23 de novembro de 2017
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AD Alagoas / Lições Bíblicas

01/09/2017

LIÇÃO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO

Comentário da lição bíblica para o fim de semana com Pr. Jairo Teixeira


(At 2.1-6; 1 Co 12.1-7) 

INTRODUÇÃO 

Uma das doutrinas basilares da Assembleia de Deus, e do Movimento Pentecostal como um todo, é o batismo no Espírito Santo, com evidência inicial de falar línguas, e a atualidade dos dons espirituais. Por isso, nos estenderemos um pouco mais nessa aula, a fim de apontar os aspectos fundamentais dessas doutrinas. Inicialmente trataremos a respeito do batismo no Espírito Santo, e em seguida, dos Dons Espirituais, com ênfase em I Co. 12. 1-7, reconhecendo que existem outras passagens alusivas aos dons espirituais. O objetivo central do batismo com o Espírito Santo não é a santificação, mas a preparação para o serviço. Essa é a razão pela qual Jesus ordenou aos seus discípulos, conforme o registro de Lucas, 24.49: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”. Ainda em outra oportunidade: E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes.  Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At. 1.4,5). Esclareceremos, a princípio, o que não é o batismo com o Espírito Santo; veremos como a Biblia classifica essa importante dádiva espiritual; e, por fim abordaremos qual o sinal físico inicial que evidencia o recebimento do poder do alto. 

I – O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO 

1.1 O batismo pelo Espírito. Embora a Bíblia chame de “batismo” tanto a inserção do crente no corpo de Cristo (1 Co 12.13), quanto o revestimento de poder (At 1.5), existem diferenças claras entre embas as experiências, evidenciando que são ministrações distintas uma da outra. “No batismo pelo Espírito Santo, o batizador é o Espírito de Deus (1 Co 12.13); o batizando é o novo convertido; e o elemento em que o recém-convertido é imerso, a Igreja, como corpo místico de Cristo (1 Co 12.27; Ef 1.22, 23). Portanto, o Espírito Santo realiza esse batismo espiritual no momento da nossa conversão, inserindo o crente na Igreja (Mt 16.18)” (GILBERTO, 2008, p. 187). 

1.2 Não é o selo. O selo, a que se refere o NT, não é o batismo com o Espírito Santo, mas a habitação do Espírito no crente, como prova de que o mesmo é propriedade particular de Deus (Ef 1.13,14; 4.30). Embora algumas vezes o batismo com o Espírito Santo seja chamado apenas de “Espírito Santo” (At 8.15,17-19; 10.44,47; 11.15; 19.2), não podemos confundir a habitação do Espírito que se dá na regeneração; com o revestimento do Espírito que se dá após a regeneração com a evidência física inicial do falar em línguas. O Espírito Santo veio para habitar (Jo 14.17), encher (At 13.52; Ef 5.18); e,batizar os crentes (At 2.38). Como podemos ver, estas três atuações sãodistintas uma da outra. Portanto, todo crente salvo tem o Espírito Santo (Rm 5.5; 8.9; 1 Co 6.19; 2 Tm 1.14). 

1.3 Não é uma língua aprendida. Alguns estudiosos defendem que as línguas prometidas por Jesus como sinais para os que creem seriam línguas humanas naturais ou idiomas, tais como o grego, latim que os apóstolos aprenderiam. Tal opinião é descabida, pois que, todos os sinais descritos em Marcos 16.17 são sobrenaturais. Até porque a palavra “sinal” usada no referido texto refere-se a atos milagrosos, e todos nós sabemos que não há nada milagroso em estudar um idioma e falá-lo, mas, sim, falar algum idioma sem nunca ter aprendido, como aconteceu no Dia de Pentecostes, evidenciando a sobrenaturalidade desta manifestação (At 2.7,12). 

1.4 Não é a regeneração. A regeneração diz respeito há uma mudança no interior do pecador (Ez 36.26; Jo 3.5,6; Tt 3.5; 1 Jo 5.18); já o batismo com o Espírito Santo há um revestimento para capacitação (Lc 24.49). A Bíblia deixa claro que os discípulos já eram regenerados quando foram batizados com o Espírito Santo (Jo 13.10; 15.3; 17.12). Portanto, a regeneração não é o batismo com o Espírito Santo; este deve seguir-se à regeneração (At 2.38,39; 19.1-6). 

II – O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO 

2.1 Uma promessa divina. No AT os profetas anunciaram que Deus daria esta bênção ao Seu povo (Pv 1.23; Is 44.3; Jl 2.28). No NT, João Batista disse que batizava com água, mas o Messias batizaria com o Espírito Santo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16). Jesus, antes de ascender aos céus, anunciou de que esta promessa do Pai viria sobre os seus seguidores (Lc 24.49; At 1.4). No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, eles começaram a falar em línguas, as pessoas se espantaram, e ao mesmo tempo acusaram os servos do Senhor de embriagez (At 2.7,12,13). Pedro os respondeu mostrando que aquela manifestação era o cumprimento de uma promessa bíblica (At 2.16-21; Jl 2.28,29). Paulo fez semelhante declaração (1 Co 14.21). Joel anunciou que tal promessa se estende a todo povo: “toda carne”, independente do sexo: “filhos e filhas”; faixa etária: “jovens e velhos”; e, status social: “servos e servos” (Jl 2.28). 

2.2 Um revestimento de poder. Em uma das vezes que Jesus fez alusão ao batismo com o Espírito Santo o chamou de revestimento de poder (Lc 24.49). Tal capacitação viria sobre os seus discípulos a fim de que executassem a tarefa de evangelização dos povos (At 1.8). Portanto, esse “revestimento” tem como finalidade conceder poder para o serviço, resultando em uma expressão externa de caráter sobrenatural” (PEARLMAN, 2006, p. 311). 

2.3 Um dom do Espírito. O apóstolo Pedro diz que o batismo com o Espírito Santo é um dom (At 2.38; 10.45). A palavra “dom” no grego “charisma”, é usada para indicar os dons do Espírito conferidos para a obra (1 Co 12.4,9,28,30,31). “Dons são capacitações especiais e sobrenaturais concedidas pelo Espírito de Deus ao crente para serviço especial na execução dos propósitos divinos por meio da Igreja” (SOARES, 2017, p. 121). 

2.4 Uma experiência válida para a era da igreja. Embora haja quem advogue que os dons espirituais ficaram restritos ao período apostólico o texto bíblico atesta claramente que tanto o batismo com o Espírito Santo como os demais dons são válidos para toda a era da igreja. O apóstolo Pedro afirmou: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (At 2.38). Asseverar que os dons só eram necessários enquanto o Cânon não estava fechado é um grave erro, por pelo menos dois motivos: (a) os dons não visam substituir a autoridade e supremacia das Escrituras, visto que seu uso deve estar subordinado ao crivo da Palavra (1 Co 14.37); (b) o texto usado pelos cessacionistas para justificar a “descontinuidade” das manifestações do Espírito (1 Co 13.10), na verdade, não tem este sentido, senão que Paulo está dizendo que os dons só terão utilidade até o retorno de Cristo, afinal de contas, quando formos ao céu teremos deixado o conhecimento imperfeito, pelo conhecimento perfeito. 

O testemunho bíblico e histórico, confirma que os dons espirituais são vigentes para todo o período da Igreja

2.5 Uma porta que dá acesso aos demais dons espirituais. É bom destacar que o batismo com o Espírito Santo é a porta por meio da qual o crente tem acesso aos demais dons listados por Paulo em 1 Coríntios 12.1-8. Isto podemos afirmar pelos seguintes motivos: (a) “dispensação do Espírito” teve o seu início em Atos 2, quando o Espírito desceu sobre a igreja para ficar com ela como havia sido prometido (Jo 15.26; 16.13); (b) a primeira manifestação do Espírito na Sua vinda sobre a igreja foi com o batismo com o Espírito Santo (At 2.1-4); (c) o livro de Atos nos mostra que os servos de Deus só foram usados nos outros dons a partir do momento em que foram batizados (At 3.6-8; 5.1-16; 6.8; 8.5-7; 9.40,41; 14.10; 19.11,12). 

.Dons: A palavra comum, no grego, para dons é charismata que, nos textos bíblicos, referem-se, no plural, às manifestações sobrenaturais provenientes do Espírito Santo para a edificação do corpo de Cristo (I Co. 12.4), tal palavra vem de charis (graça), sendo, portanto, assim como a salvação, dádiva divina, sem que haja merecimento. Conforme apontado anteriormente, tais dons são espirituais, isto é, pneumaticos (em grego), sendo assim, não se pode pensar que sejam resultantes do esforço meramente humano (I Co. 12.7; 14.1). Assim, o estudo desses vocábulos, a partir do grego do Novo Testamento, nos leva a concluir que os dons são dádivas espirituais, concedidas pelo Espírito Santo, sem que haja merecimento humano, a fim de favorecer a edificação da igreja. 

-Os dons espirituais são nove e podem ser classificados da seguinte forma: 

1-Dons de Revelação: 

A Palavra da Sabedoria (1 Co 12.8-a) 

A Palavra da Ciência (1 Co 12.8-b) 

Discernimento de espíritos (1 Co 12.10-c) 

2-Dons de Poder:

O Dom da Fé (1 Co 12.9-a) 

Dons de Curar (1 Co 12.8-b) 

Operação de Maravilhas (1 Co 12.10-a) 

3-Dons de Elocução Verbal:

O Dom de Profecia (1 Co 12.10-b) 

Variedades de Línguas (1 Co 12.10-12)

Interpretação de línguas(1Co 12.10-12)

III – FALAR EM LÍNGUAS: A EVIDÊNCIA FÍSICA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO 

Alguns sinais manifestados no Dia de Pentecostes foram específicos para aquela ocasião (At 2.1-4). No entanto, o sinal fônico: o “falar em outras línguas” (At 2.4), foi o sinal visível audível que sempre se manifestou quando houve a manifestação do batismo com o Espírito Santo, como podemos ver nas seguintes passagens: (a) em Jerusalém: entre os judeus (At 2.1-4); (b) em Samaria: entre os samaritanos de forma implícita (At 8.17,18); e, (c) em Cesaréia e Éfeso: entre os gentios (At 10.44-46; 19.1-7). Portanto, Lucas descreve a dádiva do Espírito Santo, sendo acompanhada e comprovada pelo falar em línguas. A Bíblia nos mostra uma dupla forma da manifestação das línguas. Vejamos: 

3.1 Línguas conhecidas. Os quase cento e vinte discípulos, no Dia de Pentecostes, receberam o batismo com o Espírito Santo e uma manifestação do falar em línguas conhecidas, ou seja, “línguas diferentes da sua língua materna” (At 2.8). Apesar de serem todos galileus (At 2.7), eles de forma sobrenatural começaram a falar das grandezas de Deus nos idiomas conhecidos dos judeus que tinham vindo de várias partes do mundo para a comemoração do Pentecostes em Jerusalém (At 2.5; 9-11). “O termo grego traduzido por língua em Atos 2.6 e 8 é 'dialektos' e refere-se à linguagem ou dialeto de um país ou região” (LOPES, 2012, p. 56 – acréscimo nosso). Além do batismo com o Espírito Santo os discípulos nessa ocasião também foram agraciados com a manifestação da xenolalía - “idiomas humanos, reais nunca antes aprendidos por aqueles que falavam” (CARSON, 2013, p. 140). Confira: (At 2.4-11). 

3.2 Línguas desconhecidas. Paulo disse que nem sempre as línguas que se manifestam no batismo são compreensíveis (1 Co 14.2). O falar em línguas não identificáveis é chamado de glossolalía. A Bíblia mostra que existem diferenças entre as línguas faladas no Dia de Pentecostes e as que são manifestadas em outras ocasiões e em nossos dias. Esta diferença não ocorre na fonte das línguas, pois todas “são concedidas pelo Espírito Santo” (At 2.4), no entanto: “a forma” como se manifestam são distintas. Vejamos: as primeiras eram entendidas: intelegíveis (At 2.4,8); a segunda não são entendidas, senão houver interpretação: inintelegíveis (1 Co 14.2,9,14,16,23); a primeira pode sertraduzida (At 2.11); a segunda pode ser interpretada (1 Co 14.5); a primeira acontece esporadicamente (At 2.4); a segunda acontece frequentemente (At 10.44-46; 19.1-7). Sobre as línguas, a Bíblia assevera que o batizado pode: orar em línguas (1 Co 14.15-a); cantar em línguas (1 Co 14.15-b); falar em línguas de forma equilibrada (1 Co 14.28); e, buscar o dom de interpretação (1 Co 14.13). 

CONCLUSÃO 

Os dons espirituais, conforme nos instrui o apóstolo Paulo, são dados para “cada um para o que for útil” (I Co. 12.7) e visam, acima de qualquer coisa, à edificação e à santificação da igreja (I Co. 12.7). Tantos os dons (charismata) de I Co. 12.8-10 quanto os de Rm. 12-6-8 são espirituais (pneumaticos), concedidos de acordo com a vontade do Espírito Santo (I Co. 12.11) a fim de suprir as necessidades da igreja (I Co. 12.31; 14.1).

Cremos à luz das Escrituras que o batismo com o Espírito Santo e os demais dons espirituais, foram concedidos pelo Espírito Santo, a Igreja, por ocasião do Dia de Pentecostes e estão disponíveis durante toda a sua trajetória aqui na terra. O termo “pentecostal” evoca as manifestações dos carismas “dons” do Espírito enviado à igreja. 

REFERÊNCIAS 
· BRUNELLI, Walter. Teologia para Pentecostais. · GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática 
CENTRAL GOSPEL. Pentecostal. CPAD. 
    • CARSON, D.A. A manifestação do Espírito. VIDA

· PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da 

NOVA. Bíblia. VIDA.· FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo · STAMPS, Donald C.Bíblia de Estudo Pentecostal.

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