23 de fevereiro de 2018
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

09/02/2018

Lição 06 - Perseverança e Fé em Tempo de Apostasia

Comentário da lição bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira Rodrigues


Hebreus 6.1-15

INTRODUÇÃO

Apostasia remonta a ideia de decaída, deserção, rebelião, abandono, retirada ou afastamento daquilo que antes se estava ligado. Em relação à nossa fé, apostasia significa romper o relacionamento salvífco com Cristo. Geralmente esse fenômeno se manifesta na esfera moral e ética, bem como na esfera doutrinária. Neste tempo de apostasia, à luz da Carta de Hebreus, somos chamados a perseverar na comunhão com Cristo e a viver em fé na esperança renovada de que um dia estaremos para sempre com o Senhor.

Deus quer que Seus filhos vivam vitoriosamente, em crescimento espiritual constante, até alcançarem o objetivo final que é a estatura perfeita em Cristo Jesus. Isso certamente acontecerá quando a Igreja estiver com Ele. É preciso que cada cristão procure, constantemente, os meios para crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo, permanecendo fiel até o fim para alcançar a plenitude.

1-A NECESSIDADE DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL

CUIDADOS NECESSÁRIOS AO CRESCIMENTO – Tanto na vida física como na espiritual, o crescimento é um processo. É algo gradativo, contínuo, vagaroso e precisa de ajuda. Assim como há necessidade de cuidados alimentares, asseio, sono tranquilo e exercícios, para o crescimento físico; da mesma forma, acontece com o crescimento espiritual. Desde o nascimento, o indivíduo conta com pessoas que o ajudam a tornar saudável, a crescer harmoniosamente, a chegar à maturidade; da mesma maneira, é preciso ajuda para o crescimento espiritual.

O Primeiro Passo Para o Crescimento: Santificação – Após a conversão, conforme foi dito anteriormente, inicia-se uma nova vida, bem diferente. É como se o novo convertido fosse um bebê que necessita de cuidados especiais para crescer e desenvolver-se. Então, começa a ser instruído para viver em santificação. O que isso significa? A santificação consiste em deixar o pecado e viver para Deus. Significa ser separado. É uma tomada de posição séria que cada um, individualmente, precisa decidir; ou o crente é santo, separado do mundo e vive para Deus; ou ele vive no pecado, separado de Deus. Nessa questão, não existe meio termo. É uma necessidade absoluta que deve acompanhar o crente, dia a dia, de modo crescente. Ler II Pedro 1:15,16. O apóstolo Pedro faz advertências contundentes àqueles que querem servir a Jesus.

Crescendo Por Meio da Palavra – O Apóstolo orienta o crente a viver de acordo com a Palavra de Deus, deixando tudo o que desagrada ao Senhor: malícia, engano, mentira, invejas, maledicências e fingimentos. O cristão deve desejar ardentemente estudar e fazer uso das Escrituras, da mesma forma que um bebê deseja, e se satisfaz quando lhe oferecem leite materno. Ler I Pedro 2:1,2. Essa é a primeira alimentação do indivíduo, e é de grande importância. O cristão que inicia a sua vida espiritual alimentando-se da genuína Palavra de Deus, que é comparada ao leite não adulterado, não falsificado, cresce robusto, sadio espiritualmente. Isso significa a nutrição encontrada em Jesus e no Seu Evangelho, sem qualquer mistura de ideias ou práticas carnais. Muitas pessoas que se entregam para Jesus permanecem naquele primeiro amor, mas não desenvolvem um bom crescimento porque não procuram conhecer as Escrituras. Continuam praticando as mesmas ações de antes. O resultado é não permanecerem na fé. A recomendação da Bíblia é: “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” Oséias 6.3. A Bíblia é a Palavra de Deus dada ao homem para a sua edificação. Ler João 17:17. A Palavra de Deus é, pois, alimento que fortalece. Ler I João 2.14; que robustece a fé. Ler I Timóteo 4.6; Salmo 119.28; que purifica o cristão. Ler Salmo 119.11; Efésios 5.6; João 15.3.

Crescendo em Amor – A essência da vida espiritual é o amor. Esse amor que foi demonstrado a nós por Jesus, precisa refletir em nossas vidas em estado crescente. É o amor que transforma o homem, mudando sua maneira de pensar, sentir e agir. O apóstolo Paulo escreveu um lindo poema sobre o amor, exaltando suas características. Ler I Coríntios 13. No final do capítulo (v.11), ele faz um paralelo da vida material com a espiritual. Considera que o comportamento do menino é diferente do comportamento do adulto. Certamente o que ele pretendia dizer com isso é que o crente novo, ainda menino na fé, possui uma visão limitada acerca do amor de Jesus. Mas, à medida que ele cresce no conhecimento da graça de Deus, sentirá esse amor inundar seu coração de uma maneira tão profunda que provará o mesmo sentimento do apóstolo quando disse: “Quem me separará do amor de Cristo? ” Romanos 8.35.

O Amor em Movimento – O amor não é estático. Ele é dinâmico; gera boas ações. Quando o crente dá lugar para o amor crescer em seu coração, ele torna-se útil ao seu semelhante.  Em lugar do ódio, nasce o perdão, o que estava se desfazendo é reedificado pelo amor. Ver I Coríntios 8.1. O que praticava o mal, agora pratica o bem. Ver Romanos 13.10. Deus quer que o amor seja abundante no trato de uns para com os outros. Er I Tessalonicenses 3.12.

O Conhecimento é Gradativo – Para crescer na graça e no conhecimento de Jesus Cristo, é preciso ser perseverante. Cada luta, cada dificuldade conduz a uma vitória que se traduz como um elemento para o progresso da caminhada. Essa caminhada é a busca incessante das coisas espirituais. O apóstolo Pedro exorta à prática de virtudes que devem ser obtidas com diligência, até que se alcance o verdadeiro amor e, conseqüentemente, uma natureza divina. “E vós, também, pondo nisto toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência. E à ciência temperança, e à temperança paciência, e à paciência, piedade. E à piedade amor fraternal; e ao amor fraternal a caridade. ” II Pedro 1:5-7. Essa caridade é traduzida como o amor, a maior de todas as virtudes. Todas essas virtudes devem ser acrescentadas ao conhecimento cristão a fim de que ele possa chegar à estatura de varão perfeito (Efésios 4.13).

II - A NECESSIDADE DA VIGILÂNCIA ESPIRITUAL

1. Apostasia, uma possibilidade para quem foi iluminado e regenerado.

As palavras do autor dão início ao versículo 4 do capitulo 6 de Hebreus com o vocábulo grego adynato, traduzido aqui como "impossível". É a mais forte advertência em o Novo Testamento sobre o perigo de decair da graça. Os gramáticos observam que o seu sentido aqui é enfatizar o que vem colocado depois da conversão (Hb 6.4). O autor fala de pessoas crentes, porque nenhum descrente foi iluminado nem tampouco experimentou do dom celestial. No capítulo 10 e versículo 32 ele usa a expressão "iluminados" para se referir à conversão dos seus leitores. Além do mais, as palavras "uma vez" (Hb 6.4) contrastam com "outra vez" (Hb 6.6), mostrando o antes e o depois da conversão. Essas não são expressões usadas para pessoas não regeneradas. A apostasia, o perigo de decair da fé, é colocada pelo escritor de Hebreus como algo factível, um perigo real a ser evitado por quem nasceu de novo.

2. Apostasia, uma possibilidade para quem vivenciou a Palavra e o Espírito.

A possibilidade de decair da graça é posta para aqueles que "se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus" (Hb 6.4,5). O autor sacro já havia dito como uma pessoa se torna participante de alguma coisa. Os crentes tornam-se participantes da vocação celestial (Hb 3.1); participantes de Cristo (Hb 3.14) e, dessa forma, participantes do Espírito Santo (Hb 6.4). Mais uma vez o texto mostra que a mensagem é dirigida às pessoas regeneradas. Esses crentes haviam se tornado participantes do Espírito Santo e da Palavra de Deus. Somente os nascidos de novo participam do Espírito Santo (Jo 14.17) e provam da Palavra (At 8.14; 1Ts 2.13). Portanto, trata-se de uma advertência para os salvos.

3. Apostasia, uma possibilidade para quem viveu as expectativas do Reino.

Esses crentes, aos quais o autor se referia, também experimentaram "as virtudes do século futuro" (Hb 6.5). Essa expressão é usada no contexto da cultura neotestamentária como uma referência a era messiânica. Ao receber a Cristo como Salvador, os crentes já participam antecipadamente das bênçãos do Reino de Deus. Vigilância mais uma vez é requerida para os salvos que ingressaram nesse Reino. Quem despreza a graça de Deus, não se torna um "cidadão real" desse Reino.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Precisamos ter vigilância espiritual porque a apostasia é uma possibilidade para quem foi iluminado e regenerado, para quem vivenciou a Palavra, provou do Espírito e viveu a expectativa do Reino.

III. A NECESSIDADE DE CONFIAR NAS PROMESSAS DE DEUS

  1. O serviço cristão e a justiça de Deus. Após o autor argumentar fortemente que não se pode brincar com a fé, agora ele vê a necessidade de consolar os cristãos depois desse “tratamento de choque” (Hb.6:9,10).

“Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho da caridade que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis”.

– “Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos”. As duras advertências são agora equilibradas com uma nota consoladora. O autor garante aos cristãos destinatários que as terríveis advertências de tragédia e perda espiritual não serão, felizmente, decretadas contra os crentes hebreus. Todavia, eles deveriam avançar em sua fé cristã. Eles não podiam ser preguiçosos, mas agora deveriam prosseguir. A frase “de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação” refere-se à nova Aliança, em comparação à Antiga. As “coisas melhores” estão na nova Aliança, através de Jesus Cristo. Não haveria motivo para voltar às “coisas antigas” do judaísmo que não poderiam trazer a salvação.

– “Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho da caridade que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis” (Hb.6:10).Aqui, o autor argumenta que, embora o crente possa não receber um galardão e aplausos imediatamente neste mundo, Deus conhece os esforços que são feitos por amor e no trabalho de Deus; Ele não se esquecerá do trabalho árduo que cada crente faz por Ele e para Ele. Aos crentes fiéis no serviço de Deus, em sua justiça, Ele os recompensará; mesmo não recebendo o reconhecimento dos homens, teremos o reconhecimento de Deus. Um exemplo de trabalho árduo, que os cristãos hebreus realizavam, era o cuidado deles por outros cristãos. O que os crentes fazem por outros é feito para Deus (cf. Mt.25:35; Rm.12:6-18; 1João 4:19-21). As boas obras não garantem a salvação, mas a salvação muda a vida do povo de Deus, levando-o a fazer boas obras.

  1. A perseverança de Abraão e a fidelidade de Deus. Após encorajar os destinatários a imitarem outras pessoas fiéis, o autor ofereceu um exemplo do Antigo Testamento que valeria a pena imitar por causa da fé e da paciência: Abraão. Os cristãos podiam confiar nas promessas de Deus porque Abraão confiou e foi recompensado.

 “Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança; para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas. Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, abençoando, te abençoarei e, multiplicando, te multiplicarei. E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa” (Hb.6:11-15).

Deus havia feito uma promessa a Abraão, que está registrada em Gênesis 22:17: “Certamente, abençoando, te abençoarei e, multiplicando, te multiplicarei”. Não era realmente necessário para Deus jurar que Ele manteria a sua promessa, porque Deus não pode mentir ou quebrar a sua Palavra. No entanto, Deus fez a promessa, jurando pelo maior padrão e com a maior responsabilidade possível – “jurou por si mesmo”. Abraão não poderia ter recebido uma garantia maior do que está. Abraão esperou “com paciência” a promessa, e esta paciência foi recompensada. A espera paciente de Abraão durou vinte e cinco anos – da época em que Deus lhe prometeu um filho (Gn.17:16) até o nascimento de Isaque (Gn.21:1-3).

Pelo fato de as nossas aflições e tentações serem frequentemente muito intensas, elas parecem durar uma eternidade. Tanto a Bíblia Sagrada quanto o testemunho de cristãos maduros nos encorajam a esperar que Deus aja em seu tempo certo, mesmo quando as nossas necessidades parecem grandes demais para que possamos esperar. Toda promessa de Deus tem a garantia de cumprimento, como se ela já tivesse se realizado; assim sendo, podemos confiar em Deus.

  1. Cristo, sacerdote e precursor do crente. “À qual temos como âncora da alma segura e firme e que penetra até ao interior do véu, onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb.6:19,20).

A confiança nas promessas de Deus não só nos mantém seguros, mas nos conduz através da cortina do Céu, levando-nos ao interior do “véu” de Deus. O interior do “véu” refere-se ao Santo dos Santos, no Templo judeu. Uma cortina era posta na entrada desse ambiente, impedindo que alguém entrasse, ou até mesmo que tivesse um rápido vislumbre do interior do Santo dos Santos, onde Deus residia entre o seu povo. O sumo sacerdote podia entrar ali apenas uma vez por ano (no Dia da Expiação), para ficar diante da presença de Deus e expiar os pecados de toda a nação. Mas Jesus já entrou ali em nosso favor, como nosso precursor, abrindo o caminho para a presença de Deus através de sua morte na cruz. A sua morte rasgou a cortina em duas partes (Mc.15:38), permitindo que os crentes entrem diretamente na presença de Deus.

Aquilo que somente o sumo sacerdote podia fazer anteriormente, Cristo fez e permite que nós façamos também. Deste modo, a obra sumo sacerdotal de Cristo foi diferente da obra de qualquer outro sacerdote. Os outros sacerdotes tomavam os sacríficos dos outros e os representavam na presença de Deus. Agora, através de Cristo, podemos nos aproximar do trono com confiança (Hb.10:19). Seu sacerdócio eterno garante nossa preservação eterna. Assim como seguramente fomos reconciliados com Deus por sua morte, também somos salvos pela sua vida como nosso Sumo sacerdote à direita de Deus (Rm.5:10). Não é exagero dizer que o mais simples cristão sobre a terra tem a certeza do Céu como os santos que ali estão.

CONCLUSÃO

O capítulo 6 de Hebreus contém uma das mais fortes exortações encontradas em todo o Novo Testamento - a necessidade de perseverança e vigilância para não se decair da fé. O processo da salvação não se dá de forma mecânica e nem compulsória, mas se firma na entrega e aceitação voluntária a uma dádiva divina. A tudo isso temos que responder com amor, cuidado e zelo (1Co 10.7-13). Essa exortação de forma alguma deve levar-nos ao medo, pavor ou pânico, mas conduzir-nos a confiar inteiramente no Senhor que é poderoso para guardar-nos até o dia final.



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