13 de dezembro de 2018
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

25/08/2018

LIÇÃO 09 – JESUS, O HOLOCAUSTO PERFEITO

Comentário da Lição Bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira


(Lv 1.1-9)

INTRODUÇÃO

O principal propósito dos sacrifícios era fazer a expiação pelos pecados, mas também havia os de gratidão, de ação de graças, de paz e de alguns outros rituais judaicos que não cabe descrição aqui. Todos esses variados sacrifícios apontam, ainda que comparativamente inadequados, para o sacrifício final e definitivo de Cristo. (POMMERENING 2017, p. 53). Dentro do processo litúrgico levítico - e por sinal aquilo que havia de mais importante nele - vamos encontrar os holocaustos. Esse rito tinha como objetivo queimar por inteiro o animal que era oferecido por expiação e oferta de alguém. Contudo, este processo foi transitório e imperfeito, e depois acabou apenas ficando como mera liturgia no culto judeu.

Hoje, desfrutamos do perfeito e eterno sacrifício de Cristo, onde na cruz do calvário, nos proporcionou a redenção tão almejada pelo sacrifício hebreu. Esta redenção é incondicional e atemporal, e está disponível a todo aquele que crer. Nesta lição veremos uma definição da palavra holocausto à luz das Escrituras Sagradas; veremos também, algumas características da oferta de holocausto dentro do sistema levítico; e por fim, destacaremos algumas marcas do sacrifício de Cristo, que o faz ser o holocausto perfeito.

I – A PALAVRA HOLOCAUSTO À LUZ DAS ESCRITURAS

1.1 Holocausto nada mais é que um “Sacrifício levítico que consistia na queima completa da vítima animal sobre o altar” (ANDRADE 1996, p 214). O holocausto era o mais relevante e importante sacrifício do culto levítico, onde através da oferta de animais limpos fazia a substituição do culpado pelo pecado cometido, e por sua grande importancia era o abre alas das solenidades. Embora mais amplamente explicado e praticado pelos sacerdotes levíticos, o holocausto é uma prática muito antiga, que teve início muito provavelmente com Abel, e praticado por todo periodo do AT.

O holocausto é também o mais antigo sacrifício da História Sagrada. Introduzido muito provavelmente por Abel, foi observado durante todo o príodo do Antigo Testamento. É o cerimonial que mais caracteriza o culto levítico; descreve, gestualmente, a peregrinação da alma penitente da Queda, no jardim do Éden, à Redenção, no monte Calvário. (ANDRADE 2018, p. 99). Introduzido no culto hebreu, os holocaustos no decorrer de sua história eram feitos privada e publicamente, e tinha várias finalidades, que iam desde os sacrifícios pelos pecados particulares até o sacrifício anual de expiação por toda a congregação de Israel. Cerca de 290 vezes a palavra holocausto aparece nas Escrituras, englobando tanto a forma singular (199 vezes), como a forma plural (91 vezes), sendo que, a maior ocorrência do termo está no livro de Levítico (62 vezes) (OLIVEIRA, sd, pp. 532,533). A expressão holocausto aparece pela primeira vez na Bíblia, atrelada a história de Noé: “E edificou Noé um altar ao SENHOR; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar” (Gn 8.20). A palavra hebraica traduzida como holocausto é: “olah”, e significa literalmente: “aquilo que vai para cima”. O dicionário Vine (2002, p. 692), lembra que no grego o termo advém de: “holokautõma” (Mc 12.33; Hb 10.6,8) e que denota: “oferta queimada por inteiro”, formado de “holos”, “inteiro”, e “kautos”, em lugar de “kaustos”, adjetivo verbal de “kaiõ”, que quer dizer: “queimar”.

1.2 Descrição bíblica. A oferta do holocausto, também chamada de oferta queimada (Lv 1.9), era inteiramente consumida sobre o altar (Lv 6.9), com exceção da pele do animal (Lv 7.8), e das entranhas com os resíduos de comida (Lv 1.16). Esse sacrifício era oferecido a Deus como ato de adoração (1Cr 29.20,21), em ação de graças (Sl 66.13-15), para obter algum favor (Sl 20.3-5) e, em diversos ritos de purificação (Lv 12.6-8; 14.19,21,22; 15.15,30; 16.24; Jó 1.5). Era o único sacrifício regularmente estabelecido para o culto no santuário e era oferecido diariamente, de manhã e à noite por isso era chamado de o sacrifício “tãmíd”, ou seja, perpétuo, contínuo (Êx 29.38-42; Ez 46.13; Dn 8.11; 11.31) (TENNEY, vol. 03, p. 63 –). Deveriam ser apresentados como sacrifício de holocausto, animais específicos (Lv 1.2,10,14), sendo macho sem defeito (Lv 1.3,10; 22.19-21).

II – CARACTERÍSTICAS DO SACRIFÍCIO DE HOLOCAUSTO

2.1 Voluntário. A oferta de holocausto como podemos notar, tratava-se de um sacrifício voluntário, isto é, a pessoa trazia de maneira livre e espontânea o animal que seria oferecido ao Senhor: “Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR [...]” (Lv 1.2; ver 1Sm 7.9; 13.9; Sl 20.3), conforme sempre são as ofertas mais altamente motivadas, e era apresentada pelo ofertante à porta da tenda da congregação (Lv 1.3,5).

2.2 Substitutivo. Um ato orientado por Deus no ritual da oferta de holocausto, era: “E porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto [...]” (Lv 1.4), prescrição essa determinada para todos os sacrifícios de animais. Compare a mesma ocorrência na oferta de paz (Lv 3.2), na oferta pelo pecado (Lv 4.4), no oferecimento do carneiro da consagração (Lv 8.22), no ritual do Dia da Expiação (Lv 16.21), e até na apresentação dos levitas (Nm 8.10), exceto quando o sacrifício era de aves (Lv 14.4,14-17,49). O adorador deveria colocar a mão sobre o animal a ser sacrificado (Lv 1.4), gesto que simbolizava duas coisas: (a) a identificação do ofertante com o sacrifício; e, (b) a transferência de algo para o sacrifício. No caso do holocausto, o ofertante estava dizendo: “Assim como esse animal é entregue inteiramente a Deus no altar, também eu me entrego inteiramente ao Senhor”. Nos sacrifícios que envolviam o derramamento de sangue, a imposição de mãos simbolicamente transferia o pecado e a culpa para o animal que morria no lugar do pecador (WIERSBE, 2006, p. 336).

2.3 Expiatório. O holocausto era uma dádiva que visava ganhar o favor divino para o adorador conforme é indicado na seguinte frase: “[...] para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação” (Lv 1.4-b), ficando claro textualmente o propósito de Deus na oferta de holocausto. Esta expiação significa “remissão da culpa através do pagamento ou cumprimento da pena”, nesse caso em particular por meio da morte do animal oferecido (Lv 1.3,9,13,17).

2.4 Provisório e repetitivo. Como já vimos o holocausto era um sacrifício contínuo (Nm 28.1-6; Ez 46.13; Dn 8.11), e embora os sacrifícios descritos em Levítico, tenham sido instituídos por Deus, eles não eram plenos: “nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam [...]” (Hb 10.1), pois: (a) eram repetitivos (Hb 10.11); (b) não limpavam à consciência (Hb 9.9); e, (c) não purificavam os pecados (Hb Tipológico. Os holocaustos são sombra da disposição de Cristo em entregar a si mesmo (Hb 10.1). O animal inocente simbolizava a perfeição moral demandada pelo santo Deus, bem como a natureza perfeita do real sacrifício futuro, a saber, Jesus Cristo. O animal sacrificado pelos israelitas não apenas acalmava a ira de Deus ou se tornava um substituto para receber punição, mas sobretudo, prenunciava o dia em que o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo (Jo 1.29), morreria e venceria o pecado para sempre (Cl 2.13,14).

III – CARACTERÍSTICAS DO SACRIFÍCIO DE JESUS COMO O HOLOCAUSTO PERFEITO

A santidade de Deus exige uma restituição à altura; o homem, entretanto, não tem condições de satisfazer essa exigência. Sendo assim, Deus evidencia sua misericórdia e amor providenciando uma solução, mas a honra de Deus exigiu o sacrifício de um homem perfeito como único meio suficiente de reconciliação. O ser humano é incapaz de satisfazer essa exigência. Assim, Cristo morreu em lugar da humanidade. Essa incapacidade humana exigiu a morte de cruz para que se compreendesse o imensurável amor de Deus. (POMMERENING 2017, p. 09). Como já dito anteriormente, os sacrifícios do AT eram transitórios e imperfeitos, onde os ministrantes não atendiam os requisitos necessários para uma expiação completa e perfeita, e nenhum homem que ofertava poderia por seus méritos justificar-se.

3.1 Voluntário. Jesus não foi forçado a ir à cruz. Ele não foi à cruz contra sua vontade. Ele mesmo disse: “Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” (Jo 10.17,18). A morte de Cristo não deve ser considerada como um acidente, mas algo intencional, como demonstração do Seu eterno amor pela humanidade (Jo 3.16; 10.11; Rm 5.6,8,15).

3.2 Substitutivo. Quando o homem caiu e se afastou de Deus, ficou em débito eterno para com o Senhor (Cl 2.14). O homem, por si só não poderia resolver seu problema ou pagar sua dívida diante de Deus, a não ser que um “substituto” fosse providenciado, o que está fora do alcance do homem conseguir. Essa atividade, dentro da Teologia, é chamada de “expiação vicária”, que pode ser entendida como “substituição penal” (2Co 5.14, 15,21). A Bíblia ensina que os sofrimentos e a morte de Cristo foram vicários por todos os homens, pois Ele tomou o lugar dos pecadores, e que a culpa deles lhes foi “imputada” e a punição que mereciam foi transferida para Ele (Lv 1.2-4; 16.20-22; 17.11; Is 53.6,12; Mt 20.28; Mc 10.45; Jo 1.29; 11.50; Rm 5.6-8; 8.32; 2Co 5.14,15,21; Gl 2.20; 3.13; 1Tm 2.6; Hb 9.28; 1Pd 2.24) (RYRIE, 2017, p. 331).

3.3 Expiatório ou Propiciatório. Deus demonstra Sua justa ira para com o pecado (Jo 3.36; Rm 1.18-32; Ef 2.3; 1Ts 2.16; Ap 6.16; 14.10,19; 15.1,7; 16.1; 19.15), de forma que, qualquer que seja a atitude desse Deus absolutamente Santo contra o pecado, é completamente justo e aceitável, pois, devido a seu caráter Santo, não pode deixar impune o mal, nem tão pouco fingir que ele não existe, ou que não tem importância. Contudo, em Cristo por meio do seu perfeito sacrifício, é providenciada uma oferta “propiciatória” e assim a ira de Deus contra o pecado é apaziguada (Rm 3.25; 1Jo 2.1-2; 4.10 cf. Êx 25.17-22; Lv 16.14.15) (CHAFER, 2010, p. 99). A palavra propiciação significa: “aquilo que propicia, isto é, torna favorável”. O pecado separa o homem de Deus (Is 59.2; Rm 3.23; Ef 2.1-3), mas Jesus, o nosso cordeiro, morreu para tirar o pecado (Jo 1.29;1Jo 3.5) e, por causa dessa propiciação, a ira de Deus se retirou (Is 12.1-3) e aquele que crer em Jesus é livre de toda a culpa diante da Lei. Deus nos concedeu um sinal de sua aprovação a esta propiciação: na hora da morte de Jesus, o véu do templo se rasgou de alto abaixo (Mt 27.51). Assim, Deus mostrou que Jesus abriu um “novo e vivo caminho” (Hb 10.20).

3.4 Redentor. A redenção é mais um aspecto do sacrifício de Cristo sobre a cruz, que é ligado ao pecado e restrito em seu significado. Como substituição tem o sentido de assumir a culpa, já a redenção tem sentido de pagar essa culpa assumida. Ou seja, a redenção é aplicada no que diz respeito ao pecado e o débito que ele causa, que pode apenas ser pago com sangue (Hb 9.22 cf. Lv 17.11). Logo, para que o preço de pecado pudesse ser pago, era necessário derramamento de sangue de um cordeiro sem máculas (Jo 1.29; cf. Is 53.9; 1Pd 2.21-22). A ideia expressa nesse contexto é de prover liberdade através do pagamento de um resgate (Rt 3.9; Os 3.15; Is 43.3,10-14). Cristo é o Redentor da raça humana e a ideia expressa é de comprar (Mt 13.44, 46; 14.15; Mc 6.36; Lc 9.13; cf. Gn 41.57, 42.5,7; Dt 2.6).“Por que fostes comprados por preço [...]” (1Co 7.23). A ideia presente neste texto aponta para uma compra de alto valor. Assim, podemos concluir que essa compra implicou no pagamento de um preço alto (1Pd 1.18,19), que é o sangue do próprio Messias (Ap 5.9,10). Assim, por meio do pagamento, o redimido é desatado e está livre (CHAFER, 2010, vol.3, p. 99).

3.5 Único e eficaz. Os sacrifícios de animais precisavam ser repetidos, mas Jesus Cristo ofereceu a si mesmo uma só vez (Hb 7.26,27). Por fim, os sacrifícios de animais não poderiam jamais apagar, pois, seu sangue apenas “cobriria” o pecado até que o sangue de Cristo “tirasse o pecado do mundo” (Jo 1.29). Seu sacrifício purifica a consciência (Hb 9.14); e uma vez que Cristo é “sem mácula”, pôde oferecer o sacrifício perfeito (Hb 10.10,14,18); de maneira que quando Jesus morreu na cruz, como oferta pelos nossos pecados, o véu do templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51; Mc 15.38; Lc 23.45), ficando por meio de Cristo aberto o acesso a Deus (Hb 9.1-14; 10.19-22). Contrastando o acesso limitado a Deus que os israelitas tinham por meio do sistema sacrificial Levítico, Cristo, ao dar sua vida por nós como sacrifício perfeito, abriu o caminho para a própria presença de Deus e para o trono da graça (Hb 4.16).

CONCLUSÃO

O holocausto, porém, apontava para uma eterna e perfeita redenção que se aproximava em Cristo, onde somente Ele cumpria os requisitos necessários para realizar uma total expiação.

O sacrifício de Cristo, porém ocorreu de uma forma diferente dos holocaustos oferecidos no AT. Enquanto no AT a vítima animal era queimada totalmente, Jesus veio a padecer num madeiro para nos promover a perfeita redenção, e a partir daí encerrara o antigo sistema sacerdotal levítico em seus holocaustos e ofertas cotidianas, com uma oferta eterna.

O antigo sistema sacerdotal levítico chegara ao fim quando Cristo, de uma vez por todas e como Sumo Sacerdote da Nova Aliança, fez a purificação dos pecados. (GONÇALVES 2017, p. 99)

Quem ofertava no antigo sistema sacrificial levítico, buscava por uma santificação que ele acreditara receber com o sacrifício daquele animal, contudo apenas em Cristo foi-nos concedida esta santificação.

O objetivo do sacrifício de Cristo é a remissão dos pecados e a subsequente purificação, de tal modo que se possa atingir verdadeira santidade [...] Os sacrifícios de animais eram totalmente incapazes de produzir resultados. Mas, na expiação feita pelo sacrifício único de Cristo, a remissão foi completa; e então, mediante o Espirito Santo, é produzida a santificação. (CHAMPLIN 2014, p. 771)

[...] os sacrifícios de animais eram incompletos e não podiam expiar o pecado humano por inteiro; por isso o sacrifício de Cristo assume uma relevância de dimensões eternas por ser completo e perfeito. (POMMERENING 2017, p. 53). Diferente do processo litúrgico do AT, hoje temos acesso a expiação promovida pelo Sacrifício de Cristo incondicionalmente através da fé. Hoje não precisamos mais ofertar animais, mas apenas crer no Senhor Jesus como Salvador e Redentor de nossas vidas. O Senhor Jesus Cristo realizou muitas obras, porém, a obra suprema que Ele consumou foi a de morrer pelos pecados do mundo (Mt 1.21; Jo 1.29). O evento mais importante e a doutrina central da salvação, resumem-se nas seguintes palavras: “[...] Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1Co 15.3).

REFERÊNCIAS:

CHAFER, Lewis Sperry, Teologia Sistemática. HAGNOS.

OLIVEIRA, Oséias Gomes. Concordância Bíblica Exaustiva Joshua. Vol. 02. CENTRAL GOSPEL.



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