçosas, quando não explicitamente pecaminosas, em nome de uma “modernidade”, de um “avanço de mentalidade”, que esquecem, porém, que somos templos do Espírito Santo e que, portanto, não podemos nos misturar com as demais “tendas”. Não se pode utilizar o corpo para instrumento de iniquidade e, lamentavelmente, muitos o têm feito nestes últimos dias. A existência de uma cerca separando o tabernáculo do restante do arraial dos filhos de Israel mostra bem que a separação é algo necessário.

- Entretanto, o tabernáculo não estava inacessível aos filhos de Israel, que poderiam entrar no pátio, pois havia um espaço, entre as cercas, coberta por azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido, permitindo o acesso. Todos os israelitas e até mesmo gentios tinham acesso ao tabernáculo. Era uma “entrada franca”.

- Isto mostra que santidade não se confunde com sectarismo. O salvo tem de estar separado do pecado, mas não dos pecadores. O Senhor Jesus deixou claro que Seus discípulos estão no mundo embora do mundo não sejam (Jo.17:11,14), mas devem sempre estar em contato com o mundo, pois são a luz do mundo (Mt.5:14) e o sal da terra (Mt.5:13).

- A entrada sempre aberta para os israelitas ingressarem no pátio revel a prontidão divina para a salvação de todos os homens. Deus quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (I Tm.2:4) e, por isso, convida todos à salvação, a entrar em comunhão com Ele.

- A entrada do pátio tinha uma coberta e a coberta tinha tecidos de quatro cores: azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido. Não é por acaso que são quatro tipos de tecido, pois o convite para a entrada no tabernáculo, para o ingresso à busca da comunhão com Deus outro não é senão o Evangelho, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego (Rm.1:16).

- O Evangelho, estas boas novas de salvação, foi-nos revelado e reduzido a escrito por quatro autores, os quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João. Estes quatro homens foram inspirados pelo Espírito Santo para registrar a pregação, os ensinos e os milagres de Cristo Jesus, a “porta” que nos conduz a Deus (Jo.10:9).

- A coberta de quatro tecidos fala destes quatro evangelhos, cada um mostrando Jesus Cristo sob um aspecto: o azul, que é a cor do firmamento, revelando que o Senhor Jesus é o Filho de Deus, o Verbo que Se fez carne, como nos mostra o evangelho segundo João (Jo.1:1,14).

II- A PORTA DO PÁTIO E A SEUS SÍMBOLOS

-Qualquer um que se aproximasse do Tabernáculo por outro lugar que não fosse a entrada, encontraria uma parede de linho. A porta era a única maneira de chegar ao pátio, todos tinham que passar por ela. Todo o povo de Israel, de qualquer tribo, e todos os estrangeiros em Israel, vindos dos quatro cantos do acampamento, distantes ou próximos, tinham que se submeter aos critérios de Deus (Nm 15.14-16). -O Senhor colocou somente uma entrada no Tabernáculo, pois há somente um caminho para o homem se aproximar de Deus, e este passa pela entrada, sendo assim, a porta é uma clara figura do Senhor Jesus, que assim afirmou: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9); sendo o único caminho de acesso ao Pai (Jo 14.6); as Escrituras ainda declaram que Ele é: (a) o único nome que pode salvar (At 4.12); (b) o único mediador entre Deus os homens (1Tm 2.5), e, (c) crer nele é a única forma de o homem ser salvo (Rm 10.12,13).

-A porta do pátio possuía dez metros de largura (20 côvados) e ficava no lado leste, no meio da frente do Tabernáculo (Êx 27.16). Era composta por uma cortina de pano azul, púrpura, carmesim e também de linho fino torcido, sustentada por quatro colunas centrais cingidas de faixas de prata (Êx 27.17. Essa entrada era larga o suficiente para permitir a entrada de qualquer pessoa que quisesse e se submetesse aos critérios necessários para entrar. Isso aponta claramente para a abrangência da salvação e as bençãos do Senhor decorrentes dela. Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente o que deixou claro por meio da promessa feita a Abraão: “[...] e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3; Gl 3.8). Destacamos ainda Deus deu garantia e extensão de salvação a todas as pessoas (Is 45.22), como também na descrição do alcance da ação messiânica (Is 49.6; Is 53.6). Sua graça alcança os judeus e os gentios (Rm 3.29; 9.24,30; Gl 3.14; Ef 3.6; Tt 2.12), não é limitado a um grupo seleto de pessoas, pois as Escrituras afirmam que Jesus se deu como resgate por todos (1Tm 2.6); e, que provou a morte por todos (Jo 7.37; Hb 2.9; 1Tm 4.10; 2Pd 3.9; 1Jo 1.9-2.2; 4.14).

Conclusão: Quantos não são hoje os que atendem ao convite da evangelização e entram pela porta, que é Cristo, recebem o perdão de seus pecados, mas não prosseguem na jornada, paralisando sua caminhada no pátio? Pensemos nisso e lutemos para prosseguir e ajudar outros também a seguir a sua peregrinação rumo aos céus.

- Por fim, há aqueles que associam o tabernáculo ao ser humano e o pátio corresponde ao corpo, por ser a parte do tabernáculo que faz contato com o exterior do santuário, assim como o corpo faz contato com o mundo terreno.

- O pátio, também, era a parte visível do tabernáculo, assim como o corpo é a única parte visível do ser humano, já que não podemos ver seja a alma, seja o espírito dos homens.

- O pátio, como vimos, possui uma cerca que o mantém totalmente separado do arraial, o que nos mostra que o corpo, como também já visto supra, tenha de ser instrumento de justiça para santificação e não mais instrumento de iniquidade, como antes da nossa salvação em Cristo Jesus.

- No pátio, estavam o altar de sacrifícios e a pia de bronze, peças que serão estudadas em lições posteriores, a nos mostrar que o corpo é o elemento que deve ser oferecido em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, por meio do culto racional, como nos ensina o apóstolo Paulo (Rm.12:1). O nosso corpo deve ser oferecido a Deus como instrumento de justiça (Rm.6:13). Assim como o pátio, Cristo é o Caminho, que nos conduz ao Pai celestial (João 14:6)



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