19 de dezembro de 2018
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

01/12/2018

LIÇÃO 09 – O PERIGO DA INDIFERENÇA ESPIRITUAL

Comentário da lição bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira Rodrigues


(MT. 21:28-32)

INTRODUÇÃO

Na parábola dos dois filhos, Jesus mostra que o reino de Deus é fazer a vontade de Deus. Na parábola dos dois filhos, Jesus, diante da alta cúpula da elite religiosa judaica, retoma a lição da parábola dos dois alicerces, que havia concluído o sermão do monte, reiterando que o importante, na vida espiritual, não são as intenções ou as palavras, mas as atitudes, o comportamento real do indivíduo.

- Nesta parábola, o Senhor mostra a necessidade de se obedecer à Sua Palavra e o nenhum valor que tem a religiosidade aparente, desmascarando a cúpula da elite religiosa judaica, mas revelando qual será o fim daqueles que, nos nossos dias, se apegam a um formalismo religioso e vazio.

I – AS CIRCUNSTÂNCIAS DA PARÁBOLA:

- A parábola dos dois filhos é registrada apenas por Mateus, sendo a primeira de três parábolas que se encontram nos capítulos 21 e 22 deste evangelho, que seguem a narrativa do apóstolo concernente à entrada triunfal de Jesus e da consequente purificação do Templo, episódios que marcam a última viagem de Cristo a Jerusalém, onde morreria para nos salvar.

- Nesta passagem, Mateus, cujo evangelho, como já sabemos, foi dirigido aos judeus, mostra os eventos que demonstram a rejeição de Jesus por Israel (Jo.1:11), rejeição esta que se inicia pela própria cúpula religiosa do país, que, teoricamente, deveria ser a primeira a reconhecer Jesus como o Messias, já que o Senhor estava a cumprir tudo o que havia sido registrado nas Escrituras a Seu respeito (Jo.5:39). Esta temática do evangelho segundo escreveu Mateus terá seu clímax no capítulo 23, onde Jesus proferirá o seu mais duro discurso contra os fariseus.

Percebemos, portanto, que a parábola dos dois filhos está inserida neste contexto da rejeição de Cristo por Israel, notadamente da cúpula religiosa. Desde que entrou em Jerusalém, nesta última vez, o Senhor mostra o descompasso entre o Seu ministério e o povo de Israel.”...Vemos o Senhor entrar em Jerusalém como Rei — Jehovah, o Rei de Israel — e em seguida o Julgamento pronunciado sobre a nação. Seguem-se então os pormenores do Julgamento sobre as diversas classes que formavam esse povo. Em primeiro lugar, vêm os principais sacerdotes e os anciãos, que deveriam ter guiado o povo; chegam-se ao Senhor e põem em questão a Sua autoridade(...). O Senhor, na Sua infinita sabedoria, faz-lhes uma pergunta que põe à prova a sua competência e, segundo a sua própria confissão, eles eram incompetentes. Então, como julgá-lO ?!(...). Então, a partir do verso 28 [do capítulo 21, observação nossa] até o verso 14 do capítulo 22, o Senhor põe claramente diante dos olhos deles a sua conduta e os caminhos de Deus a seu respeito. Em primeiro lugar, tendo a pretensão de fazerem a vontade de Deus, não a faziam; enquanto que os que eram manifestamente maus se haviam arrependido e a tinham feito...” (DARBY, John Nelson. Estudos sobre a Palavra de Deus: Mateus-Marcos. Trad. de Martins do Vale, pp.146-7).

- A parábola dos dois filhos, portanto, cuida da visão divina, da visão de Cristo sobre a humanidade ante a resposta, a reação pelo arrependimento, pela pregação do evangelho. Mostra-nos, uma vez mais, a realidade do reino de Deus e de uma forma bem clara e explícita, porquanto temos aqui uma expressão que é raríssima no evangelho segundo escreveu Mateus: “reino de Deus”. Nesta parábola, a expressão aparece duas vezes, sendo que, no evangelho todo, ela só é utilizada cinco vezes. De uma forma bem clara, Jesus, já no final do Seu ministério terreno, faz questão de mostrar o que é realmente servir a Deus. Suas palavras, que permanecem para sempre (I Pe.1:25) são uma advertência extremamente atual para todos quantos desejam desfrutar da comunhão eterna com Jesus.

- A parábola dos dois filhos, portanto, deve ser entendida como uma ilustração que Jesus faz às autoridades religiosas, para demonstrar como eles haviam perdido a oportunidade de alcançar a salvação e o que havia motivado esta circunstância tão deplorável, que, inclusive, fizera o Senhor chorar sobre Jerusalém pouco antes (Lc.19:41). É uma importante lição para nós, pois, como diz o poeta sacro Manuel Sabino Bezerra, Jesus ainda hoje “chora, por causa do pecador, que não quer Seu evangelho, proclamado com amor” (hino 89 da Harpa Cristã).

OBS: “...Segundo os estudiosos, tratava-se de ‘certos representantes do Sinédrio, que foram nomeados, para interrogar a Jesus’ e, entre eles, estariam o presidente da Corte e o próprio Sumo Sacerdote. Era gente que se julgava muito importante! ...” (LIMA, Elinaldo Renovato de. Parábolas de Jesus: ensinos que edificam. Lições bíblicas: mestre, jovens e adultos. 4. trim. 1994, p.14).

- Na parábola dos dois filhos, Jesus afirma que o pai tinha dois filhos e pediu ao primeiro que fosse trabalhar naquele dia na sua vinha. Ele, porém, disse, secamente, que não iria, mas, depois, arrependido, foi. Em seguida, pediu ao outro filho que o fizesse e o filho, embora tenha dito prontamente que iria, não foi. Jesus, então, perguntou aos religiosos que o interpelavam quem havia feito a vontade de Deus e eles responderam que o primeiro filho. Jesus disse que, por terem crido, os publicanos e meretrizes entrariam adiante deles no reino de Deus, já que haviam crido em João, que havia vindo no caminho de justiça e, mesmo assim, os religiosos não haviam se arrependido para crer.

II - O QUE JESUS ENSINA COM ESTA PARÁBOLA

-Dizer “não” e viver o “sim” é uma prova de arrependimento (Mt 21.29). Quanto ao primeiro filho as suas ações foram melhores que as suas palavras, e o seu final, melhor que o seu começo. Vemos aqui a feliz mudança de ideia, e da conduta do primeiro filho, depois de pensar um pouco: “Mas, depois, arrependendo-se, foi”. Observemos que há muitas pessoas que no início dizem “não”, são teimosas, e pouco promissoras, mas que posteriormente se arrependem e se corrigem, “e caem em si” (Lc 15.15.17), como diz o provérbio popular: “Antes tarde do que nunca”. Observemos que quando ele se arrependeu, ele foi; este é um “fruto digno de arrependimento” (Mt 3.8). A única evidência do arrependimento da nossa resistência anterior é concordar imediatamente e partir para o contrário; e então, o que passou será perdoado, e tudo ficará bem. Aquele que disse ao seu pai, face a face, que “não faria o que ele lhe pedia”, merecia ser atirado para fora de casa e deserdado; mas o nosso Pai “espera para ter misericórdia”, e, apesar das nossas antigas tolices, se nos arrependermos e nos corrigirmos, Ele irá nos aceitar de uma forma bastante favorável (Pv 28.13). É muito melhor lidar com alguém que, na prática, será melhor que a sua palavra, do que com alguém que não será capaz de cumprir o que prometeu.

-Dizer “sim” e viver o “não” é uma prova de hipocrisia (Mt 21.30). É impressionante a quantidade de pessoas que dizem “sim” e vive o “não” (Tt 1.16). Existe uma abissal distância entre o discurso e a prática: “Não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam” (Mt 23.3). O segundo filho mencionado disse melhor do que fez, prometeu ser melhor do que provou ser; a sua resposta foi boa, mas as suas ações, más. Ele professou uma obediência imediata: “eu vou”; ele não disse: “eu irei daqui a pouco”, mas infelizmente ele ficou apenas na teoria e não partiu para prática. Existem muitos que proferem boas palavras, e fazem boas promessas, que se originam de boas motivações; porém, ficam apenas nisso, não vão mais além. Dizer e fazer são duas coisas diametralmente diferentes e distintas, e há muitos que dizem e nunca fazem o que prometem (Is 29.13; Ez 33.31). Muitos, com a sua boca, até confessam, mas os seus corações vão em outra direção (Mt 15.8; Mc 7.6). A prova de sinceridade não está nas palavras, mas nos atos (Mt 7.21). As palavras não são de valor algum se não forem acompanhadas de atos equivalentes: “Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes” (Jo 13.17). Existe uma diferença categórica entre arrependimento (2Co 7.9), e remorso como no caso de Judas (Mt 27.3).

-O “sim” e o “não” é uma prova do nosso caráter. O tempo vai dizer quem é quem e revelará se o que dissemos condiz com o que somos. Às vezes o “não” honesto hoje pode colocar o homem em uma posição de reflexão, de arrependimento e mais tarde gerar mudanças movendo-o a prática de atitudes coerente com o “sim”. O verdadeiro “sim” é aquele marcado pela consciência profunda do pecado, arrependimento e conversão (Mt 21.31-32). Os publicanos e as meretrizes eram os que inicialmente haviam virado as costas para Deus, mas se arrependeram e creram; ao passo que os judeus fariseus que haviam pretensamente crido, no fundo endureceram o coração e rejeitaram a oferta do Evangelho. Intenções precisam ser acompanhadas por ações, pois a fé sem obras é morta (Tg 2.26), e o arrependimento sem frutos não agrada a Deus (Mt 3.8).

-O “sim” e o “não” é uma questão de livre-arbítrio. Na história, os dois filhos mudaram de ideia, um para pior e outro para melhor. O pecador pode se arrepender e ser perdoado, e o justo pode se desviar e ser condenado (Ez 18.21-24). Por isso, é imprescindível permanecer firmes até ao fim (Hb 3.12-13; 4.11). O chamado do Evangelho, é, na realidade, o mesmo para todos, e nos é transmitido com o mesmo teor. Na parábola, o pai falou a mesma coisa para os dois filhos e sua vontade para os dois foi a mesma. Deus deseja a salvação de todos (1Tm 2.3-4). Como cada filho na parábola tomou sua própria decisão, nós decidimos obedecer a Deus ou não. Os dois filhos receberam a mesma oportunidade: “[...] Filho, vai trabalhar [...] E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo” (Mt 21.28,29). Jesus não lhes disse: “vós não podeis entrar no reino do céu”; porém, mostrou que eles mesmos criavam o obstáculo que lhes embargava a entrada (Mt 23.37-38).

CONCLUSÃO:

Temos ido trabalhar na vinha do Senhor? Temos servido ao Pai? Ou temos dito em alto e bom som “eu vou, senhor” e temos preferido ficar onde sempre estivemos, fazendo a nossa própria vontade, simplesmente querendo enganar a nós mesmos e aos outros (pois a Deus ninguém engana). Só pode ir trabalhar na vinha, e hoje, quem se arrepende, quem muda de vida, quem é transformado por Jesus. A vida cristã representa uma indispensável mudança de caráter. “...Não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade do seu sentido, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração, os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza. Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que O tendes ouvido e nEle fostes ensinados, como está a verdade em Jesus, que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade.”(Ef.4:17-24).

- Ser salvo, pertencer à Igreja, este novo povo, surgido da reunião dos arrependidos, é fazer a vontade do Pai, é fazer aquilo que Jesus nos manda. Assim mostraremos que realmente amamos a Jesus e somos Seus amigos (Jo.15:14). O que contará na hora da prestação de contas, é se fizemos, ou não, a vontade de Deus (Mt.7:21). Os próprios religiosos tiveram de assinar a própria sentença, ao admitirem que foi o primeiro filho quem fez a vontade de Deus, o gentio arrependido (Mt.21:31 “in medio”). Temos feito a vontade de Deus? Será que não pertencemos àquele grupo do “...deixar-se levar ‘ para lá e para cá e para lá por qualquer vento doutrinário’, [que] aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais, [que se] vai constituindo [n]uma ditadura do relativismo, que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida somente o eu e as suas vontades...” (O manifesto de Ratzinger). Não são poucos os que estão a viver conforme suas próprias vontades, dizendo-se cristãos, dizendo-se servos de Deus e que não o são. Vemos que este não é o padrão aprovado por Deus. Vemos, claramente, pela parábola, que não é isto que agrada o pai. Mas sim o fazer a sua vontade, custe o que custar.



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