14 de dezembro de 2017
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

24/11/2017

LIÇÃO 09 – ARREPENDIMENTO E FÉ PARA A SALVAÇÃO

Comentário da lição Bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira


(At 2.37-41)

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito da fé salvífica e do arrependimento. Veremos que fé para a salvação é implantada em nossos corações pelo Espírito Santo a fim de que venhamos a receber a dádiva da salvação. Deus deseja que todos sejam salvos, contudo é necessário fé e arrependimento. Primeiramente o Espírito Santo faz nascer no coração do ser humano incrédulo a fé em Jesus e no seu sacrifício vicário; depois, o mesmo Espírito convence a pessoa dos seus pecados, do juízo e da justiça de Deus, gerando o arrependimento. Arrependido e convertido, o Espirito Santo torna essa pessoa em uma nova criatura, justificando-o e tornando-o apto a fazer parte do Reino de Deus. traremos uma definição das palavra arrependimento e fé; veremos que essas atitudes humanas são necessárias para que o homem receba a salvação concedida por Deus; destacaremos também que o verdadeiro arrependimento e fé são fruto da resposta humana a obra do Espírito Santo e da exposição da Palavra; pontuaremos, por fim, que a salvação demanda a participação divina de conceder e a humana de receber.

I – DEFINIÇÕES

1.1 Arrependimento. O que é arrependimento? É uma mudança de direção – conversão (ler 1Ts.1:9), mudança de mente, transformação do pensamento, da consciência, das atitudes,como afirma o apóstolo Pedro: “Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância”(1Pd.1:14). Se o homem diz que está salvo, mas, continua conformado e não procura mudar seus hábitos, ou costumes, alguma coisa deve estar errada. Quando eu recebo Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador, eu estou dando as costas para a velha vida.

Quando se passa pelo verdadeiro arrependimento há uma tristeza sincera pelo pecado praticado (2Co.7:10) e posterior compromisso de abandoná-lo para abraçar a vontade de Deus. O verdadeiro arrependimento nada significa se produz apenas algumas lágrimas, um espasmo de pesar, um pequeno susto. Precisamos abandonar os pecados dos quais nos arrependemos e andar em um caminho novo e de santidade. O arrependimento na vida cotidiana. O verdadeiro arrependimento implica na mudança de atitude e conduta daquele que pecou, e isto não acontece somente no dia da conversão, mas na vida cotidiana, de forma contínua. A orientação amorosa do Senhor Jesus é: “vai-te e não peques mais” (João 8:11). Deus restaura o pecador que verdadeiramente se arrepende e muda de atitude.

Na época de Neemias, o povo judeu estava desviado dos caminhos do Senhor. Mas, no capítulo 8 de Neemias, vemos que o povo se reuniu para ouvir a Palavra. A leitura, a explicação e a aplicação da Palavra trouxeram choro pelo pecado (Ne.8:9). Este é um dos efeitos da Palavra de Deus no coração daqueles que a ouvem; ela produz quebrantamento, arrependimento e choro pelo pecado. Arrependimento começa com choro, humilhação e quebrantamento diante de Deus (2Cr.7:14). Aliás, arrependimento é a tristeza profunda e suficiente para não repetir o erro.

Quanto mais você lê e entende a Palavra de Deus, mais perto de Deus você fica; logo, mais consciência você tem de que é pecador e mais chora pelo pecado. O emocionalismo é inútil, mas a emoção produzida pelo entendimento é parte essencial do cristianismo. É impossível compreender a verdade sem ser tocado por ela. Não podemos adorar o Rei da glória antes de contemplarmos a triste realidade do nosso pecado. O choro do povo judeu à época de Neemias não foi mero remorso, pois as atitudes e gestos que eles demonstraram pregam um sincero arrependimento; o povo jejuou e cobriu-se com pano de saco. Esses são sinais de contrição, arrependimento e profundo quebrantamento. O povo reconheceu o seu pecado. O verdadeiro arrependimento resulta em mudança de vida, uma mudança contínua. Nestes últimos dias da Igreja, vemos muita adesão e pouca conversão, muito ajuntamento e pouco quebrantamento. Estranhamente, vemos a pregação da fé sem o arrependimento e da salvação sem a conversão. O pragmatismo com a sua numerolatria está em voga hoje. Muitos pregadores abandonaram a pregação bíblica para alcançar um número maior de pessoas; pregam o que o povo quer ouvir e não o que ele precisa ouvir; pregam sobre cura e prosperidade e não sobre salvação; pregam para agradar e não para conduzir ao arrependimento. Desta forma, multidões estão entrando para a igreja sem conversão. A Palavra de Deus tem sido deixada de lado para atrair as pessoas, e isso é muito danoso.

No AT temos o vocábulo “naham”, que traduz a ideia de: “arrepender-se, voltar-se para longe de, ou em direção de” (ANDRADE, 2006, p. 63). No NT deriva-se do termo grego “metanóia”, e significa: “a verdadeira tristeza sobre o pecado, incluindo um esforço sincero para abandoná-lo; convicção da culpa produzida pelo Espírito Santo ao aplicar a lei divina ao coração; ou, ainda: sentir tristeza a ponto de deixar o pecado, mudança de ideia ou de propósito” (PEARLMAN, 2010, p. 225). O arrependimento inclui três elementos: (a) intelecto: é uma mudança de pensamento (Ef 1.18); (b) emoção: um homem arrependido sente um profundo pesar (Mt 21.29,30; 2 Co 7.10; Hb 7.21); e, (c) vontade: a pessoa sente a necessidade de abandonar o pecado e voltar-se para Deus (1 Ts 1.9; Rm 6.17; 1 Pe 4.2).

1.2 Fé. No AT o verbo “ãman” é traduzida por “confiar, ter convicção, acreditar”. No NT a palavra“pistis” é traduzida primariamente por “persuasão firme”“convicção fundamentada no ouvir”, podendo ser utilizada no NT como confiança (Rm 3.25; 1 Co. 2.5; 15.14,17; 2 Co 1.24; Gl 3.23); fidedignidade, fidelidade e lealdade (Mt 23.23; Rm 3.3; Gl 5.22; Tt 2.10); crença “corpo de doutrina” (At 6.7; 14.22; Gl 1.23; 3.25) (VINE, 2002, pp. 86,648). Embora a Bíblia descreva diversas manifestações da fé, destacamos aqui a fé salvífica (Mc 1.15; Mc 16.16; Jo 3.16; At 16.30,31; Rm 10.9,10; Ef 2.8-10). “A fé para salvação é uma atitude do intelecto (razão) e do coração (emoção) para com Deus em que o homem abandona toda a confiança em seus esforços de religiosidade, de piedade, de bondade ou de moralidade para obter a salvação (Gl 2.16) e confia completa e exclusivamente na obra de Cristo (At 16.30) operada na cruz” (POMMERENING, 2017, p. 100 – acréscimo nosso).

II – O ARREPENDIMENTO E A FÉ PARA A SALVAÇÃO

Salvação por meio da Fé –“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé…” (Ef.2:8). A salvação é pela graça, mas também “por meio da fé”. É a graça que nos salva pela instrumentalidade da fé. É bem conhecida a expressão usada por Calvino: “A fé traz a Deus uma pessoa vazia para que se possa encher das bênçãos de Cristo”. É muito importante ressaltar que Paulo não está falando de qualquer tipo de fé. A questão não é a fé, mas o objeto da fé. Não é fé na fé. Não é fé nos ídolos. Não é fé nos ancestrais. Não é fé na confissão positiva. Não é fé nos méritos. É fé em Cristo, o Salvador. Deus concedeu a salvação a todos os homens em Cristo Jesus (Jo 3.16; Tt 2.11). Todavia, existem condições para o nosso recebimento da vida eterna, a saber: o arrependimento e fé. Pommerening (2017, p. 97 – acréscimo nosso) diz que: “fé e arrependimento são condições essenciais para a salvação. Trata-se de duas operações conjuntas cooperativas em que o homem reage positivamente a ação do Espírito Santo. Geisler também afirma: “a fé genuína e o arrependimento na salvação de uma pessoa envolvem a aceitação do certo e a rejeição do errado — uma não pode ser exercida sem a outra”. Vejamos a importância de cada uma delas detalhadamente:

2.1 A importância do arrependimento. Como todos os homens pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23), o arrependimento também é necessário a todos os homens. Jesus mesmo introduziu a mensagem do Reino, chamando as pessoas ao arrependimento (Mt 4.17; 9.13; Mc 2.17). Ele comissionou os apóstolos a pregarem esta mensagem (Lc 24.47). Confira também (Mc 6.12; At 2.38; 3.19; 8.22). Paulo disse que por meio do evangelho se “anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At 17.30). O arrependimento é vital para que o ser humano possa obter a salvação (At 2.38; 3.19; 2 Co 7.10). Jesus ensinou que, se não houver arrependimento o homem perecerá em seus pecados (Lc 13.3,5; Jo 8.14). “O verdadeiro arrependimento é o que produz convicção do pecado; contrição do pecado; confissão do pecado; abandono do pecado; e conversão do pecado” (GILBERTO, 2008, p. 358).

2.2 A importância da fé. A fé é, sem dúvida, um dos mais importantes conceitos de toda a Bíblia Sagrada. Ela é de vital importância para que o homem tenha acessado a Deus e dEle receba suas bênçãos (Hb 11.6). Horton (1999, p. 109) diz que: “todas as nossas relações com Deus acham-se ancoradas na fé”. Acerca da salvação não é diferente. Somente crendo no evangelho o homem poderá obter este presente divino (Mc 16.16; Rm 10.9; Ef 2.8). O próprio Jesus principiou a mensagem do Reino chamando os homens ao arrependimento e fé: “[…] Arrependei-vos, e crede no evangelho” (Mc 1.15). Os apóstolos de igual modo pregaram que a fé em Jesus Cristo e no que Ele fez é condição sem a qual o homem não poderá alcançar a salvação (At 8.37; 16.31; Rm 10.9). Segundo Brunelli (2016, p. 327), “a fé que nasce no coração do homem mediante a pregação da Palavra de Deus é um elemento exclusivamente humano, por isso é cobrada do homem” (Jo 3.16; 20.31; Rm 3.22; 4.11,24; 10.9,14).

III – OS MEIOS QUE COOPERAM PARA O ARREPENDIMENTO E A FÉ

Embora o arrependimento e a fé sejam atitudes humanas, Deus concede os meios que possibilitam estes pré-requisitos para a salvação. Vejamos quais são: 3.1 O Espírito Santo. Jesus disse que uma das funções do Espírito Santo é convencer o homem “do pecado, e da justiça e do juízo” (Jo 16.8). A expressão “convencer” no grego “elencho” significa: “acusar, mostrar erro” (PALAVRA CHAVE, p. 2180). É necessário entender que o convencimento do pecado é uma ação conjunta entre o Espírito Santo e o ser humano, que se deixa convencer ou não. Portanto, não é algo coercitivo, mas em cooperação, pois a Escritura diz que o Espírito Santo pode ser resistido (At 7.51; 18.6; Hb 3.7,8,15; 4.7).

3.2 A Palavra de Deus. A fé salvadora é proveniente da pregação do evangelho (Rm 10.13,16; 2 Tm 3.15), ou seja, Deus possibilita a fé salvadora, quando põe o pecador em contato com a revelação especial: Cristo e a Bíblia. O pecador só pode ser salvo, quando exposto a pregação da Palavra que ilumina o seu entendimento (Ef 1.18; 6.4; 2 Co 6.4), até então obscurecido pelo pecado (Ef 4.18) e pelo diabo (2 Co 4.4). Ela mostra sua condição de pecado (Rm 3.23; Rm 7.7); sua sentença ao castigo eterno (Gl 5.21); e que somente em Cristo Jesus, a pessoa poderá ser salva (Jo 14.6; At 4.12; 5.31; 13.23; Tt 3.6; 1 Jo 4.14). No entanto, mesmo recebendo a iluminação da Palavra, o pecador pode optar por aceitarou rejeitar o plano da salvação que lhe é oferecida (Mt 16.24; Jo 7.37; Ap 22.17).

IV – O PROCESSO DA SALVAÇÃO

Existem pensamentos divergentes entre os teólogos sobre como se dá a salvação de um indivíduo. Se é um ato monergista (do grego monós, “único” + ergon, “trabalho”), ou seja, “um ato exclusivamente da parte de Deus” ou se é um ato sinergista (do grego syn, “com” + ergon “trabalho”), “um ato de Deus e da nossa livre-escolha”. Diante destas duas propostas, faz-se necessário apresentar o entendimento correto do processo da salvação à luz da Bíblia. Vejamos:

4.1 A parte divina (conceder). “salvação” é uma providência divina: “E tudo isto provém de Deus”(2 Co 5.18-a); desde a fundação do mundo “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8); ela é fruto inteiramente do Seu incomparável amor “Porque Deus amou o mundo” (Jo 3.16), e da Sua graça “[…] pela graça sois salvos […]; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8); que foi manifestada plenamente em Cristo Jesus em favor de todos os homens “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Geisler (2010, p. 157), afirma: “Deus é o autor da salvação, pois apesar de o pecado humano ter a sua origem nos homens, a salvação vem do céu, e tem a sua origem em Deus”.

4.2 A parte humana (receber). Deus proporcionou a salvação a todos, mas para que recebam é necessário o arrependimento (Mt 3.2; Mc 1.15; Lc 24.47; At 2.38; 3.19; 17.30) e, também a fé (Mc 16.16; Jo 3.16; Jo 5.14; At 16.31; Rm 1.16; 10.9) e estas são atitudes humanas. Quando a Bíblia diz que Deus deu arrependimento a Israel e aos gentios (At 5.31; 11.18) significa dizer que: “Ele graciosamente nos concede a chance de abandonarmos o pecado, só que cabe a nós a execução do ato de arrependimento” (GEISLER, 2010, p. 383). Quanto a fé ser uma resposta humana a revelação divina, podemos ver nos seguintes casos: (a) Deus livrou Noé e sua família do dilúvio, mas o patriarca pela fé construiu a arca (Hb 11.7); (b) foi Deus quem livrou os primogênitos dos hebreus da morte física, mas eles tiveram que pela fé matar o cordeiro e colocar o sangue na verga e nos umbrais das portas (Hb 11.28); e, (c) foi Deus quem enviou as serpentes abrasadoras sobre o povo de Israel como punição pelo seu pecado (Nm 21.6); mas também providenciou-lhes o livramento da morte física, exigindo apenas que pela fé, os hebreus ainda que mordidos, olhassem para a serpente de bronze que Moisés havia levantado, e, assim eles viveriam (Nm 21.9). Jesus aludiu a esta passagem do AT para ensinar a Nicodemos que, de igual modo, Ele seria levantado para que “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.15).

CONCLUSÃO

A graça divina faz com que os seres humanos sejam verdadeiramente humanos. É o pecado que encarcera; a graça liberta. A graça de Deus nos liberta da escravidão do nosso orgulho, preconceito e egocentrismo, fazendo-nos capaz de nos arrepender e mudar a direção da nossa vida, ou seja, cessar antigas tradições e modos de vida abomináveis e pecaminosos, assumindo a virtude e a ética do Reino de Deus ensinadas por Cristo Jesus; ou seja, uma pessoa arrependida e convertida é uma nova criatura (2Co.5:17). Desta feita, não podemos fazer outra coisa, senão engrandecer a graça de Deus que teve misericórdia de criaturas tão orgulhosas, rebeldes e obstinadas como nós. A queda do ser humano foi uma grande tragédia para toda a humanidade, e a única maneira de sermos salvos dessa tragédia é entregando-se a Cristo como único Senhor e Salvador de nossa vida e aceitando a sua obra salvífica no Calvário. Não há verdadeira conversão se não houver a fé autêntica na pessoa bendita de Jesus Cristo. Ao crente que experimentou essa conversão cabe esforçar-se para manter-se afastado de tudo aquilo que vem inibir a sua comunhão com Deus, e ser motivo de sua perdição. Deus quer que todo o homem se salve e venha ao conhecimento da verdade. Para isto, Ele nos concedeu o Seu Filho Jesus Cristo, que pagou o preço pelos nossos pecados na cruz do Calvário. No entanto, para que esta salvação seja recebida, faz-se necessário que o homem se arrependa dos seus pecados e creia em Jesus como seu Salvador.

REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor de. Dicionário TeológicoCPAD.
BÍBLIA DE ESTUDO PALAVRA-CHAVE. CPAD.
BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais: Uma Teologia Sistemática Expandida. ACADÊMICO.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO.
GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
HORTON; MENZIES. Doutrinas Bíblicas: uma perspectiva pentecostal. CPAD.

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. VIDA.

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