17 de dezembro de 2017
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

07/10/2017

LIÇÃO 02 – A SALVAÇÃO NA PÁSCOA JUDAICA

Comentário da lição Bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira


(Êx 12.21-24,29) 

INTRODUÇÃO 

A morte visitou o Egito e em uma noite de pavor todos os filhos e animais primogênitos morreram (Ex. 11.6; 12.30). Mas a morte não alcançou os hebreus, eles foram preservados pelo Senhor. Na aula de hoje, estudaremos a respeito desse grandioso livramento de Deus, que demarcou a celebração da Páscoa para os hebreus. Ao final, destacaremos que Cristo, o Salvador, tornou-se a Páscoa para os cristãos, e que através do memorial da Ceia do Senhor, celebramos Sua morte e ressurreição. Sem dúvida, a Páscoa era uma das festas mais importantes do judaísmo, e a sua celebração era carregada de valor simbólico. Quando instituiu a Santa Ceia, por ocasião da celebração da última Páscoa, Jesus tinha em mente esses fatos. A libertação da páscoa reveste-se, portanto, de um caráter introspectivo, por mostrar a necessidade pessoal de libertação por meio da substituição. E um caráter prospectivo, porque profetizava a libertação antes dela acontecer e prenunciava a obra de Cristo que prometeu a libertação a todos quantos crerem nele (Jo 8.32,36; Mt 11.28). 

I – PÁSCOA, A PRIMEIRA FESTA RELIGIOSA DOS JUDEUS 

1.1 Nome da festa. A palavra portuguesa “Páscoa” é usada para designar a festa dos judeus que, no hebraico, é chamada “Pesach”, que significa: “saltar por cima”, ou “passar por sobre”. Esse nome surgiu em face do registro bíblico de que o anjo da morte, ou anjo destruidor, passou por sobre as casas marcadas com o sangue do cordeiro pascal, quando ele matou os primogênitos do Egito“E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12.23). 

1.2 A data em que foi celebrada. O nome hebraico do mês que aconteceu a primeira Páscoa foi em Abibe, que significa “espigas verdes”. Corresponde aMarço-Abril em nosso calendário. Durante o Exílio babilônico foi substituído pelo nome Nisã que significa “começo, abertura” (Ne 2.1). Ainda hoje o ano civil começa no outono, com a Festa das Trombetas (Lv 23.24; Nm. 29.1), chamado Rosh Hashanah, que significa “Ponta do Ano” ou “Ano Novo”

1.3 Uma festa em família. O registro bíblico nos mostra que a Páscoa era uma cerimônia familiar:“Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família” (Êx 12.3). Quando a família fosse pequena demais deveria unir-se a outra. De acordo com a tradição judaica, a expressão“pequena demais” significava com menos de dez pessoas. Eles deviam calcular quanto cada um poderia comer e assim determinar se deviam se reunir com alguma outra família (Êx 12.4). 

1.4 Elementos da festa. Os participantes da Páscoa deveriam ter os lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Conforme o registro bíblico, a festa da Páscoa deveria ser preparada com os seguintes elementos: um cordeiro ou cabrito, pães asmos, ervas amargas e o sangue do cordeiro que deveria ser aplicado nas vergas e nos umbrais da porta. Cada um dos componentes desta celebração tinha um sentido literal e espiritual, que Deus tinha em mente transmitir não somente aos filhos de Israel, como a seus descendentes (Êx 12.24-27). 

ELEMENTOS EXIGIRGIDOS PARA A FESTA DA PÁSCOA  E SEU SIGNIFICADO ESPIRITUAL 

1-Cordeiro 

Este animal deveria ser: macho, de um ano, e sem mancha (Êx 12.5). Os hebreus deveriam avaliar o cordeiro durante quatro dias, e assim verificar se ele estava apto para ser sacrificado como cordeiro pascal (Êx 12.3,6). 

Este cordeiro substituiria o primogênito de cada família dos hebreus morrendo em seu lugar (Êx 12.12,13). A partir daquela comemoração cada primogênitodeveria ser consagrado ao Senhor, tanto dos homens quanto dos animais (Êx 13.1,2,12-15). 

2-Sangue 

Os hebreus deveriam sacrificar o cordeiro no décimo quarto dia no período da tarde (Êx 12.6). O sangue do animal deveria ser colocado nas vergas e no umbral da porta (Êx 12.7). 

O sangue no umbral e nas vergas das portas dos hebreus, serviria como sinal para livramento, pois o Senhor “passaria por cima” destas casas poupando da morte o primogênito (Êx 12.12,13). O Sangue representa a expiação. O sangue de Cristo nos traz a libertação do pecado (Jo 3.16; Hb 9.22; 1Jo. 1.7). 

3-Pães asmos 

Os pães asmos ou ázimo, do hebraico “matzá” (Êx 12.8), é um tipo de pão assado sem fermento. O pão asmo é feito somente de farinha de trigo e água. 

O pão deveria ser assado sem fermento, pois não havia tempo para que o pão pudesse crescer (Êx 12.8,11,34-36). A saída do Egito deveria ser rápida. A farinha amassada sem ter recebido o fermento simboliza pureza. O fermento servia de símbolo da corrupção moral (Mt 16.11; Mc 8.15). 

4-Ervas amargas 

Os hebreus deveriam comer a páscoa com ervas amargas (Êx 12.8). A tradição judaica menciona alface, escarola, chicória, hortelã e dente-de-leão como essas ervas. 

As ervas amargas ou alface agreste deveriam ser comidos para recordar a opressão do Egito e a amargura do cativeiro que os hebreus sofreram por tanto tempo (Êx 1.14; 12.8). 

II – A PÁSCOA E O SEU SIGNIFICADO PARA A IGREJA 

Embora a celebração da festa da Páscoa seja uma ordenança divina para aos judeus (Êx 12; Nm 9.2,4; Dt 16), ela tem um profundo significado para o cristão por representar a obra de Cristo para a nossa redenção, pois as festas de Israel eram “sombras das coisas futuras” (Cl 2.17). Observemos algumas similaridades entre a Páscoa e Cristo: 

2.1 O significado profético da Páscoa. Assim como um cordeiro foi sacrificado no dia da páscoa para a libertação dos judeus no Egito, Cristo foi sacrificado para a libertação dos nossos pecados: “...Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21); “... pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados” (Ap 1.5); “...Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado” (1Co 5.7). Há uma perfeita identificação entre o pecado do crente e a oferta pelo pecado (Jo 3.14 ver Jo 1.29)

2.2 O poder profético do sacrifício de Cristo. Este era o método usado por Deus, desde os tempos de Adão, para perdoar os pe- cados: O sangue deveria ser derramado “Porque a vida da carne está no sangue” (Lv 17.11). “Aquele que não conheceu peca- do, ele o fez (oferta pelo) pecado por nós...” (2Co 5.21). Por isso “... sem derramamento de sangue não há remissão de peca- dos” (Hb 9.22). No tempo do AT o sangue dos animais apenas cobria os pecados, no NT o sangue de Cristo tira o pecado do mundo (Jo 1.29; Hb 10.10-12). 

A PÁSCOA JUDAICA x JESUS CRISTO 

Cordeiro sem defeito (Êx 12.5) 

O Messias é comparado a um cordeiro pelo profeta Isaías (Is 53.4). Filipe interpreta essa profecia aplicando-a a Jesus (At 8.32-35). Profeticamente Jesus é o Cordeiro de Deus (Jo 1.29). O cordeiro representava o preço da redenção e libertação de Israel do Egito e Cristo é a nossa libertação do pecado (Jo 1.36; 19.36). O Messias nasceu e viveu uma vida imaculada e irrepreensível (1Pd 1.19; 2.22; Hb 7.26). 

O cordeiro deveria ser observado durante quatro dias a fim de verificar se não tinha defeito (Êx 12.3,6). 

(1) Examinado pelos grupos religiosos. No relato de Mateus 22 do verso 15 ao 46, encontramos Jesus, sendo examinado pelos herodianos, saduceus, escribas e fariseus e nenhum deles conseguiu achar nele nenhum defeito que o incriminasse e eles mesmo ficaram sem condições de responder-lhe nenhuma palavra (Mt 22.46). 

(2) Examinado pelo sumo sacerdote. O cordeiro da Páscoa era submetido a um exame pelos sacerdotes que o julgavam, com base no exame de suaperfeição, apto para ser sacrificado. Caifás queria evidências para o entregar a Pilatos, mas não as encontrou (Jo 18.29). 

(3) Examinado por Herodes e Pilatos. Herodes ao entrevistá-lo não viu nada de errado (Lc 23.7-11). Pilatos por sua vez, após ter examinado Jesus, “...não achou nele crime algum...” (Jo 19.4). Pelo menos três vezes Pilatos declarou que Jesus era inocente (Jo 18.28; 19.4, 6). Sua esposa também viu isso num sonho (Mt 27.19), bem como o soldado que estava ao pé da cruz (Lc 23.47). 

O cordeiro foi morto de maneira vicária; seu sangue trouxe livramento e sua carne tornou-se alimento (Êx 12.6,23; 12.8). 

Jesus foi morto pelos judeus (Mc 15.11-14; At 2.23,36); o seu sangue foi derramado para nos livrar da ira divina (Rm 3.25; 5.1; 1Ts 1.10); e a sua carne simbolizada no pão da ceia instituída pelo Senhor é alimento (Mt 26.26; Jo 6.51,55). 

III – PRINCÍPIOS QUE A IGREJA APRENDE COM A FESTA DA PÁSCOA 

3.1 A Páscoa significa libertação. Se esta festa era a festa da libertação, porque então ela foi celebrada antes da libertação propriamente dita? Porque Deus quis ensinar que o sacrifício expiatório, a fé e a nossa obediência precedem a plena libertação, afinal, Israel não estava sendo liberto apenas de Faraó, mas também do Anjo Destruidor. E isto implica que a libertação espiritual sempre precede a física

3.2 A Páscoa significa salvação. Observem que a promessa de Deus era que por meio do sacrifício de um cordeiro cada casa era salva do destruidor (Êx 12.3). O Faraó havia dito ao povo hebreu que eles podiam ir, mas sem os seus filhos (Êx 10.8-11) e nisto podemos entender a vontade do Diabo quanto as nossas famílias. Satanás sempre tentará cativar e destruir nossos filhos. 

3.3 A Páscoa significa redenção. As festas eram “sombras das coisas futuras” (Hb 10.1; Cl 2.17), ou seja, elas tipificavam aquilo que, como no caso da Páscoa, um dia tornar-se-ia história na encarnação do Senhor. E a Páscoa era exatamente uma antecipação figurativa da obra de Jesus no Calvário. 

IV - CRISTO, A NOSSA PÁSCOA

Paulo identifica Cristo como a nossa páscoa, isso porque Jesus é o Cordeiro que foi imolado pelos nossos pecados (I Co. 5.7; Rm. 5.8,9). As igrejas locais se reúnem para celebrar a Ceia do Senhor. A Santa Ceia é um memorial, a fim de que, entre muitas atribuições eclesiásticas, não nos esqueçamos do principal, do sacrifício de Cristo na cruz (I Co. 11.23-25). Por ocasião da Ceia, utilizamos, simbolicamente, o pão que representa o corpo de Cristo (I Pe. 2.22-24), e o vinho, o sangue derramado do Senhor (Mc. 14.24). Esses elementos são simbólicos por isso não podem ser confundidos com o próprio corpo e sangue de Jesus (Jo. 6.35; 10.9), trata-se, portanto, de uma linguagem figurada. Essa deve ser uma observância continua para a igreja, ainda que não seja demarcada a frequência em que deve ocorrer (Lc. 22.14-20). A igreja cristã, desde o primeiro século, atentou para a prática do partir do pão (At. 2.42; 20.7; I Co. 11.26). É importante que a igreja mantenha a reverência por ocasião da celebração da Ceia, esse era um problema grave em Corinto, pois muitos membros da igreja não a levavam a sério (I Co. 11.29,30). Esse deve ser um momento solene, sobretudo de reflexão, a fim de demonstrar nossa identificação com o Cristo que por nós entregou Sua vida. Para evitar distorções no ato da celebração da Ceia, recomendamos: 1) sinceridade na apreciação (Lc. 22.17-19), não se trata apenas de alimentação, mas de percepção do valor do sacrifício de Cristo; e 2) autoexame para não nos tornarmos culpados e participantes daqueles que crucificaram o Senhor (I Co. 11.27). Ninguém se torna, por si mesmo, apto para a Ceia, é o sangue de Jesus, que nos torna aptos para tal. Não ceamos por causa dos nossos méritos, pois se assim fosse, ninguém poderia se aproximar da mesa (Ef. 2.8,9). Mas é preciso demonstrar contrição, reconhecimento do pecado, sobretudo arrependimento (I Jo. 1.9). A Ceia do Senhor é também um momento de irmandade, pois ao partir o pão demonstramos que somos um em Cristo (I Co. 10.16,17).

CONCLUSÃO

Os hebreus, diante da ameaça de Faraó, foram libertados pelo Senhor, com mão forte e braço estendido (Sl. 89.13). A percepção daquele ato libertador fez com que os hebreus, ao longo da sua história, celebrassem a páscoa. Os cristãos também têm motivos para celebrar, através da Ceia, a libertação que nos foi dada através de Cristo Jesus. Quando assim fazemos, apontamos não apenas para o passado, em relação ao que Ele fez, também nos identificamos no presente com Ele, e demonstramos expectação em relação ao futuro, quando com Ele cearemos na eternidade (Mt. 26.29).

Concluímos que a Páscoa para os judeus é a memória da ação salvadora de Deus. Para nós, os cristãos, é a recordação da ação redentora de Jesus em favor da humanidade. Cristo é a nossa verdadeira Páscoa, o Cordeiro único e o Sumo Sacerdote por excelência. Seu sacrifício foi definitivo e completo e ilimitado, ou seja, para todos os homens (Jo 3.16). 

REFERÊNCIAS 

  • MCMURTRY, Grady Shannon. As Festas Judaicas do Antigo Testamento. ADSantos. 
  • HAMILTON, V. P. Exodus: an exegetical commentary. Grand Rapids: Baker Academics, 2011.
  • VAUX, Roland de. Instituições de Israel no Antigo Testamento. Vida Nova. 
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. 

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